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WMeirelles

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O País do Violão

01 setembro 2007 - 10:46


Achei uma matéria do O Globo sobre o violão Brasileiro,"O pais do violão"veja:



Publicado no "O Globo" em 08 dez 2000.
O país do violão
Arnaldo Bloch e João Máximo


Em recente entrevista, o produtor Fernando Faro homenageou Baden Powell ao
declarar que o saudoso amigo foi nosso último grande violonista. "Os outros
são datilógrafos, hábeis, rápidos, técnicos. Mas só Baden inundava o coração
da gente de brasilidade e feitiço." A frase, que numa análise apressada põe
para escanteio craques como Guinga, Marco Pereira, Paulo Bellinati e João
Gilberto, é, obviamente, uma distorção criada pela emoção. Mas, nesta
sexta-feira, marcada pela estréia do Panorama Internacional do Violão -
festival na Sala Cecília Meireles reunindo expoentes do instrumento no
Brasil e no mundo - inspira um debate digno dos melhores botequins: existe
um violão brasileiro? E, se existe, morreu com Baden Powell?
Todos os violonistas ouvidos - nomes da primeira linha no Brasil -
responderam que sim à primeira pergunta e que não à segunda. O violão
brasileiro tem uma tradição que, iniciada com o choro há 150 anos, adquiriu
com João Pernambuco, Quincas Laranjeiras e Sátiro Bilhar sua identidade
nacional, que Heitor Villa-Lobos abraçou para criar sua obra para violão.
- A tradição brasileira é de tal riqueza que podemos falar de várias
ramificações - diz o cavaquinista Henrique Cazes. - Partindo do choro, vemos
o instrumento evoluir até os instrumentistas dos anos 30, o tradicionalista
Dilermando Reis, o modernizador Garoto, até desaguar na geração de Baden
Powell, Rafael Rabello, Maurício Carrilho.
Este último lembra que é preciso distinguir, dentro dessa tradição, o
solista do acompanhante.
- Solistas de violão, no Brasil, são exceções - diz Carrilho. - O
instrumento se fixou mais como acompanhamento de cantores, de bandolins,
cavaquinhos e instrumentos de sopro. Não há cursos formais nas escolas,
deve-se aos esforços isolados o jeito que há no choro e no samba.
Carrilho observa que esse jeito não é nada fácil de assimilar. E cita o
exemplo de Toninho Horta.
- Como harmonizador, é um monstro. Mas não toca choro. Sua pulsação é outra.
Mesmo Dilermando Reis não a tinha. Poucos sabem que era Meira (apelido de
Jayme Florence, que também foi professor de Baden) quem, acompanhando-o,
dava o molho aos solos.
O erudito Turíbio Santos, referência do violão clássico nacional e defensor
da introdução do choro como linha-mestra do ensino musical - afinal, é um
gênero centenário que vem de uma matriz européia abrasileirada - surpreende
ao encher a bola do violão de acompanhamento, que tem na invenção de João
Gilberto um de seus pontos altos:
- Digo tranqüilamente que Gilberto Gil e Caetano Veloso são dois mestres do
violão. Gil é mais rebuscado, mas chega um momento em que Caetano tem uma
precisão absoluta, o que o aproxima de João Gilberto.
O jobiniano Mário Adnet, por sua vez, acha que mesmo essa noção de violão de
acompanhamento pode ser relativizada.
- Nos anos 50, João Gilberto inventou um solo minimalista, que não se atém à
separação entre melodia e harmonia. É um solo que está enfiado na harmonia.
Nesse sentido, João solando "Na baixa do Sapateiro" é uma referência básica.
Da mesma opinião, o compositor Guinga, parceiro de estudos de Baden Powell e
violonista de técnica apurada, vê o desabafo de Faro como uma faca de dois
gumes:
- No fogo da emoção eu diria a mesma coisa, por isso o entendo. Mas,
analisada racionalmente, a frase é absurda. Garoto e Baden estão no mesmo
patamar, como tantos outros. E digo uma coisa: qualquer datilógrafo que
puser na sua máquina de escrever a energia vital que Baden colocou, será um
grande artista. O violão é um instrumento da alma.
É de jeito - e portanto de alma - que fala Marco Pereira, um dos virtuosos
da nova geração de solistas.
- Há no violão brasileiro uma marca voltada para nossa tradição rítmica -
diz. - A mesma marca que permitiu a Villa-Lobos projetar-se
internacionalmente. A escola mais famosa de violão no mundo é a espanhola,
mas hoje vejo em todo país que visito um interesse grande em estudar o jeito
brasileiro de tocar violão.
Pereira vê em Baden o divisor entre o violão tradicional e o moderno. A
modernidade de Garoto, segundo ele, está mais nas harmonias. A de Baden, na
execução. Sua pegada vigorosa era, simplesmente, única. Pegada definida por
Guinga também em termos únicos:
- Quando tinha que tocar sujo tocava, quando tinha que dar porrada dava,
quando tinha que acariciar acariciava. Transpunha a vida para aquela caixa
de ressonância - improvisa Guinga, citando o baiano Roberto Mendes, "que
este país não conhece e que ensinou Gil a fazer coisas como o violão de
‘Expresso 2222’", como nome a ser resgatado na rica galeria do genuíno
violão brasileiro. Alguém duvida da existência dele?
. Jeito brasileiro é formado por muitos estilos
Baden Powell deixa sucessores? Não importa. Para que a tradição do violão se
mantenha o que conta é a continuidade, um violonista surgindo após outro,
cada qual no seu estilo, todos com aquele jeito que Villa-Lobos tinha. O
nome atual da continuidade - citado por dez entre dez violonistas ouvidos
pelo GLOBO - é Yamandu Costa, gaúcho de 20 anos, cuja técnica uns
classificam de exuberante e outros, de prodigiosa.
- Tudo invenção dessa gente - diz Yamandu.
Seu violão é, além de tudo o que dizem, novo, pois mistura à tradição
brasileira do choro e do samba temperos do folclore sulista.
- Comecei a gostar de violão quando ouvi, aos 6 anos, o argentino Lúcio
Yanel, amigo de meu pai - diz. - Estudei como todo brasileiro: ouvindo,
espiando, perguntando aqui e ali. Nunca tive professor. Ia fazendo as coisas
e meu pai, também violonista, me corrigindo. Tive assim um começo
milongueiro. Só aos 13 anos descobri a música brasileira. Aos 15, fui ouvido
por Pelão (produtor paulista), que veio a mim, emocionado, e disse: "Você me
lembra o Rafael (Rabello)". Rafael tinha morrido meses antes.
Yamandu, que se considera "um violonista regional", diz que sua cara, seu
diferencial, é essa mistura de origens folclóricas - milongueiras mesmo -
com o violão brasileiro.
Mas, como o violão brasileiro multiplica-se, outros Yamandus estão nascendo
e crescendo por aí. Entre os prodígios da nova geração, são muito citados
Caio Márcio, Alexandre Gismonti, Wagner Meirelles e Marcos Tardelli.
Observador ávido dos novos, Guinga é de um nacionalismo grandiloqüente que
nada deve ao mestre Villa-Lobos:
- O violão brasileiro é e sempre foi progressivo, e está progredindo, porque
o Brasil é o país do violão, assim como a Espanha é a mãe do violão. Anote o
que digo, estes nomes farão o violão do futuro, o violão do mundo: o dueto
Rogério e Daniel, de Brasília, já está entre os grandes do planeta; o
quarteto Mahogani é uma coisa extraordinária; o Caio Márcio é um fenômeno; o
Yamandu e o Felipe Azevedo são os nomes do Sul.
Da nova geração, Paulo Bellinati - uma das atrações do Panorama
Internacional do Violão - sintetiza este processo de revitalização. Começou
animando bailes roqueiros antes de começar a freqüentar o universo sóbrio do
Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, o que o levaria a completar
seus estudos de violão clássico em Genebra.
- Mas sempre fui um músico popular - esclarece Bellinati. - É claro que
existe um violão brasileiro. Ou vários, todos importantes.
Bellinati considera-se um privilegiado num país que, culturalmente, não
valoriza a música instrumental, que não toca no rádio nem interessa muito às
gravadoras. Daí, seus melhores discos, inclusive o antológico dedicado à
obra de Garoto, terem sido gravados fora do Brasil e jamais lançados por
aqui.
Zé Paulo Becker, que também estudou violão clássico, não sabe onde,
exatamente, começa a tradição violonística brasileira, mas tem certeza de
que ela existe. De um lado, há os clássicos que descendem de Villa-Lobos:
Marcelo Kayath, Turíbio Santos, os irmãos Assad, os irmãos Abreu, o Duofel.
Do outro, o popular, dos alunos do Meira, dos chorões acompanhantes como
César Faria e Dino. Dino, por sinal, o mestre do sete cordas, diz que não
acredita em "violão brasileiro", mas em muitos estilos surgidos no Brasil,
inclusive o seu próprio.

Concurso para professor substituto da UFRJ.

01 setembro 2007 - 04:24

Editado

Guitar Pro

24 agosto 2007 - 09:08

Como colocar o que escrevemos para tocar com som de violão?

Recital de Violão Domingo 11 horas na UNIRIO.

21 agosto 2007 - 10:27

Domingo dia 26 de Agosto 11 horas da manhã na Sala Villa Lobos/UNIRIO,no encontro da AVRIO.

Vejam sobre o compositor e sobre o evento no Blog a Baixo. cool.gif

http://luizgonzagada...a.blogspot.com/