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CarlosEdu

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Abismo de Rosas (Canhoto), por CarlosEdu á Dilermando Reis

16 August 2016 - 05:26 PM

Olá amigos, a passos do centenário do grande Dilermando Reis, nascido em 22 de Setembro de 1916(Guaratinguetá/SP), achei oportuno em fim, fazer algumas gravações em saudosa homenagem àquele que inspirou legiões de fãs como Baden, Raphael, Marco Pereira e outros... Começo com o hino nacional do violão brasileiro, que curiosamente é composição de outro grande violonista (Américo Jacomino), mas que sobrepujou o tempo na celebre interpretação de nosso eterno Dilermando Reis:

 


José Rastelli Morre aos 81 anos.

05 August 2016 - 08:55 PM

Mais uma perda do violão brasileiro, assistia feliz os poucos vídeos que tinha dele e o programa Violão Brasileiro que o mencionou, também foi dos mais interessantes. 

Matéria:

http://www.diariodar...brasil-1.445951

 

In memorian - Recital Colégio Universitário

https://www.youtube....h?v=tn1p1WqRrfE

 

Violão Brasileiro com Fábio Zanon, Rastelli 17:16min a 52...:

http://vcfz.blogspot.com.br/2007/04/68-o-violo-em-so-paulo-i.html 

http://luthierguitars.com/vcfz/VCFZ-0068-Violao_SP-01.mp3 

 

  1. Heitor Villa-Lobos
    Prelúdio nº1 (17:16-21:10)
    José Rastelli
    Chantecler CMG 2232 - Eu e Meu Amigo Violão: Vol. 2 (1963)
    Gravação fora de catálogo

  2. Eduardo Souto e Francisco Pimentel
    O Despertar da Montanha (22:03-25:11)
    José Rastelli
    Chantecler CMG 2232 - Eu e Meu Amigo Violão: Vol. 2 (1963)
    Gravação fora de catálogo

  3. José Rastelli
    Caminhos (26:00-29:55)
    José Rastelli
    Gravação fora de catálogo

  4. José Rastelli
    Ternura (30:41-33:39)
    José Rastelli
    Gravação fora de catálogo

  5. Jacob Gade
    Jalousie (34:13-36:54)
    José Rastelli
    Chantecler CMG 2311 - Eu e Meu Amigo Violão: Vol. 3 (1965)

  6. José Rastelli
    Serenata Paraguaia (37:28-39:30)
    José Rastelli
    Gravação fora de catálogo

  7. Ernesto Nazareth
    Brejeiro (41:09-43:12)
    José Rastelli
    Chantecler CMG 2232 - Eu e Meu Amigo Violão: Vol. 2 (1963)
    Gravação fora de catálogo

  8. José Rastelli
    Valsa Capricho/Serenata no Sertão (43:22-48:06)
    José Rastelli
    Gravação fora de catálogo

  9. Rafael e Francisco Canaro
    Sentimiento Gaucho (48:40-50:14)
    José Rastelli
    Gravação fora de catálogo

  10. Antonio Lauro
    Valsa Venezuelana nº3 (50:49-52:43)
    José Rastelli
    Chantecler CMG 2232 - Eu e Meu Amigo Violão: Vol. 2 (1963)
    Gravação fora de catálogo

Descoberta de vídeo inédito de Jacob do Bandolim: Uou!

21 July 2016 - 10:15 PM

Opa, vejam só que maravilha:


A História de Gente Humilde: Garoto

18 July 2016 - 02:23 PM

A História de Gente Humilde: tortuosa parceria entre Garoto e Vinícius
Postado em 25 de Setembro de 2014 por Jorge Mello

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Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto (1915-1955), estava praticamente esquecido no final dos anos 1960. Até que uma composição sua, Gente Humilde, recebeu letra póstuma de Vinícius de Moraes e uma pequena contribuição de Chico Buarque. Então passou a ser conhecida em larga escala a partir de 1970, com o LP Ângela Maria de Todos os Temas (Copacabana CPL 11 6600). O próprio Chico também a gravou no mesmo ano (Chico Buarque de Hollanda, vol. 4, pela Phonogram), assim como Taiguara e diversos cantores e instrumentistas.

O mais interessante é que a melodia concebida por Garoto difere um pouco desta que se popularizou. A diferença é pequena, mas foi determinante para o sucesso. É surpreendente também que a melodia original tem letra. Três violonistas foram fundamentais para que os fatos acontecessem dessa forma: Garoto, Zé Menezes e Baden Powell.

Melodia original

Badeco (Emanuel Barbosa Furtado), vocalista e violonista que integrou Os Cariocas até a sua sexta formação, conviveu intensamente com Garoto na década de 1940. Por diversas vezes, em conversas pessoais, ele me disse que Garoto compôs Gente Humilde por volta de 1945, mesma época em que criou Meditação e Vivo Sonhando.

De fato, desta ultima consta em uma anotação no diário de Garoto, informando que foi apresentada em seu programa de solos de violão, na Radio Nacional, em 18 de setembro de 1945. A primeira audição pública desta musica de que temos noticia, no entanto, aconteceu em São Paulo, no recital de violão de Garoto na Associação Cultural do Violão, dirigida por Ronoel Simões, em 16 de março de 1950. No Rio de Janeiro, a primeira audição de Gente Humilde se deu no programa Musica em Surdina, na Radio Nacional, em 11/06/1951, com Garoto executando-a em solo de violão. 

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Quem primeiro gravou a obra violonistica de Garoto foi o violonista Geraldo Ribeiro (Garoto por Geraldo Ribeiro, Arlequim ARLP-4036), entre os dias 16 e 17 de junho de 1980, com produção de Ronoel Simões (vale a pena conferir a ficha técnica na discografia do Acervo). O texto da contracapa, de J. L. Ferrete, informa que Gente Humilde (primeira faixa do lado A) parece datar dos últimos anos 40 e que Geraldo Ribeiro baseou sua interpretação desta música num registro feito pelo próprio Garoto para o professor mineiro Walter Souto 

A partitura encontra-se em um dos volumes do Álbum para violão dos grandes sucessos de Anibal Augusto Sardinha (Garoto), lançados simultaneamente pela Editora Musical Pierrot, que é associada à Arlequim.

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Curioso assinalar que no disco Tributo a Garoto, com Radamés Gnattali (piano) e Rafael Rabello (violão), lançado em 1984 pela Funarte, a musica Gente Humilde aparece em sua versão modificada. Entre outubro e novembro 1984, o violonista Paulo Bellinati lança, pela Discos Marcus Pereira, o resultado de sua primeira incursão na obra violonistica de Garoto.

Em 1991 Paulo Bellinati realizou um trabalho de grande fôlego, a convite do diretor do selo norte-americano Guitar Solo Publications: Um CD de 24 faixas, contemplando a obra violonística completa de Garoto e dois cadernos de partituras com as transcrições de Bellinati. Através deste trabalho, as peças de Garoto para violão solo tornaram-se conhecidas mundo afora.

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Letra original

De acordo com Ferrete, Gente Humilde teve como inspiração as costumeiras visitas que Garoto fazia aos subúrbios cariocas. De fato, tais visitas aconteceram sobretudo no biênio 1945/1946, conforme registrado diversas vezes em seus diários. O tema instrumental foi composto primeiro, para violão solo, e formava uma pequena suíte com outras duas músicas: as já citadas Meditação Vivo Sonhando.

Sobre a letra original de Gente Humilde, Badeco me contou que o amigo Moacir Portes, que integrou como ele o conjunto vocal Os Uyrapurusinteressou-se muito por aquela música e por Meditação. Moacir então pediu que Garoto escrevesse as melodias, pois iria mostrá-las a uns amigos de Minas Gerais. Quando voltou, apresentou as melodias já letradas para Garoto, que gostou muito do resultado e quis saber o nome do parceiro. Mas Moacir afirmou que o autor das letras não queria aparecer. Caso Garoto gravasse, teria de constar como “autor desconhecido”.

A versão original da melodia e da letra de Gente Humilde não chegou a ser gravada comercialmente. Foi interpretada uma única vez em 16 de novembro de 1951, no programa Ondas Musicais, da Radio Nacional, pelo coral  Os Cantores do Céu, com arranjo de Badeco e Severino Filho 

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Este coral era integrado por Belinha Silva, Zezé Gonzaga, Os Cariocas, Trigêmeos Vocalistas e o coro da Rádio Nacional, além de Lolita e Magda Marialva, do Trio Madrigal. O regente era Martinez Grou e seu assistente era Carlos Monteiro de Souza. Eis a letra:

Em um subúrbio afastado da cidade
Vive João e a mulher com quem casou
Em um casebre onde a felicidade
Bateu à porta foi entrando e lá ficou
E à noitinha alguém que passa pela estrada
Ouve ao longe o gemer de um violão
Que acompanha
A voz da Rita numa canção dolente
É a voz da gente humilde
Que é feliz.

Guardo até hoje, com muito carinho, um guardanapo onde Zezé Gonzaga escreveu a letra original de Gente Humilde, numa de suas apresentações no Piano-Bar Ouvidor 43.

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Vinícius

Não se deve pensar que Vinícius e Chico Buarque fizeram pura e simplesmente uma nova letra para aquela melodia composta por Garoto. Não! A história é um pouco mais complexa. Como vimos, a música com a letra original foi divulgada apenas uma vez e em âmbito restrito. É muito provável que Vinícius desconhecesse a letra, assim como Chico. Por outro lado, a melodia em que o poeta da bossa nova se baseou para elaborar sua letra era aquela que lhe foi passada por Baden Powell.

É exatamente essa a questão central: como era a melodia de Gente Humildeno entendimento de Baden Powell? De acordo com o depoimento de Vinícius, no show Poeta, Moça e Violãorealizado no Teatro Castro Alves, Salvador, que estreou em 27 de fevereiro de 1973, Baden lhe mostrou o tema por volta de 1961/62, época em que eles trabalharam intensamente e produziram dois terços do repertório da dupla. Assim disse Vinicius:

Baden me deu essa música do finado Garoto, esse que ele considerava o grande mestre do violão de sua época. Eu fiquei condicionado pelo título por muito tempo, pois eu não queria trair a ideia do tema de Garoto...

Convidados por Elis Regina a participar do programa O Fino da Bossa, Vinícius e Baden passaram a fazer constantes viagens a São Paulo de trem, que eles chamavam carinhosamente de “avião dos covardes”. Na volta, quando o trem passava pelos subúrbios cariocas, o tema de Garoto lhe vinha à cabeça. Continua Vinicius:

Eu sentia aquele tema tão ligado àquele mundo empoeirado, àquela gente sem vez, àqueles velhinhos de pijama nas varandas. Eu sentia que naquele tema Garoto queria falar daquela gente do subúrbio, e eu só sei que um dia, há três anos, fui à Roma receber minha afilhadinha, a filha de meu compadre e querido amigo Chico Buarque e nessa ocasião, um dia, em casa de Chico, o tema veio, as palavras saíram, eu chamei meu compadre, a gente juntou as cabeças e a canção saiu.

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Vinicius se referia a Silvia Buarque de Hollanda, sua afilhada, que nasceu em 28 de março de 1969.

Já de volta ao Brasil e entusiasmado com a canção, Vinícius reuniu um grupo de amigos em casa de sua irmã Ligia para mostrá-la aos amigos (Correio da Manhã-20/05/1969-Zigue zague). Eis a letra:

Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
 
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda, flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
Que é gente humilde, que vontade de chorar

Márcia

No mês seguinte, em 18 de junho de 1969, é noticiado que a cantora Márcia acaba de gravar um compacto simples com Gente Humilde, melodia de Garoto, que recebeu agora letra de Vinícius de Moraes e Chico Buarque e Viagem, de João de Aquino e Paulo Cesar Pinheiro. Ao violão, no acompanhamento, Baden Powell (Correio da Manhã-18/06/1969-2º caderno, pg 4). Este disco foi lançado na primeira semana de agosto (Correio da Manhã-27/07/1969-2º caderno, pg 4).

A novela Véu de Noiva, exibida pela TV Globo entre 10 de novembro de 1969 e 06 de junho de 1970, foi a primeira a ter uma trilha sonora criada especialmente para a trama, cujo disco e se tornou grande sucesso de vendas (70 mil cópias). Uma das faixas da trilha é Gente Humilde, com Márcia e Baden. Esta gravação tocava sempre nas cenas em que aparecia a família pobre de Andréa (Regina Duarte), que morava num subúrbio do Rio de Janeiro.

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Participação de Chico

A participação de Chico Buarque na letra é pequena. Segundo Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello (A Canção no Tempo-vol 2, pg 154. Editora 34), a letra é quase toda de Vinicius. Esta questão é esmiuçada por Wagner Homem no livro História das Canções (Leya-SP-2009). De acordo com ele, no encontro com Chico Buarque em Roma:

 O Poetinha matava dois coelhos com uma cajadada só: colocava letra na melodia de Garoto, que ele sempre apreciara, e ter como parceiro o compadre Chico, que já havia letrado três canções de Tom Jobim, o que lhe provocara uma ponta de ciúme. A letra ficou pronta numa noite. Restava o problema da parceria. Vinicius solicitou ao amigo que “desse um jeito” na letra, mas não havia o que mexer em obra tão irretocável. Vencido pela insistência, Chico escreveu os versos: “Pela varanda, flores tristes e baldias, como a alegria que não tem onde encostar”, imediatamente encaixados no texto pelo poeta, que se apressou em comunicar à Tom Jobim que Chico agora também era seu “parceirinho”

Para muitos cronistas, como Lúcio Aguiar (Luta Democrática, 25/051970,pg 11), este trabalho marcou a volta da Sapoti, apelido de Ângela, em grande estilo e sua voz característica dava um brilho especial à Gente Humilde. Aquela “subida” da melodia, quando a letra diz E aí me dá...é essencial na carga dramática da interpretação da cantor. Esse é o ponto crucial deste artigo. Essa tal subida da melodia não existe na melodia original de Garoto!

Comparação entre o original de Garoto e versão de Baden

Mostramos abaixo as duas melodias no pentagrama.

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Notem que até o compasso 12, as melodias são praticamente idênticas, podendo ser harmonizadas da mesma forma. A tal subida é mostrada no compasso 13 e neste compasso e nos seguintes, as duas melodias divergem fortemente, acarretando diferenças também nas harmonizações.

A questão fundamental é: Por que Baden tocava esta melodia de forma diferente do que Garoto fazia? Baden tinha uma maneira toda particular de interpretar os temas de Garoto. Como não chegou a conhecê-lo pessoalmente, tudo o que sabia das musicas de Garoto lhe foi passado pelo amigo em comum Zé Menezes.

Em seu disco lançado pela Ebrau/Clay, em 1972, Baden apresenta quatro temas de Garoto: Bom de Dedo, Gente Humilde, Pausa para Meditação Filho de Furinha. O que ele chama Bom de Dedo é na verdade a música Jorge da Fusa, e sua interpretação difere um pouco das que conheço com Garoto tocando.

O mesmo se pode dizer de Filho de Furinha, que é conhecida como Gracioso, que além de pequenas modificações na melodia, Baden omite a terceira parte. Pausa para Meditação é conhecida como Vivo Sonhando e é tocada quase que exatamente como Garoto fazia. É provável que tais modificações efetuadas por Baden, reflitam a maneira como ele sentia tais musicas.

Zé Menezes conviveu por muito tempo com Garoto na Rádio Nacional, sempre tocando com ele, seja na Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali, como no trio formado junto com Garoto e Chiquinho do Acordeon, que se apresentava no programa Noite de Estrelas, sucedendo ao famoso Trio Surdina. Não é razoável supor que Menezes, que lia e escrevia música muito bem, entendesse as músicas de Garoto de forma diferente de seu autor.

Certeza sobre o que motivou Baden a fazer, por exemplo, as alterações que fez em Gente Humilde, jamais saberemos. A única certeza é que tal modificação na melodia, aliada à letra primorosa de Vinícius, com o auxilio luxuoso de Chico Buarque, fez com que o nome de Garoto voltasse à cena. Esta música foi interpretada por muitos outros cantores e instrumentistas até os dias de hoje, e aos poucos o nome de Garoto e depois o de Vinicius foram saindo de cena. Muita gente acredita que esta música é de Chico Buarque! 

Deixamos vocês com uma bela interpretação de Renato Russo, acompanhado ao violão por Hélio Delmiro, em gravação de 1993 para o CD Songbook Vinícius de Moraes volume 3

 


Mário Ulloa interpreta a Chaconne BWV 1004 de Bach

07 July 2016 - 09:47 PM

Galera, como acho que a transcrição da Chaconne BWV 1004 da partita n2 de Bach por Segovia, foi um divisor de águas na história do violão, tanto músicos populares quanto clássicos conhecem no geral a peça, e já devem ter escutado pelo menos uma vez.

Ouvi a peças centenas de vezes desde o LP "A Bach Recital" de Segovia em 1996; fiquei surpreso no livro do Humberto Amorin "Heitor Villa Lobos e o Violão", pág. 38 ao descobrir que Villa deve ter sido o primeiro a transcreve-la sem editar. 

E aqui, uma interpretação esplendida de Ulloa, parte do seu CD onde interpreta Bach, magistralmente.