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Madeiras de Violão


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31 replies to this topic

#1 Julian J. Ludwig

Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 05:14 PM





Madeiras para Tampo

Abeto Alemão
Abeto Adirondack
Abeto Sitka
Abeto Engelmann
Cedro Vermelho



Madeiras para fundo & laterais

Jacarandá da Bahia
Jacarandá Indiano
Jacarandá Mineiro
Pau Marfim
Pau Ferro
Macacaúba
Acero
Imbuia
Mogno
Cipreste Espanhol
Cedro rosa
Ébano Africano
Braúna
Koa
Ébano Mun
Quilted Sepele
Ziricote
Macassar Ebony
Cocobolo Rosewood
Zebrawood
Asian Ebony
Black Acacia
Curly Oregon Myrtle
African Blackwood
Bubinga
Ancient Kauri


Madeiras para Braços

Cedro rosa
Mogno


Madeiras para Escala

Ébano Africano
Pau Ferro

#2 Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 05:20 PM

Abeto Alemão - German Spruce - (Picea Abies) - Densidade média 0,45 g/cm3




Segundo Eduardo Brito:

Conhecido no Brasil geralmente como Pinho sueco ou Pinho de riga, esta é a madeira mais tradicional para tampos de instrumentos acústicos. É a madeira geralmente usada para tampos de instrumentos de arco e para o violão clássico. Demora um pouco a abrir o som no violão clássico, porém continua ganhando nuances no colorido do seu timbre durante muitos anos. Encontrada nas regiões alpinas da Europa, na Escandinávia e nos países do Leste europeu.

Segundo Roberto Gomes:

A madeira mais tradicional para o tampo harmônico de instrumentos de corda. É usada há muitos séculos. Ocorrem na Europa central, sendo que as melhores habitam a região alpina da Alemanha, Austria, Itália e França. Nos últimos anos, dado a excassez da espécie, a qualidade tem caído e o preço subido. É a madeira mais tradicional para tampos de violões, gerando um som claro e grande variedade tímbrica, mas demora mais para abrir o som e é bem instável com as variações de temperatura e umidade. Uso esta espécie nos modelos Vihuela, Guitarra romântica, Torres, Special e Maestro.


Segundo Antonio de Pádua:

Outros nomes vulgares: abeto, pinho-sueco ou, simplesmente, pinho. O pinheiro procedente do norte da Europa é a madeira mais tradicional indicada na construção de instrumentos musicais em todo o mundo, possui coloração pardo-escura com algumas variações. Tem sido empregado por séculos nos tampos de violinos, violoncelos, tábuas de ressonância de pianos, cravos, etc. Abies alba é outra espécie européia de propriedades e usos similares e que também recebe o nome vulgar de abeto.


O nome vulgar "pinho" é também atribuído à espécie brasileira Araucaria angustifolia (pinheiro-do-Paraná ou pinheiro-brasileiro), o que gera algumas confusões. O pinheiro-do-Paraná fornece a melhor madeira brasileira para a produção de tampos, porém não supera a qualidade do pinho-alemão.


Outra confusão bastante comum dá-se com as espécies de pinheiros do gênero Pinus, representado comercialmente no Brasil principalmente pelas espécies Pinus elliottii, Pinus oocarpa e Pinus caribaea que são utilizadas na indústria de móveis e chapas de madeira (compensados, aglomerados e chapas de fibra).

#3 Julian J. Ludwig

Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 05:21 PM

Abeto Adirondack - Red Spruce - ( Picea Rubens) - Densidade média 0,45g/cm3




Segundo Eduardo Brito:

Ainda pouco difundido no Brasil. Esteve fora do mercado americano durante muitos anos e recentemente tornou a ser extraído comercialmente. A maioria dos instrumentos da Martin Guitars antes da Segunda guerra eram feitos com esta madeira. Muito boa para qualquer tipo de instrumento acústico com cordas de aço ou nylon. Sua grã é mais desigual e apresenta mais diferenças de colorido que as outras variedades. Lembra muito o abeto alemão na sua sonoridade.Encontrado nas cadeias montanhosas do nordeste dos E.U.A.

Segundo Antonio de Pádua:

Outros nomes vulgares: eastern spruce, red spruce (P. rubens), white spruce (P. glauca) e black spruce (P. mariana). Pinheiros que ocorrem na região nordeste dos EUA e sudoeste do Canadá; possuem madeiras de cor palha e de propriedades praticamente idênticas a ponto de não serem distinguidas comercialmente. As três espécies apresentam excelentes propriedades acústicas.

Velocidade de propagação sonora (m/s)

Longitudinal (V LL) - 5350
Tranversal (V RT) - 325
Relação (V LL /V RT) - 16,5



#4 Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 05:21 PM

Abeto Sitka - Sitka Spruce - ( Picea Sitchensis) - Densidade média 0,40g/cm3



Segundo Eduardo Brito:

Este é o abeto mais usado para violões de corda de aço devido à sua enorme resistência. Nos violões clássicos tem de ser trabalhado bem fino para que não favoreça muito os agudos. Esta é minha madeira favorita para as estruturas internas do tampo por sua grã fina, regular e sua elasticidade. Tem a coloração mais rosada que os outros abetos. Encontrado no noroeste dos E.U.A, costa oeste do Canadá e Alaska.

Segundo Roberto Gomes:

A espécie mais tradicional para violões de corda de aço.
Vem sendo usada, com sucesso para violão clássico, por John Gilbert. Também a uso nos modelos "Standard " e " Special "


Segundo Antonio de Pádua:

Outros nomes vulgares: sitka, abeto sitka. Pinheiro que ocorre em toda a costa oeste da América do Norte. Apresenta coloração rósea muito clara, densidade e rigidez um tanto mais elevadas que o cedro-do-Canadá, porém de excelentes propriedades acústicas.

Segundo Carlos Novaes:

Possui tonalidade brilhante e de grande alcance. Ideal para músicos que preferem um estilo rítmico forte.

Velocidade de propagação sonora (m/s)

Longitudinal (V LL) - 5500
Tranversal (V RT) - 350
Relação (V LL /V RT) - 15,7

#5 Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 05:21 PM

Abeto Engelmann - Engelmann Spruce - ( Picea Engelmannii) - Densidade média 0,38g/cm3



Segundo Eduardo Brito:

Este abeto é o menos denso deles, mas quando tem boa densidade e está perfeitamente quarteado é meu abeto favorito. Muito leve, resistente e de cor bem branca.Sua grã é fina e muito regular. Abre o som mais rápido do que as outras variedades. Meus melhores instrumentos foram feitos com esta madeira. Encontrado ao longo das Montanhas Rochosas nos E.U.A e Canadá.

Segundo Roberto Gomes:

Uma das melhores alternativas para substituir a espécie européia. Ocorre na América do Norte (Montanhas Rochosas - USA e Canadá) sendo que considero a canadense de qualidade melhor do que a americana, já que no Canadá os invernos são mais rigorosos e o crescimento da árvore é mais lento, gerando veios mais juntos e uma madeira mais firme. Tem quase que as mesmas características de sua irmã européia com a vantagem de abrir o som mais rapidamente do que a européia. Uso nos 3 modelos de violões modernos.


Segundo Antonio de Pádua:

Outros nomes vulgares: Elgelmann spruce, white spruce e mountain spruce. Pinheiro que ocorre nas partes mais levadas das Montanhas Rochosas nos EUA. Madeira de cor palha muito clara de propriedades semelhantes aos spruces.

Segundo Carlos Novaes:

É mais leve do que a Sitka e produz um som mais cálido. Ideal para violões clássicos.
Responde bem ao toque mais leve.

Velocidade de propagação sonora (m/s)

Longitudinal (V LL) - 5500
Tranversal (V RT) - 325
Relação (V LL /V RT) - 16,9

#6 Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 05:21 PM

Cedro Vermelho - Western Red Cedar - (Thuja Plicata) - Densidade média 0,35g/cm3



Segundo Eduardo Brito:

Esta conífera não é um abeto, porém é uma excelente madeira para tampos. É a madeira menos densa que uso, é bastante frágil e marca com facilidade, mas produz instrumentos de grande volume e abre o som quase imediatamente. Os timbres não são tão complexos como os dos abetos mais densos, mas produz instrumentos bastante impressionantes. Foi introduzida na luteria de violões clássicos por José Ramirez III nos anos 70 e ganhou popularidade depois disto. Coloração bem mais escura e avermelhada. Encontrada na costa oeste dos E.U.A e Canadá.

Segundo Roberto Gomes:

Apesar do nome, não tem nada a ver com os gêneros Cedrela (cedro brasileiro) e Cedrus (cedro do Líbano). É uma conífera como os abetos e cresce nas regiões frias do Noroeste da América do Norte. Foi descoberta por acaso por José Ramirez III (Madrid) no final da década de 50, quando este procurava a espécie Cedrela para braços e estrutura interna do fundo. Desde então é uma madeira que ganhou aceitação geral dada a sua abundância e qualidades. É uma madeira que mantém uma ótima consistência e fornecimento. Existem ainda alguns violonistas que detestam o som do cedro - é puramente uma questão de gosto. De todas as espécies para tampo é a dimensionalmente mais estável, gerando som imediato num violão novo com bastante volume. Uso esta madeira nos 3 modelos de violões modernos.

Segundo Antonio de Pádua:

Outros nomes vulgares: western redcedar, cedro-vermelho-do-oeste, cedro-do-Óregon, cedro candense ou, simplesmente, cedro. Pinheiro procedente do noroeste da América do Norte, é uma madeira também muito utilizada na produção de tampos de violão. Apresenta coloração marrom-avermelhada ou rósea-escura; possui densidade e rigidez mais baixas que o pinho-alemão, porém é madeira de altíssima qualidade para tampos, devendo-se apenas adequar a estrutura do instrumento às propriedades dessa madeira.

Uma confusão bastante comum é tomar-se o cedro-do-Canadá pelo cedro-rosa (Cedrella fissilis) que não é um pinheiro mas uma folhosa da Mata Atlântica brasileira. O cedro-rosa produz madeira róseo-avermelhada de densidade média e alta estabilidade dimensional que juntamente com o mogno (Swietenia macrophylla), são as melhores madeiras brasileiras para a confecção de braços de violões e têm sido empregadas com êxito em todo o mundo para esta finalidade. Existe ainda uma espécie amazônica semelhante ao cedro-rosa em suas propriedades que é chamada cedro-da-Amazônia ou cedro-do-Pará (Cedrella odorata).

Outras confusões ocorrem com outra espécie de pinheiro que é conhecida vulgarmente como cedro-do-Líbano (Cedrus libanni) que ocorre desde o Oriente Médio até a Península Ibérica. Existem ainda várias outras espécies de pinheiro de clima temperado que recebem o nome vulgar cedro.

Segundo Carlos Novaes:

É mais macia do que Sitka e a Englemann Spruce. Possui sonoridade agradável com tonalidade mais densa.

Velocidade de propagação sonora (m/s)

Longitudinal (V LL) - 4100 (mínimo)
Tranversal (V RT) - ?
Relação (V LL /V RT) - ?

#7 Julian J. Ludwig

Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 06:14 PM

Jacarandá da Bahia - Brazilian Rosewood - ( Dalbergia Nigra) - Densidade média 0,87g/m3



Segundo Eduardo Brito:

A rainha das madeiras para luteria, preferida como material para laterais e fundo por praticamente todos os luthiers do mundo. Madeira de beleza incomparável e de grande variedade de colorido e figura. Geralmente avermelhada com listras negras, porém as vezes marrom escura ou quase preta. Muito vibrante e sonora, produz um som profundo de timbre muito rico com excelente sustentação Esta espécie exclusivamente brasileira vem sendo explorada comercialmente desde a época do descobrimento do Brasil e por isso suas reservas estão praticamente extintas. Muito difícil de ser encontrada com qualidade suficiente para luteria, e por isso, extremamente cara para se obter. Sua exploração comercial está banida há vários anos. Encontrada nas regiões de Mata Atlântica do Brasil.


Segundo Roberto Gomes:

A fama desta espécie data praticamente da descoberta do Brasil.

Em 1557 o francês Jean de Lery descreveu esta madeira como muito escura, dura mas boa de trabalhar e que quando cortada cheirava a rosas, daí a origem do nome em inglês, rosewood. O primeiro instrumento de cordas feito com ela de que se tem notícia foi uma guitarra barroca construída pelo luthier português Belchior Dias, por volta de 1590.

Com um peso específico de 0,87 gm/cm3, o jacarandá (nome tupy-guarany - Yacarantã, ou madeira dura ) revelou-se desde cedo como uma madeira linda em termos de desenhos e sua acústica é superlativa. Sem dúvida é a espécie para os melhores violões de concerto e infelizmente, dada a sua raridade atual, é muito difícil conseguir o bom jacarandá, com bom corte: daí o seu alto preço. É uma madeira muito temperamental rachando facilmente mas a sua beleza e som valem o risco. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) realizou testes com esta espécie, em relação ao jacarandá da India, e o nosso jacarandá é 30% mais sonoro. Vale lembrar que a variação de cor, dureza e som é enorme e somente o melhor Jacarandá é usado nos melhores modelos.

Segundo Carlos Novaes:

A mais cobiçada das madeiras.
Possui uma grande variedade de cores e desenhos. Fabulosa por sua sonoridade e complexidade supertonais.

#8 Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 06:14 PM

Jacarandá Indiano - Indian Rosewood - ( Dalbergia Latifolia) - Densidade média 0,85g/cm3



Segundo Eduardo Brito:

Madeira de grande beleza e sonoridade excelente. Timbres ricos e ótima sustentação. O colorido é mais arroxeado do que o do Jacarandá da Bahia, mas também exibe listras negras e bela figura. Mais fibrosa, mais estável e um pouco menos densa que a espécie Baiana. Devido a exploração manejada imposta pelo governo indiano, ainda é comercializada mundialmente e é relativamente fácil de se comprar peças de ótima qualidade.


Segundo Roberto Gomes:

Como o nome diz, esta espécie vem da India e é uma das madeiras mais generosas que conheço. Enverga muito bem, cola bem, é estável, corte perfeito 80% das vezes e abundante . Com um peso médio de 0,82 gm/cm3 tem uma acústica por vezes plana mas uma boa peça devidamente curtida ( 12 a 15 anos ) e calibrada proporciona uma acústica muito confiável ( vide Romanillos, Fleta, Ruck, Ramirez, etc. ) É uma madeira que começou a ser usada mais regularmente na década de 60, se bem que já vi violões da década de 20 com elas ( Simplicio, Hauser, etc. ). Uso somente nos modelos "Special" e Maestro".

Segundo Carlos Novaes:

Rica em cores, possui veios retos.
O baixo é rico em resposta, com harmônicos complexos, excelente projeção e ótimo sustain.

#9 Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 06:14 PM

Jacarandá Mineiro- Santos Rosewood - (Machaerium Villosum) - Densidade média 0,85g/cm3



Segundo Eduardo Brito:

Madeira pouco utilizada tradicionalmente na construção de instrumentos musicais, porém muito apropriada em suas características físicas e acústicas para isto. Conhecida também como Jacarandá Paulista e Jacarandá pardo. Esta madeira tem a densidade, o timbre e a beleza similares aos jacarandás tradicionais, porém por apresentar coloração parda sofre certa discriminação por parte dos tradicionalistas. Produzí vários instrumentos de excelente sonoridade com esta madeira. Esta espécie foi muito bem cotada pelo luthier inglês Paul Fischer como substituta para o Jacarandá da bahia. Adicionalmente tem a vantagem de ser mais barata que os outros Jacarandás. Encontrada principalmente nas matas de Minas Gerais e São Paulo.

#10 Julian J. Ludwig

Julian J. Ludwig

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Posted 19 June 2008 - 06:14 PM

Pau Marfim - (Balfourodendron Riedelianum) - Densidade média 0,84g/cm3



Segundo Eduardo Brito:

Madeira de grande beleza e ainda relativamente fácil de ser encontrada nas madeireiras do Brasil, devido à sua popularidade como material de acabamento de interiores de residências e móveis. Sua densidade é boa e similar à dos Jacarandás, apresenta diversos tipos de figuras e pode ter a grã reta ou ondulada como a da faia em diferentes peças. Tem boa estabilidade quando bem seca e quarteada, e uma coloração dourada clara e um brilho muito bonitos. Os instrumentos que fiz com esta madeira têm muito bom som, porém com um pouco menos de sustentação que os de Jacarandá. Encontrada no Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina principalmente.