alvarohenrique

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  1. E qual seria seu palpite sobre o assunto, Zanon? Se puder explicar o porquê, seria bastante enriquecedor.
  2. Certamente. É assim que caminha a humanidade. O Leonard Meyer já matou a charada há mais de 50 anos. Ele mostra que uma expressividade em música é atingida quando é possível combinar um certo padrão de previsibildiade com um quê de imprevisibilidade. Ou seja, é preciso dar algumas dicas para o ouvinte do que será tocado (criando expectativas), mas vez ou outra ir pra outro lado, frustrando as expectativas criadas. Juslin, entre outros, têm pesquisado algumas formas de balancear isso aí. Quando se repete uma mesma forma de interpretar, quando se toca o mesmo repertório, do mesmo jeito, acaba a imprevisibilidade, e junto com ela morre uma parcela enorme (se não toda) da expressividade que o intérprete pode conferir à composição. E isso se dará sempre. Ao se criar um "padrão" de interpretação unânime, no fim-de-semana seguinte já surgirá a necessidade de destruir esse padrão para ser possível ouvir as coisas com imprevisibilidade. O Zanon pode não concordar disso, mas espero que ele conheça o que o Meyer já escreveu sobre o assunto e o que o Sloboda, o Juslin, construíram a partir daí. Ele verá que, mesmo sem compartilhar da minha opinião, não se trata de "palpite mal informado". Uma coisa também interessante a se considerar no violão é que no nosso instrumento as coisas estão se desenrolando de um jeito diferente. Tive a oportunidade de ouvir um dos mais importantes concursos de violino da Europa, o Leopold Mozart. Legal, o pessoal toca bem, mas é claro como água que os candidatos ainda são jovens em formação e eles não tem a maturidade, conhecimento e domínio, EM QUALQUER ASPECTO, igual ao de um violinista que está no auge da carreira. Já no violão, há uma inifinidade de concursos que se o Pepe Romero, o Manuel Barrueco, mesmo o Segovia, estivessem concorrendo, acho pouco provável que eles iriam pra final. Quem fica fuçando no youtube já percebeu que é fácil encontrar algum violonista com 20, 30 anos, que em alguma coisa já é melhor que vários violonistas foram no auge da sua carreira. Enfim, um Casals tem a favor o fato de dominar o seu instrumento como poucos o fizeram e jamais o farão. O Segovia chegou a escrever para o Ponce que era impossível tocar o Prelúdio BWV 1006a, e hoje qualquer calouro de faculdade toca isso.
  3. Algum de vocês já encomendou uma obra inédita para um compositor? Já estiveram numa apresentação em que uma nova música foi estreada? Como foi sua experiência?
  4. Carlos, não sei o suficiente pra dar uma resposta categórica à sua pergunta. O que tenho a impressão é que o Segovia teve seu auge num momento muito delicado, as décadas de 20 a 40. As gravações relançadas pela Naxos que foram feitas nesse período me fazem pensar que o Segovia que a gente conheceu, dos anos 50 pra cá, é uma sombra, quase uma caricatura, do cara que realmente mudou o mundo do violão. Não conheço bem os contemporâneos do Segovia, mas considerando que o principal "rival" do Segovia provavelmente foi o Barrios, realmente nenhum violonista estava à altura de um Horowitz, Oistrak, Casals... O Segovia era quem chegava mais perto, sem dúvida. Mas isso é só um pitaco de quem não conhece bem e, pra ser honesto, nem está muito interessado em conhecer em profundidade o cenário violonístico do tempo do meu bisavô. Tem tanta coisa hoje em dia que me atrai muito mais...
  5. Cedro com jacarandá de madagascar. Igual ao violão do Manuel Dapena, que veio ao Brasil em abril. Conheci o violão do Jason Vieaux, que é um Wagner de pinho. Bom violão também. Percebi que me sinto melhor tocando em violão de cedro.
  6. Gosto muito do Gernot Wagner, tanto que encomendei um. Agora é esperar alguns aninhos.
  7. Do Segovia esse problema é ainda mais grave. O Pablo Casals, no seu tempo, representava o máximo que se sabia sobre o assunto, e nesse vídeo que você indicou mesmo ele levanta a bola pra variações de articulação, coisa que hoje qualquer manézinho da esquina sabe, mas foram músicos como o Casals quem primeiro pôs em destaque. O Segovia, por sua vez, tem sua importância para os violonistas, mas se você comparar o que ele falava com seus colegas, você vai ver que o Segovia tinha a cabeça da geração anterior à dele própri. Dá quase pra dizer que o Segovia já nasceu ultrapassado. Um exemplo fácil que me vem à mente é aquele famoso vídeo em preto-e-branco em que ele fala de sonatas de Scarlatti e dá piti pro aluno fazer um portamento numa situação musical em que naquele tempo já se sabia que um portamento não era a escolha mais adequada. No mundo do violão, acho que a melhor referência de interpretações históricas é o Pavel Steidt. Nunca antes na história do nosso instrumento tivemos um violonista que rivaliza nesse aspecto com seus colegas que tocam outro instrumento. Acho que o Pavel ganha de vários deles, aliás...
  8. Muito bom, Carlos. Obrigado por compartilhar os vídeos. Já que você falou em Bach, é importante lembrar que do tempo do Casals pra cá se descobriu muito mais coisas sobre o período barroco, e vários dos conceitos que ele usa nas suas interpretações foram superados.
  9. Concurso para professor efetivo UFOP (Ouro Preto) violão, percussão, metais, cravo Edital em http://bit.ly/fBeMX3 Favor divulgar
  10. Essa situação me lembrou de um caso citado no livro do Ramirez III. Um museu espanhol quis recuperar alguns instrumentos que pertenciam à família real espanhola há uns trocentos anos. Todos os especialistas consultados indicaram que os instrumentos deveriam ser retocados com goma-laca, não com o verniz original. O Ramirez III, por lidar com goma-laca com mais frequência que os luthiers de violino, cello, acabou fazendo o serviço. Anti-ético? Merece retirar o selo? Cada caso é um caso...
  11. Vejo alguns violões com tampo de cedro escurecer. Imagino que seja algo em função dos raios solares, e não depende muito do verniz.
  12. O problema que vejo em encarar o violão como obra-de-arte é que ela não se sustenta "artisticamente". Por exemplo, uma característica fundamental para determinar o valor de uma obra de arte é a originalidade. Portanto, um quadro inédito é mais valorizado que uma réplica da Mona Lisa. Só que uma imensidade de luthiers se orgulham de fazer apenas réplicas. Ouso dizer até que os luthiers que mais se propõem a fazer "arte" são exatamente os que mais ficam fazendo cópias. Outra característica importante é a irreprodutibilidade, mas um luthier não deve fazer violões que sejam totalmente diferente dos demais - pelo contrário, espera-se que ele atinja um nível de qualidade e o mantenha. Uma obra de arte também tem seu valor a partir de qual mensagem ela transmite, o quê ela comunica a quem a aprecia com o olhar. Exceto alguns violões exóticos, como o Picasso guitar, acho pouco provável que um violão comunique algo visualmente que seja digno de nota. Dá pra ver o violão como artesanato, isso sim. E, como todo bom artesanato, é potencialmente uma boa peça de decoração. O piano é um bom exemplo de instrumento musical que virou peça de decoração pra muita gente. Portanto, a meu ver, tem alguns pouquíssimos violões que são mesmo obra de arte, mas a maioria ou é um utensílio, uma ferramenta para realizar uma tarefa, ou é artesanato. Aqui no Brasil não sei se há algum luthier que construa violões que se propõem a ser obra de arte. Que podem ser artesanato, tem, e alguns são muito bons nisso.
  13. Fabiano, você acabou de me dar uma ótima oportunidade de explicar melhor o que quis dizer. Você comentou que o Petri falou que não estava satisfeito com o Simon Marty quando ia gravar, e por isso trocou de instrumento. Quando o conheci acho que ele estava tocando em outro violão, mesmo, mas quando conversamos um pouco ele me falou com muito entusiasmo do Marty, e até teve uma pontinha de orgulho em dizer que ele se considerava responsável por vários violonistas virem a usar Simon Marty, como o Franz Halasz. Ou seja, imagino que quando o Petri começou a gravar mais surgiu uma necessidade nova que o violão que ele tinha não o atendia exatamente. Ele buscou uma alternativa melhor, que o satisfez mais para o uso que ele agora passou a ter, para o gosto do próprio Petri (importante ressaltar). Mas isso não significou, pela conversa que tivemos, que ele passou a achar o violão anterior pior, inferior, indigno, etc. É esse tipo de olhar que precisamos aprender a ter. Quando o violão é uma ferramenta, ele precisa ser o que melhor realiza aquela tarefa e pronto, sem paixão, sem apego, sem "o-luthier-é-meu-melhor-amigo", sem intere$$e$ diver$o$. Até dá pra pregar um prego com um alicate, mas com um martelo é bem melhor. E se eu fosse gastar R$ 3.000, R$ 5.000, R$ 8.000, R$ 15.000 numa ferramenta pra pregar prego, me parece estúpido comprar um alicate.
  14. Pra mim o violão pode ser qualquer coisa. Pra mim, ele é apenas uma ferramenta de trabalho, mas não vejo problema nenhum que ele adquira outros significados para outras pessoas, e fico feliz que haja luthiers que atendam a todos os interesses.
  15. O violão hoje (mas não é de hoje) é um instrumento que está presente em situações totalmente diferentes, sendo exigido por vezes características totalmente opostas. Mesmo dentro do nicho do nicho do violão, que é o violão erudito, ainda se verifica tal variedade. Um músico que toca em casa, por puro prazer, quer do violão coisas totalmente diferentes do violonistas que viaja o mundo todo e tem de subir ao palco ainda com o fuso horário trocado e com o estômago embrulhado por ter se desentendido com a culinária local; o professor dedicado que faz poucos recitais quer algo do seu violão diferente do que o jovem violonista que está fazendo concursos no exterior busca, e assim por diante. É inevitável, portanto, que a construção, a fabricação de cordas, os acessórios de postura, reflitam essa diversidade de necessidades. Cabe ao violonista saber o quê ele busca, para encontrar o violão que te ofereça essas qualidades. O problema é que, em geral, no Brasil, as pessoas partem do caminho oposto. Após uma certa lavagem cerebral, eles compram o violão que eles foram convencidos que é o melhor do mundo e tentam tirar daquele violão as características que precisam. Não funciona. Uma coisa que alerto muito meus alunos quando esse assunto surge em fóruns é o seguinte: infelizmente essa discussão, por algun$ motivo$, não é feita mais de forma saudável na internet. Não existe o cara que senta no seu computador e pensa: "poxa, o Marcos César está aqui querendo saber de violão, talvez ele queira se informar melhor. Ele parece um cara bacana, vou lá ajudá-lo a escolher o melhor violão pra ele." O que há aos montes são pessoas pensando: "Arrá! Mais uma oportunidade para eu mostrar que meu violão é o melhor e poder revendê-lo mais caro!", entre outras motivações similares. Por isso, esse assunto já nasceu morto quando colocado em fóruns de internet. E quem não agir por essa lógica do mal toma na cabeça. Pergunte a meus alunos e vocês verão que tenho indicado, para cada aluno, um violão diferente. Não tenho acordo com luthier, tenho acordo com meu aluno e comigo, por isso escolho o melhor violão pro meu aluno e pra mim. É assim que deveríamos pensar. Quem sabe na próxima geração? Fica a dica.