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Eugenio

7 cordas solista deu uma esfriada?

23 posts in this topic

Eu acho que muita gente embarcou na ideia de que o violão de 7 seria uma espécie de "evolução" do violão tradicional, um 6 cordas com mais recursos. Isso é uma ideia equivocada, acho que muitos estão percebendo que uma corda a mais, embora possa produzir notas mais graves, não traz necessariamente mais recursos musicais ou artísticos. Há também varias perdas em relação ao 6.

Eu vejo claramente o violão de 7 de aço muito bem colocado no contraponto do choro. Já o 7 de nylon como solista raramente me passa uma sensação de ganho artístico. Muitas vezes acho que perde pro de 6 em equilíbrio de harmônicos por exemplo, quando ouço notas agudas que acabam despertando outras notas harmônicas indesejáveis, produzidas pela vibração da corda mais grave. Além de ficar uma coisa de mal gosto musical, acaba dando trabalho aos violonistas mais sensíveis de terem que ficar abafando esses harmônicos. Porque o violão não é só nota percutida, é nota harmônica também.

Em resumo, acho que essa busca da ampliação do violão não está na adição ou subtração de cordas. E não é só o violão, é cavaquinho de 5,6, baixo 6,7, etc. Acho que tá sobrando corda e faltando essência, arte.

Mas no fim vai muito de quem está tocando. Na época do Baden ninguém sentia falta de uma 7a. corda no violão. Depois veio a febre do 7 cordas solista no choro por causa do virtuosismo do Rabello e agora o Yamandu. Acho que isso vai continuar somente na linha do choro ou pra quem pelo menos tenha significativa influência desse gênero.

E o choro é só uma fatia da musica brasileira. O "bolo" é muito maior. Embora o Yamandu hoje, meio advogando em causa própria, tenha sido uma espécie de cabo eleitoral do 7 no Brasil, duvido que a maioria dos brasileiros compositores ou solistas de violão, seja no popular, clássico, jazz ou flamenco, estejam migrando ou vão migrar pro 7 cordas. Uma "evolução" ou ganho no instrumento vem mais do que o artista consegue produzir de música e arte. E aí sim, consequentemente, abrir novos caminhos pro instrumento.

Edited by Amorim

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Nunca tratei e acho ninguém aqui tratou o violão 7 como evolução de 6.

A questão de procurar um violão de 7 como o Raphael Rabello ou mesmo de 8 cordas como o Marco Pereira, que tem estilos bem diferentes, é a procura do músico pelo instrumento que traduza melhor a sua linguagem. Antes de tocar violão, e ainda toco, sempre fui baixista, e vejo isso como um paralelo; o que se pretende com um instrumento de mais cordas é simplesmente novas tessituras que se encaixam melhor no seu ideal sonoro.

Um exemplo é o Jaco Pastorius com o seu fender de 4 cordas e o Nico Assumpção com o seu baixo de 6 cordas, são gênios que estão na mesma prateleira (ambos extremamente musicais) e a diferença de cordas se encaixa na proposta de cada um.

Não vejo a procura de uma corda a  mais para mostrar virtuosismo ou "malabarismo". O maior exemplo disso é o Marco Pereira com o seu violão de 8 cordas.

Acho que a riqueza está justamente nessa diversidade de se escutar um Baden com o seu violão de 6 e o Raphael com o seu violão de 7 e perceber que ambos exerceram uma grande força gravitacional na música brasileira, ditando estilos e influenciando inúmeros violonistas.

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Não estava me referindo a ninguém do fórum ou a um violonista específico. Se vc quis levar isso pro seu lado ou de alguém aqui, é apenas uma inferência sua.

Mas conheço sim muitos violonistas que embarcaram e ainda embarcam nessa de trocar o tradicional pelo de 7 como se o 7 fosse necessariamente um violão "com mais recursos", principalmente essa garotada da atualidade que segue a linha do choro etc. Eu acho natural, até pela carreira e visibilidade que o Yamandu tem hoje, além de toda campanha que ele faz do 7 codas, obviamente meio advogando em causa própria. Mas pra mim é bem claro que uma corda a mais ou a menos não adiciona necessariamente nada. Na linguagem do Dino por exemplo - perfeito - a 7a corda não sobra nunca musicalmente e artisticamente. Mas tal como em muitos violonistas de 6, vejo sobrar corda e faltar essência em muitos de 7,8, 10, 12 ou trocentas cordas. Não importa se o Montgomery só usava o polegar ou 50 dedos. O importante é a mensagem artística. Desse ponto de vista, não vejo a música brasileira recheada de 7 cordas por todos os lados. É só um modismo que passa. Isso depende sempre muito de quais violonistas estão em evidência. Se amanhã aparece outro violonista de ponta, com um trabalho marcante e original no violão de 6, muita gente pode voltar pro tradicional também. Isso é cíclico.

Edited by Amorim

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Sinceramente eu acho que tem uma garotada que embarcou no violão de 7 porque tivemos de forma institucional e marcante a volta do Choro (Graças a Deus), independentemente do Yamandu. E hoje com a diversidade de informações que não tinha na minha época (mídias, internet, youtube, aulas por skype, intercâmbio eletrônico com músicos do mundo todo, publicações etc etc), o garoto que estuda choro também pega peças de vários outros estilos disponíveis para trabalhar no seu violão de 7.

Quando eu era menino começando a brincar no violão,  Choro era pra gente de gerações passadas, coisa mais difícil era achar um professor de violão para Choro.

Hoje em dia temos escolas em Brasília e outras cidades, temos uma geração marcante desse estilo musical gravando e se apresentando no Brasil todo, e temos a felicidade de sermos contemporâneos de um gênio como o Hamilton de Holanda.

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É o que estava dizendo, na linha do choro, acho natural muitos se interessarem pelo 7 cordas, que pode ser até mais apropriado se essa linguagem for o foco. E isso se deve principalmente ao aparecimento de músicos dessa linha com uma maneira de tocar que seduziu/seduz muitos violonistas. Não necessariamente pela beleza de composições do choro, e sim pela linguagem, pelo virtuosismo e poder de improvisar que esses músicos trouxeram. Isso é sempre a primeira coisa que seduz a maioria dos jovens violonistas. O poder com o instrumento.

O que estou tentando dizer é que como instrumento solista não vejo o 7 cordas como um adianto em relação ao 6 (como muitos enxergam), como também não vejo a possibilidade do 7 cordas se tornar o violão brasileiro oficial, como quer o Yamandu. Como falei, o choro é só uma fatia do bolo. O fato de ter mais gente com 7 ou 6 cordas vai sempre depender das referencias do momento. Se amanhã aparece outro violonista de ponta, com um trabalho marcante e original no violão de 6, muita gente pode voltar pro tradicional. Isso é uma coisa cíclica, na história de qualquer instrumento.

Edited by Amorim

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A busca de novas sonoridades pode ser entendida como mais recursos, a meu ver, e não necessariamente se limita ao 7 cordas chorístico.

Só para ilustrar o que estou dizendo, há vários músicos utilizando instrumentos com mais cordas a serviço de sua linguagem: Daniel Murray, Amadeu Rosa, Egberto Gismonti, Paulo Martelli, Juanjo Domínguez, Quique Sinesi, Douglas Lora, Doug de Vries, etc. Portanto, não se limita ao choro no 7 cordas e abarca músicos extremamente sensíveis artisticamente. A questão é de linguagem. Afinal, o artista sempre buscou inúmeros caminhos. 

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Acho que busca de variedade existe, mas no caso do 7 cordas parecia haver um movimento, um certo tipo de migração.

É fácil ver que o Dino consolidou o 7 cordas no choro, parecia que o Raphael ia fazer o mesmo com o 7 cordas solista.

O que talvez até já tenha acontecido, mas a profecia do futuro do violão brasileiro ter 7 cordas não parece se concretizar.

Mas talvez seja muito cedo ou eu esteja redondamente enganado.

 

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7 hours ago, Eugenio said:

Acho que busca de variedade existe, mas no caso do 7 cordas parecia haver um movimento, um certo tipo de migração.

É fácil ver que o Dino consolidou o 7 cordas no choro, parecia que o Raphael ia fazer o mesmo com o 7 cordas solista.

O que talvez até já tenha acontecido, mas a profecia do futuro do violão brasileiro ter 7 cordas não parece se concretizar.

Mas talvez seja muito cedo ou eu esteja redondamente enganado.

 

 A meu ver, a busca de variedade faz parte do caminho para esta possível migração. 

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Concordo com o Fabiano.

O que quis dizer é que o Choro é a porta de entrada para os jovens músicos se apaixonarem pelo violão de 7, mas a busca pelo conhecimento é um caminho sempre pressa e que nunca para...... naturalmente esses jovens buscarão outros estilos com o seu violão de 7.

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Me lembro que a minha "porta de entrada" para o 7 foram os discos do Rafael Rabello (já na fase solista e dos duos com cantores). Depois que fui conhecer (e experimentar) o 7 de aço, o Dino e o estilo de acompanhamento que ele consolidou. Hoje uso o 7 de nylon tanto pra solo, quanto pra acompanhar cantores ou pra tocar choro... virou "pau pra toda obra"! O que tenho percebido é que, alguns violonistas que conheço que migram para o 7 cordas, tocam tudo no aço: choro, samba, forró, bossa nova, jazz.... Só não vi no violão clássico, ainda. Vejo hoje, inclusive, mais gente com o 7 de aço, em relação ao nylon.

O Rogério Caetano tem sido uma referência fortíssima no 7 cordas, e no caso aqui de Sampa, o Gian Correa também. Por outro lado, tem o Alessandro Penezzi migrando do 6 para o 7 de nylon.

Me lembro do começo desse ano, quando fiz um curso de arranjo com o Marco Pereira, ele disse que se pudesse, hoje tocaria com um violão de três cordas! hahaha

Enfim, toco o 7 cordas e o vejo como um nicho. Não o vejo predominante no violão brasileiro, mas sim como uma vertente que sempre estará sempre muito bem representada, seja com solistas ou com acompanhadores.

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