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Eugenio

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Posts posted by Eugenio


  1. Conseguir uma cópia do novo disco do Choro de Bolso foi uma novela de desencontros, mas finalmente aconteceu e teve um final feliz! Pra quem ainda não sabe, o Choro de Bolso é a excepcional dupla de violão e flauta formada pelo Marcos Canduta e Débora Gozzoli.

    Ao todo são 15 faixas, todas de autoria do Canduta (com 3 parcerias de letristas), o que obviamente significa muito, falo sobre isso com mais detalhes no final.

    A primeira impressão está no trabalho gráfico do CD. Streaming e MP3 eliminaram a graça de manusear e ler o encarte, algo que eu sempre adorei, de modo que a dificuldade e a espera para conseguir uma cópia física valeu a pena!

    As fotos da capa e do encarte revelam a idéia por trás do álbum logo de cara. É uma reverência ao tempo de glória do choro e das valsas brasileiras, preservando o espírito sem saudosismo e fazendo tudo com tecnologia digital e atenção impecável aos detalhes, como se pode ver nos sapatos brilhantes que o Canduta e a Débora calçaram para tirar as fotos. 🙂

    As faixas são:

    01. Calladinho - O álbum abre com uma batida de de maxixe no violão inspirado no estilo de Joaquim Antônio Callado (daí o nome da música) e abre o caminho para a Débora introduzir a sua flauta mágica.
    02. Espumante - Choro tradicional, com um título bem sugestivo, que parece ser uma extensão natural da faixa anterior, é até difícil notar quando uma acaba e a outra começa, exceto que a segunda faixa introduz o pandeiro de Kleber Serrado
    03. Entidade - A única oportunidade de ouvir o Canduta tocar um pouco de violão solo, faz a gente querer mais. Começa com uma leve sugestão flamenca, mas fica abrasileirada rapidinho
    04. Partida - Valsa ligeiramente melancólica, como o nome sugere
    05. O Doutor e a Professora - Choro bem no estilo início do século XX, tocado com bastante molejo
    06. Momentos - Primeiras participações especiais de Aleh Ferreira no bandolim, Pablo Peres no cello e Kleber Serrado no pandeiro. Outro choro que soa como reverência à essa riquíssima tradição brasileira
    07. Esperando - Funciona quase como um encadeamento com o choro anterior, mas sem os convidados especiais, o que mostra o cuidado na hora de escolher a sequencia das faixas 
    08. Rosa Branca - Aqui o disco muda um pouco de figura e entra um samba com letra de Paulo Maymone, seguindo a linha de reverência, desta vez a Iemanjá, Orixá das Águas e dos Mares. Voz e pandeiro de Kleber Serrado
    09. Docinho - Apenas flautas, algo que a gente não vê todo dia, é a oportunidade da Débora brilhar e ela faz gol de placa com todas as flautas
    10. Valsa Afetiva - Participação especialíssima do Duo Siqueira Lima, que junto o Canduta fazem parecer que tem um quarteto de violões 
    11. Tatu Voltou - Talvez o choro mais virtuoso do disco, participação magistral de André Mehmari, que toca como se tudo fosse fácil, improvisado e descontraído
    12. Dolente - Choro que traz novamente o bandolim de Aleh Ferreira, essa me pareceu a faixa com o tom mais nostálgico e denso do álbum
    13. Valsa Noroeste - Valsa com uma letra romântica, com imagens bem intensas que falam de tempestades, letra de Manoel Herzog e Mateus Sartori na voz
    14. Sortuda - Participação especial de Lincoln Antonio no acordeon, também entra o triângulo de XXX, mas apesar da combinação dos instrumentos, continua soando como choro
    15. Na Realejo - Começa com valsa, vira choro, volta à valsa, vira choro de novo, a letra de Manoel Herzog fala de temas que o título da faixa propõe, a cultura perdida do realejo. Kleber Serrado é quem canta

    Se eu tiver que ser bem chato, a minha única reclamação vai para a engenharia de som que colocou o violão do Canduta no fundo e com som mais pro "fosco". Merecia mais destaque, pois ele tem um som bonito e bem articulado. Também devia solar mais. 🙂

    Conforme eu mencionei antes, o disco é todo autoral, a única coisa a fazer é tirar o chapéu, pois as músicas têm um manancial de idéias que foram realmente pensadas para tocar em conjunto. Os convidados foram escolhidos a dedo e acrescentam ainda mais brilho ao que já pareceria superlativo. Obviamente, eu tenho as minhas faixas favoritas, mas vou guardar essa parte como segredo!

    Bravo!!!
     

    Choro-Bolso.jpg

     

     


  2. Essa peça não é uma pedreira, mas também não dá pra tocar sem uma certa fluência e "ginga".

    Uma coisa que me chamou a atenção vendo o seu vídeo é que você parece ficar ansioso por antecipação quando há "saltos".

    Quando há uma passagem que salta das primeiras casas pras últimas, ou vice-versa, você meio que se "prepara" pra garantir a pontaria. ?

    Isso é normal e tem estudos que ajudam a ficar mais fluente nisso, vai do "Lágrima" de Tárrega (mais fácil) ao Estudo No 2 do Villa (pedreira total).

    Mas o resto está muito legal, as escalas saem com facilidade e você tem "pegada". O glissando extra também ficou legal.

     


  3. Eu ando meio afastado do cenário violonístico, a fonte secou, só tenho histórias antigas e recicladas! ?

    No caso do vídeo, foi um privilégio poder ter produzido o concerto!

    E ainda de quebra eu entrevistei os dois para uma matéria da revista que a gente publicava aqui no fórum.

    Eles foram os entrevistas do número 3 da Brazilian Guitar Magazine.


  4. Foi um disco gravado na Holanda.

    Tem músicas que o Marco mexeu um pouco ao longo dos tempos, Bate-Coxa é uma delas. Ele mexeu em Flor das Águas também.

    Eu gosto muito do repertório e das interpretações mas eu achei que o som ficou parecendo violão clássico gravado com o microfone a 30m de distância.

    Estou anexando no post as imagens escaneadas do encarte, com as explicações sobre as faixas (em inglês).

     

     

    Marco-Elegia-Cover.jpg

    Marco-Elegia-Inside01.jpg

    Marco-Elegia-Inside02.jpg

    Marco-Elegia-Inside03.jpg


  5. Gravação mais nova do Yamandu, dessa vez dá pra ver tudo em alta definição com excelente qualidade de som.

    A segunda parte é cheia de variações e improvisos, vale a pena conferir.

    Eu acredito que essa peça se tornou a mais conhecida e emblemática do Yamandu.

     


  6. Minha experiência é que é muito difícil conseguir coordenar mais de 2 pessoas, no máximo 3.

    Existe a dificuldade natural de conciliar o nível de interesse pelas peças, que varia muito.

    Além disso, a logística pode acabar virando dor de cabeça, tem gente que esquece, que não paga, etc.

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