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Dilson

Vossos Instrumentos

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Saul Gil    0

Meu violão "de entrada" é um Tarrega aquirido em 1973 na própria Di Giorgio, então na Voluntários da Patria em Sampa, no local onde hoje ainda fica a Assistência Técnica deles. Na época ia muito ao Rio a trabalho e, já de cabeça pensada, um dia quebrei a passagem com um longo intervalo de escala em SP. Tomei um taxi em Congonhas e depois de deixar o taxi esperando umas duas horas enquanto eu negociava com o pessoal da Di Giorgio e testava, saí finalmente com o Tarrega embaixo do braço para continuar a viagem. Agora um flash back instrumental:

Tudo começou em 1947, aos 10 anos, com um Turuna da Giannini que pertencia a um irmão. Afinava-se com cravelhas de madeira e a aprendizagem de acordes era feita com base em um método de antanho chamado O Capadócio, de autoria do Paraguassu (Roque Ricciardi) um violonista que morava no Brás em SP. Graças ao Turuna exerci a minha única atividade na lutheria. Ocorre que, vivendo no meio rural, em março de 1949 fui para Caxias do Sul para estudar e, no ônibus, caiu e foi perdida a pestana, obrigando-me a fabricar outra com um canivete que não era o do McGyver. Essa viagem aconteceu no dia 28 de fevereiro, que naquele ano era a segunda-feira de carnaval, e as aulas começariam na terça, primeiro de março. Lembro que na chegada o sistema de alto-falantes da praça tocava Chiquita Bacana, o grande sucesso carnavalesco do ano. Bota velho nisso! rsrss. Ao Turuna sucedeu um Giannini usado que meu pai comprou de um sócio e com o qual deu-se a transição cordas de aço / nylon já em P. Alegre, lá por 1954. Após essa fase houve um salto de qualidade, pois em 1960 já na universidade e trabalhando adquiri o primeiro violão artesanal junto ao luthier Alberto Salmeron e cuja construção acompanhei semana a semana. Era de jacarandá baiano e tampo em abeto "bacalhoano" como era de praxe naqueles tempos difícieis. O Salmeron ficou comigo até uns 10 anos quando o amigo de um filho meu quebrou o violão e sumiu com ele na promessa de que ia mandar consertar. Uma pena! Acontece que nessa época eu estava há um bom tempo em recesso total do violão, assoberbado com trabalho e desenvolvimento da família, situação que perdurou até 2004 quando, já tendo me aposentado uma vez e voltado a trabalhar, cogitei de me aposentar de novo aos 70 anos e planejei que então iria voltar ao violão e necessitava de um instrumento de qualidade. Depois de algumas tentativas que (felizmente) não deram certo na direção de um Fora-de-Série da Di Giorgio, ocorreu que através dos primeiros acessos a um fórum de violão, deparei com o anúncio abaixo, postado pelo grande luthier Roberto Gomes que então vivia aqui na região da Grande Florianópolis e estava se desfazendo de todo o seu acervo instrumental remanescente, antes de viajar para o exterior.

Postado em 3/9/2004 13:55:07

Caros

Ainda tenho alguns instrumentos ( feitos por mim ) que eram da minha coleção e estou vendendo. São:

01 alaúde renascentista de 7 ordens em redcedar/sicomoro c/ estojo US$500,00

( sem cordas )

01 guitarra romântica em douglas fir/jacarandá mineiro c/estojo US$ 500,00

01 Torres ( tetéia ) de 10 cordas em abeto/maple tremido c/ estojo US$2.000,00

( precisa recolar a escala )

01 "Special" em redcedar/jacarandá baiano simples / estojo US$1.200,00

( está super arranhado já que era o violão" test drive " )

Abraços,

RG

Foi um achado, pois o "Special super arranhado" do anúncio era nada mais nada menos que o Pré-Spiritus, um instrumento não só de extraordinária qualidade como de extraordinária história e significado, conforme consta no site do Roberto, onde ele conta como o projeto do instrumento foi "psicografado" e desenvolvido. Foi amor à primeira vista e a aquisição se concretizou. Entre outras singularidades, presumo que seja um dos poucos violões feitos pelo Roberto, senão o único, a ter um nome não feminino. Comente-se que o Roberto ainda teve a gentileza de fazer um restauro no violão que praticamente eliminou os arranhões, além de renovar a goma laca. Costumo comentar que, dada a minha abissal limitação como executante (analfabeto em teoria e com ouvido limitado), me sinto em relação a esse violão mais como "fiel depositário" do que como proprietário, pois considero que se um dia for criado um Museu do Violão Brasileiro digno do nome, terei que considerar seriamente a disponibilização do Pré Spiritus para esse acervo hipotético.

Depois dessa epopéia, há uns três anos conheci o também notável luthier Eduardo Brito lá em Brasilia e, como havia mentalizado que um dia algum neto haveria de se inclinar pelo violão, dado que dois dos quatro filhos são também aficionados amadores, adquiri um modelo Mini ao Eduardo, em Macacaúba com tampo em Adirondack. Como dos seis netos atuais nenhum ainda se definiu violonísticamente, o avô é que vai dedilhando o Mini, o Tarrega e o Pré Spiritus num rodizio mais ou menos contínuo. Para quem toca só de ouvido, trocar de violão é uma beleza pois as mudanças de timbre mexem com as reminiscências de forma diferenciada, fazendo vir a tona repertórios também variados, não obstante limitados.

Aí os 70 chegaram e, como a segunda aposentadoria não se concretizou, fiquei a conjecturar de um pretexto para pautar esse evento adiado. A gênese do pretexto começou em nova encomenda ao Eduardo Brito, no ano passado, de um 7 Cordas para o filho que mora em P. Alegre. Sempre achei que dedilhar um 7 Cordas estaria acima do meu QI mas quando tive o 7 na mão durante alguns dias, na transição da viagem Brasilia-P. Alegre, fiquei fascinado e prometi a mim próprio que seria o próximo sonho de consumo. Eis que então aconteceu o fenômeno Polegário, com sua dádiva ao Brasil ao abrir pari-passu a construção completa de um violão e, quando após essa extraordinária demonstração de altruismo do Pole o Julian criou o blog para ele e lá constava a disponibilidade da série de violões em Peroba-do-Campo e Abeto Italiano, uma rápida negociação me pôs na fila para fazer de uma das opções anunciadas o meu sonhado 7 Cordas, em aguardo.

Espero que vocês me desculpem por essa quilométrica resenha, mas já comentei num outro tópico sobre o meu apego aos violões e quis repartir esse sentimento com vocês.

Abrs.

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Dilson    0
Espero que vocês me desculpem por essa quilométrica resenha, mas já comentei num outro tópico sobre o meu apego aos violões e quis repartir esse sentimento com vocês.

Não tem nada o que desculpar, são esses depoimentos que me emocionam e me deixam cada vez mais apaixonado pelo fórum. Pois não é só violão, aprendemos também com a história de vida, que no caso a sua é belíssima. :parabens:

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guto    0
Meu violão "de entrada" é um Tarrega...

...o meu sonhado 7 Cordas, em aguardo.

Espero que vocês me desculpem por essa quilométrica resenha, mas já comentei num outro tópico sobre o meu apego aos violões e quis repartir esse sentimento com vocês.

Abrs.

Saul, lindo texto. Eu, pessoalmente, gosto muito de conhecer a história dos outros com o nosso instrumento. Desejo muito boa sorte e muita música com seu novo "sonho". Parabéns!

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jcoentro    0

Oi pessoal, estou começando agora no fórum, lá vai:

- Violão Di Giorgio Master

- Violão Rozini 7 cordas

- Violão Epiphone Hummingbird

- Violão Sigma Guitars TB-1B

- Baixolão Condor 5 cordas

- Guitarrra Epiphone SG 400 turbinada com um captador gibson 57 classic no braço e um 500 T na ponte.

Chegando:

- Violão luthier Zabotto réplica do Fleta

Encomendado:

- Violão luthier Jorge Raphael Abeto Paul Fischer/Koa, com a estrutura interna do tampo em treliça de fibra de carbono.

Também tenho um bandolim napolitano muito antigo, mas em bom estado de conservação, o fundo dele parece com um fundo de alaúde, não sei em que ano foi fabricado, porém estimo que tenha uns 200 anos ou mais, não sei tocar, no momento estou usando ele somente como peça de decoração.

Abr.

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guto    0
- Violão Sigma Guitars TB-1B

- Violão luthier Zabotto réplica do Fleta

Opa! me diz uma coisa, o seu Sigma TB-1b também tem problema de afinação? O meu nunca afina perfeitamente.

Essa é a B0$%@ desses violões montados na Korea e afins, cada um sai de um jeito. Pelo que custa eu nunca compraria o meu novamente. Você está contente com o seu?

Quanto ao Zabotto, você deve estar logo depois de mim, hehehehe...o duro é que o meu atrasou, então acho que o seu vai atrasar também. é de Pinho ou Cedro, mesmo? E pra quando era?

Abraços!

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Rapaz, esse negócio de atraso de instrumento é complicado pros nervos, viu.

O meu atrasou uma misera semana, e eu ja tava roendo até os moveis de casa. Já ouvi casos em que o luthier atrasou meses, por alguns fatores (clima, principalmente). Acho que eu ia entrar em colapso nervoso, de tanta ansiedade... hehehe.

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Eugenio    0

Esqueci de dizer o que eu gostaria de ter: um bandolim e um cavaquinho, ambos feito pelo Tércio Ribeiro. De resto, estou "sastisfeito"...

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jcoentro    0

Oi Guto

O meu violão Sigma TB-1B não tem problema com afinação e nem parece um violão laminado e de fábrica de tão bom que é, paguei R$ 1.600 nele já faz 2 anos e hoje pagaria de volta se fosse o caso, inclusive nunca peguei num violão de aço com um braço tão confortável quanto o dele.

Comprei esse violão quando fui acompanhar um amigo na compra de um violão, chegamos na loja (bem grande por sinal) enquanto ele testava o violão que tinha encomendado eu aproveitei e comecei a testar todos os violões que podia, nem tava a fim de comprar e nem queria um violão preto, esse por sinal foi o último que testei naquele dia, porém foi só começar a tocar e cheguei a conclusão que o violão tinha que ser meu.

Quanto ao violão Zabotto, ele está um pouco atrasado, mas eu não estou com pressa, o meu é réplica do fleta que o Segóvia usava em 68 e é de abeto

Oi Julian

Obrigado e quanto ao JR também estou curioso, ele ainda vai demorar, é só para meados de 2009.

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guto    0
Oi Guto

O meu violão Sigma TB-1B não tem problema com afinação e nem parece um violão laminado e de fábrica de tão bom que é, paguei R$ 1.600 nele já faz 2 anos e hoje pagaria de volta se fosse o caso, inclusive nunca peguei num violão de aço com um braço tão confortável quanto o dele.

Quanto ao violão Zabotto, ele está um pouco atrasado, mas eu não estou com pressa, o meu é réplica do fleta que o Segóvia usava em 68 e é de abeto

Pois é, quando comprei o meu era bem iniciante e não prestei muita atenção :thumbsdownsmileyanim: . Acho que paguei uns 1.200,00 na época, na Ultimate Guitar da Teodoro. O braço realmente é muito comfortável, nunca toquei num tão bom quanto o dele também (é o mesmo desenho dos Martins mais caros afinal de contas), mas o meu não afina, segundo o próprio Zabotto, pela colocação dos trastes. Eu gosto do som em geral, mas isso me deixa fulo e é meio caro pra corrigir. Acho que dei azar, mesmo. <_<

Você me escreveu em privado sobre a réplica do fleta (não sei se nesse fórum ou no outro), não foi? Mas não lembrava qual madeira era.

Abração!

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