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Alef Felix

Música VS Entretenimento

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Eugenio    0
10 hours ago, leomoreira said:

Ou seja, a grana continua concentrada no entretenimento. Sinal de que a democratização por si só e o enfraquecimento gradativo da mídia aberta ainda não são suficientes para tornar o meio musical mais justo. Não se recebe para tocar Garoto e e´ possível ficar milionário tocando Michel Teló.

E acredito que o dinheiro sempre vai estar lá. Hoje a gente chama de entretenimento, antigamente eram outros termos.

Estilos musicais que envolvem canto e dança sempre vão ser mais populares, acho que tem a ver com o fato de serem mais orgânicos, sociais e viscerais.

Música que é mais cerebral tem um público menor, de gente que estudou música.

Veja o caso do Jazz, começou como algo extremamente popular, todo mundo ouvia, dançava, cantava, curtia adoidado.

Depois da segunda guerra começou a verter pra algo mais cerebral.

E a partir daí passou a ser um estilo identificado como "elitista".

 

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leomoreira    0
On 2017-6-8 at 10:28 AM, Eugenio said:

E acredito que o dinheiro sempre vai estar lá. Hoje a gente chama de entretenimento, antigamente eram outros termos.

Estilos musicais que envolvem canto e dança sempre vão ser mais populares, acho que tem a ver com o fato de serem mais orgânicos, sociais e viscerais.

Música que é mais cerebral tem um público menor, de gente que estudou música.

Veja o caso do Jazz, começou como algo extremamente popular, todo mundo ouvia, dançava, cantava, curtia adoidado.

Depois da segunda guerra começou a verter pra algo mais cerebral.

E a partir daí passou a ser um estilo identificado como "elitista".

 

Isso é verdade. O problema e´que o nível de complexidade do entretenimento musical é cada vez mais baixo, o que faz com que o jazz, choro, música clássica, fiquem ainda mais distantes dos ouvintes comuns. Há 200 anos entretenimento era (na Europa) Rossini, Puccini, Donizetti... 

Creio que a falta de espaço da música mais crerebral se dá também devido à escolha de uma meia dúzia de produtores musicais que dominam o mainstream, não simplesmente pelo fato da música ser complexa. Se assim o fosse, a Bossa-nova não teria feito tanto sucesso. Há muita complexidade em "Wave", "Corcovado", e as pessoas adoram escutá-las nas novelas do Manoel Carlos. Moro nos EUA e não há quem não goste de "Fly me to the moon", "My Romance", "Autumn Leaves". Então por que não ouvimos mais músicas novas com princípios semelhantes aos das que citei? Porque a galera que produz esse tipo de música não recebe apoio dos produtores mainstream, que estão somente preocupados em promover as músicas de 4 acordes, estilo "Despacito". Às vezes os produtores dão espaço para uma ou outra Norah Jones da vida. Se há espaço para ela, por que não para mais alguns ou algumas? A impressão que tenho é de que há uma epécie de "ditadura cultural"...

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Eugenio    0

OI Léo,

Eu sempre me pergunto se essa visão que a gente tem de que as coisas no passado eram melhores é verdadeira.

Muito do material que era popular dos compositores que você mencionou eram fragmentos que as pessoas podiam cantarolar.

Os registros documentais que a gente tem era da elite estudada, a musica que era popular entre as massas iletradas tem muito menos registro.

O Brasil tem Carinhoso e várias outras canções que normalmente seriam consideradas complicadas.

Não vejo gente como Norah Jones tendo espaço negado. Pelo contrário, essa turma ganhou mais espaço.

 

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leomoreira    0

Não é questão de achar que tudo do passado era melhor, apenas de analisar o que se tem documentado e comparar com o que acontece atualmente. No século XIX essa realidade elitizada da música boa não existia mais, pois a música já tinha saído das cortes e se mudado para os grandes teatros. E os espetáculos lotavam não só com presença da elite, mas da classe média emergente por causa da Revolução Industrial. Pessoas como Rossini e Verdi ficaram milionários fazendo música de altíssima qualidade. Aí eu pergunto: quem no mundo atual está milionário fazendo música de altíssima qualidade? É claro que os parâmetros mudaram e o ser milionário de Rossini e Verdi não é numericamente comparável ao ser milionário de Justin Bieber ou Beyonce. Mas a música consumida pelas classes mais humildes não ganhava o mainstream e os Pixinguinhas da vida não ficavam milionários (e nem ficam hoje!). Por isso não se tem muito registro da música que era produzida pela massa popular, pois esta não atraia interesse econômico em termos de entretenimento.

Eu acho meio absurda a idéia de que é preciso estudo e conhecimento para saber apreciar boa música. A música de Yamandu Costa é bastante apreciada por gente humilde, que ouviu Dilermando Reis na infância sem saber nada de música. Dilermando Reis era tocado nas rádios ao lado dos mais variados estilos e gêneros musicais. A música de Norah Jones aparece uma vez por mês (e olhe lá!) nas estações que tocam variados estilos (falo isso porque passo sempre uma meia hora por dia no carro ouvindo uma estação de rádio que toca "a melhor variedade dos anos 80, 90 e de hoje"). Por isso que acredito piamente que é simplesmente uma questão dos produtores caciques darem mais espaço para quem produz música mais complexa e assim a massa poder consumir mais tal tipo de música. Do contrário, ficaremos presos a democratização do youtube e outras plataformas que não geram renda para os bons músicos, mas sim para os entertainers.

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Eugenio    0

Léo, eu pergunto mais uma vez o que era que fazia sucesso no século XIX. Você fala de Rossini e Verdi, compositores consagrados em ópera. O que as pessoas lembravam era justamente as melodias, as letras e uma narrativa, de uma forma quase idêntica à que se vê hoje. O que se conhece da 9a de Beethoven segue caminho parecido, um trecho que as pessoas podem cantarolar, não a obra toda.

Não é que os produtores nao divulgam Norah Jones com mais freqüencia, é ela que nao tem nenhum grande apelo popular. Muita gente a chama de Snorah Jones porque dizem que a música dela serve pra dormir e roncar. Compositores que fazem música fácil de ouvir e cantarolar se destacam comercialmente com mais facilidade. Não é falta de divulgação. Se o cara compõe músicas que grudam no ouvido, os produtores vão em cima porque eles estão a fim de fazer dinheiro até secar a fonte. Propaganda ajuda, mas o produto tem que ter apelo popular. 

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On 17/05/2017 at 6:26 PM, Eugenio said:

A Internet abriu os canais pra muita gente e o YouTube realmente mudou tudo. 

Por outro lado, talvez tenha ficado mais difícil fazer dinheiro.

Hoje todo mundo quer livro, CD e partitura de graça.

Só sobrou pagar o ingresso do show e aula particular. :huh:

 

Bom dia a todos.

Este é um assunto complexo, de modo que pretendo apenas colocar alguns pontos para reflexão a partir do que já foi dito.

Ao falar de música, temos a tendência a achar que tudo ficou mais difícil só para o músico, etc. Bom, a partir da ótica econômica, poderíamos passar vários posts discutindo sobre as profissões que mais padecem da externalidade negativa. 

De qualquer forma, existem aspectos mais gerais e mais simples que impactam tudo ao nosso redor. Eu diria a velocidade vertiginosa da mudança, a qual impulsiona a tecnologia, independente de qualquer sistema econômico ou social. A tecnologia parece ter vida própria a meu ver.

Para começar, o Google faliu as páginas amarelas e as enciclopédias. Eu lembro que havia um profissional que ia a nossa casa vendendo livros e mais livros. O Whatsapp colocou em xeque as operadoras de celular. O Uber está complicando a vida dos taxistas. As máquinas digitais e os celulares modernos dispensam a revelação de filmes no Fujioka e assim vai.

É lógico que o profissional se preocupa com a sobrevivência, mas certas mudanças são inevitáveis. Agora, o poder pujante das rádios é algo que deveria ser mais explorado em pesquisas. Há quem diga que toda música no Brasil que realmente faz sucesso padece de lavagem de dinheiro.... Não duvido.

 

 

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