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Amorim

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  1. Amorim

    7 cordas solista deu uma esfriada?

    É o que estava dizendo, na linha do choro, acho natural muitos se interessarem pelo 7 cordas, que pode ser até mais apropriado se essa linguagem for o foco. E isso se deve principalmente ao aparecimento de músicos dessa linha com uma maneira de tocar que seduziu/seduz muitos violonistas. Não necessariamente pela beleza de composições do choro, e sim pela linguagem, pelo virtuosismo e poder de improvisar que esses músicos trouxeram. Isso é sempre a primeira coisa que seduz a maioria dos jovens violonistas. O poder com o instrumento. O que estou tentando dizer é que como instrumento solista não vejo o 7 cordas como um adianto em relação ao 6 (como muitos enxergam), como também não vejo a possibilidade do 7 cordas se tornar o violão brasileiro oficial, como quer o Yamandu. Como falei, o choro é só uma fatia do bolo. O fato de ter mais gente com 7 ou 6 cordas vai sempre depender das referencias do momento. Se amanhã aparece outro violonista de ponta, com um trabalho marcante e original no violão de 6, muita gente pode voltar pro tradicional. Isso é uma coisa cíclica, na história de qualquer instrumento.
  2. Amorim

    Chovendo na Roseira

    No violão eu gosto muito do Agustin Luna tocando isso. Ele tem alma e profundidade, uma relação mais direta com a música, sem aqueles violonismos e exageros .
  3. Amorim

    7 cordas solista deu uma esfriada?

    Não estava me referindo a ninguém do fórum ou a um violonista específico. Se vc quis levar isso pro seu lado ou de alguém aqui, é apenas uma inferência sua. Mas conheço sim muitos violonistas que embarcaram e ainda embarcam nessa de trocar o tradicional pelo de 7 como se o 7 fosse necessariamente um violão "com mais recursos", principalmente essa garotada da atualidade que segue a linha do choro etc. Eu acho natural, até pela carreira e visibilidade que o Yamandu tem hoje, além de toda campanha que ele faz do 7 codas, obviamente meio advogando em causa própria. Mas pra mim é bem claro que uma corda a mais ou a menos não adiciona necessariamente nada. Na linguagem do Dino por exemplo - perfeito - a 7a corda não sobra nunca musicalmente e artisticamente. Mas tal como em muitos violonistas de 6, vejo sobrar corda e faltar essência em muitos de 7,8, 10, 12 ou trocentas cordas. Não importa se o Montgomery só usava o polegar ou 50 dedos. O importante é a mensagem artística. Desse ponto de vista, não vejo a música brasileira recheada de 7 cordas por todos os lados. É só um modismo que passa. Isso depende sempre muito de quais violonistas estão em evidência. Se amanhã aparece outro violonista de ponta, com um trabalho marcante e original no violão de 6, muita gente pode voltar pro tradicional também. Isso é cíclico.
  4. Amorim

    7 cordas solista deu uma esfriada?

    Eu acho que muita gente embarcou na ideia de que o violão de 7 seria uma espécie de "evolução" do violão tradicional, um 6 cordas com mais recursos. Isso é uma ideia equivocada, acho que muitos estão percebendo que uma corda a mais, embora possa produzir notas mais graves, não traz necessariamente mais recursos musicais ou artísticos. Há também varias perdas em relação ao 6. Eu vejo claramente o violão de 7 de aço muito bem colocado no contraponto do choro. Já o 7 de nylon como solista raramente me passa uma sensação de ganho artístico. Muitas vezes acho que perde pro de 6 em equilíbrio de harmônicos por exemplo, quando ouço notas agudas que acabam despertando outras notas harmônicas indesejáveis, produzidas pela vibração da corda mais grave. Além de ficar uma coisa de mal gosto musical, acaba dando trabalho aos violonistas mais sensíveis de terem que ficar abafando esses harmônicos. Porque o violão não é só nota percutida, é nota harmônica também. Em resumo, acho que essa busca da ampliação do violão não está na adição ou subtração de cordas. E não é só o violão, é cavaquinho de 5,6, baixo 6,7, etc. Acho que tá sobrando corda e faltando essência, arte. Mas no fim vai muito de quem está tocando. Na época do Baden ninguém sentia falta de uma 7a. corda no violão. Depois veio a febre do 7 cordas solista no choro por causa do virtuosismo do Rabello e agora o Yamandu. Acho que isso vai continuar somente na linha do choro ou pra quem pelo menos tenha significativa influência desse gênero. E o choro é só uma fatia da musica brasileira. O "bolo" é muito maior. Embora o Yamandu hoje, meio advogando em causa própria, tenha sido uma espécie de cabo eleitoral do 7 no Brasil, duvido que a maioria dos brasileiros compositores ou solistas de violão, seja no popular, clássico, jazz ou flamenco, estejam migrando ou vão migrar pro 7 cordas. Uma "evolução" ou ganho no instrumento vem mais do que o artista consegue produzir de música e arte. E aí sim, consequentemente, abrir novos caminhos pro instrumento.
  5. Já experimentei um violão com essas aqui e gostei muito: http://www.stewmac.com/Hardware_and_Parts/Tuning_Machines/Classical_Guitar_Tuning_Machines/Sloane_Classical_Machines_with_Leaf_Bronze_Baseplates.html Aguém conhece?
  6. Amorim

    Guinga Roendo Pinho

    Ele realmente não teve uma educação acadêmica formal, não sabe ler partitura, tão pouco conhece teoria ou harmonia funcional. Ele teve algumas aulas de violão quando era jovem com Jodacil Damasceno, que ao perceber que ele tinha mais vocação pra compor, começou a usar as aulas mais pra mostrar ao Guinga os grandes compositores da música clássica. O aprendizado do Guinga está mais ligado a ouvir obsessivamente os grande compositores, além das influências que teve no violão como o Garoto, Helio Delmiro e hoje o Tardelli. Ele dedicou 1/3 da sua vida a ouvir rádio nas madrugadas, perdendo horas e horas de sono. Hoje ele virou praticamente um zumbi rsrsrsrs, se habituou a dormir muito pouco por causa dessa mania.
  7. Amorim

    Guinga Roendo Pinho

    Existem algumas transcrições pela internet, mas pelo sei, nem Tardelli nem Guinga transcreveram. Endosso o coro aqui pro Tardelli editar seus arranjos, já fiquei pentelhando ele uma vez pra transcrever, ele disse que tinha mesmo que parar pra trabalhar nisso, mas o cara faz tudo de orelha, sai tocando as coisas tudo de memória e faz suas criações na base da intuição. Acho que alguém vai ter que sentar com ele pra organizar isso porque pelo que pareceu, da mesma forma que o Raphael Rabello, ele não tem muito hábito de escrever seus arranjos.
  8. Amorim

    Guinga Roendo Pinho

    Beleza Carlos, Muito importante esse registro do Guinga de suas composições de violão solo, da maneira que foram concebidas. Inclusive fica muito interessante agora compararmos algumas interpretações do Tardelli e do próprio compositor. Cheio de Dedos - Tardelli: - Guinga: Igreja da Penha - Tardelli: - Guinga: Unha e Carne (por ser uma homenagem, essa música foi gravada na íntegra pelo Tardelli, sem arranjo) - Tardelli: - Guinga:
  9. Amorim

    Guinga Roendo Pinho

    Esse video do Guinga na verdade não é tão explicativo assim, é mais uma visão profunda de como artistas geniais muito fora da curva, acabam sofrendo uma certa resistência da contemporaneidade, como se viu muito na história. Sobre o disco que Tardelli toca Guinga, como você acha estranho muita gente achar genial, sugeri a você, em alguma oportunidade, perguntar ao próprio compositor o que o Tardelli fez com a sua música, que certamente ele vai te dizer. Eu já conversei com o Guinga sobre isso várias vezes, o que ele diz sempre é: Tardelli não só toca minhas músicas tecnicamente e musicalmente muito melhor do que eu. Ele melhorou minhas músicas, assim como faz com a maioria das músicas que toca". Tive alguns contatos pessoais com o Tardelli e pude observar que a relação que ele tem com a música é totalmente desvencilhado de carreira, é um artista puro sem muitas pretensões egocêntricas e vaidades pessoais. Acho muito evoluído da parte dele, mas fica aqui meu puxão de orelha, ele precisa levar sua arte ao conhecimento das pessoas, pois esse Mingus Samba e Lacan que estão no Youtube não são videos que podem dimensionar a arte dele. Eu sei disso, pois já o assisti ao vivo algumas vezes, mas quem não pôde, não vai conseguir entender o que muitos falam, se só o conhecem pelos poucos videos que postaram no youtube. Dessa forma, ele em parte, acaba contribuindo com essa "incompreensão" da sua própria genialidade.
  10. Amorim

    Guinga Roendo Pinho

    Pergunta pro Guinga que ele te responde
  11. Amorim

    Hangout com Guinga e Tardelli

    Acabei de ver a entrevista e lembrei aqui do forum, de quanto tempo não participo, e resolvi vir deixar um parecer. Pra mim a entrevista foi muito enriquecedora, artisticamente falando, de dois seres humanos profundos e dois artistas iluminados. Algumas respostas foram meio repetitivas, pra quem já os ouviu, mas as perguntas também costumam ser as mesmas - como e quando você começou? com quem estudou? como é sua técnica? etc... Vinicius, empatamos nosso entendimento sobre o que o Tardelli falou, principalmente sobre sua particular relação com a música. Toda a técnica inovadora dele (que não se resume à uma habilidade de polegar esquerdo) se criou espontaneamente fruto de uma profunda relação com a música, na busca de expressar seus sentimentos de artista, não de violonista. Gostei muito da pergunta que fez sobre a necessidade da 7a corda e sobre os arranjos, também gostei muito das respostas. Um colega do outro forum resumiu muito bem algumas respostas marcantes da entrevista: Guinga: “Os anseios dos verdadeiros artistas são os mesmos - levar mensagem ao coração do ser humano pra que ele possa melhorar, pra que ele possa resistir a todas as mazelas que também fazem parte da alma humana” “Tudo que o Tardelli realiza no violão é sempre em benefício da música e não do violão, violão pra ele é um serrote, um motor de alta rotação pra obturar um dente, fui dentista na era do alta-rotação, eu sei bem o que significa um instrumento...” "A luta do ser humano não deveria ser contra a morte e sim contra a impermanência". “Nunca vi um grande artista que não falasse de si próprio. No fundo é tudo uma confissão, agente se confessa – “Ölha, é isso que eu posso, é tudo que eu posso fazer, e tentarei fazer sempre um pouquinho mais...” Marcus Tardelli: "O violão de 7 não é uma evolução do violão de 6 e não acredito que vá substituí-lo. Cada instrumento tem seu valor se usado de forma artística. Os artista que se manifestam com 6 cordas vão continuar se manifestando dessa forma. Uma 7a corda pode te dar mais notas mas te tirar outras coisas. O violão não é feito só de notas percutidas, também é feito de notas harmônicas..." "Um artista não estuda um instrumento pra tocar e sim pra se libertar dele..." "Minha música nada mais é que uma manifestação afetiva a qual sinto que deve sempre ser compartilhada, como todas as outras coisas importantes da vida. Por isso, tocar diretamente pras pessoas vai fazer sempre mais sentido que gravar..." Esse ultimo comentário do Tardelli deixou claro pra mim porque ele vive mais em palcos do que em estúdios. Abraços
  12. Amorim

    Marcus Tardelli

    Yes my friend, Marcus Tardelli is a true Genius!! Guinga was absolutely right when he spoke about Marcus. A few years ago I had the privilege of seeing Marcus Tardelli several hours playing here in Brazil and I was completely shocked not only with his revolutionary technique, but with his new musical thought and artistic depth. Probably the young guitarist translator to which you were referring to was Ian Faquini, a great talent of the guitar and one of the many new guitarists influenced by Marcus Tardelli in the world today. The snippet from "Boto" you have heard this guy playing is from a genial arrangment of Marcus Tardelli, in which he uses his amazing innovative techniques such as using the left thumb, bars with the back of the finger, fingernail press notes or part of his own hand. Ian learned some of these techniques because he took classes with Tardelli. As Guinga said, Tardelli takes the music of any composer, be it classical or popular, and further enhances the music through his arrangements and his expression. It's really amazing the emotion that this arrangement transmits and the feeling that comes when Marcus plays it. As you said "it sounds so beautiful that you feel like crying when you hear it". Tardelli has not recorded this arrangement yet, but I think it will be on his next album, only with Brazilian themes. Is true that Tardelli's talents seem somewhat hidden, his videos on you tube are just a small taste of what Marcus really plays. But his next cds are coming, I think after them, the world of the guitar will never be the same. Best
  13. Amorim

    Sevilla, Albeniz

    Quem toca um pouco de tudo não é mais músico só por isso. Pelo contrário, o verdadeiro artista faz o "tudo" de um pouco. O João Gilberto não precisou mais que 6 trastes do violão!! Porque arte é resultado final, não mecanismos. Legal o Raphael tocando Sevilla, mostrando versatilidade. Impressiona pela facilidade técnica, mas não me comove tanto quanto ao artista, à profundidade. Isso pode soar pessoal, mas é só agente ouvir essa versão aqui pra sentir a diferença: Não é diferença de violonista, é diferença de resultado final, de musicalidade e principalmente de ARTISTA!! Abraço PS: Julian Bream - esse sim merece título de gênio da música
  14. O Raphael foi um grande violonista, mas daí compará-lo a Villa Lobos, Pixinguinha e Tom Jobim já soa meio surreal, ou talvez coisa de fã incondicional, o que é perfeitamente compreensível. Não que um violonista não possa chegar no nível destes grandes gênios, nem estou falando da comparação como compositor (que aí então seria uma covardia), mas falo da comparação quanto ao lado ARTISTA de cada um. Pra mim, já um Baden Powell ou um Garoto como artistas chegam bem próximos à esses grandes nomes da nossa música, pois acima da importância que tiveram como violonistas, foram músicos absolutamente profundos, que não só trouxeram reais inovações ao instrumento, mas que também tinham uma relação profunda com a arte, com o impalpável (se é que me entendem), de saber dizer a "música das notas", totalmente desvinculados do exibicionismo gratuito ou redundâncias musicais que servem mais pra impressionar os violonistas do que acrecentar realmente à música e à arte como um todo. Respeito o grande músico que o Raphael foi, mas para minha sensibilidade ele não chegava nesse nível de profundidade. E até se quiserem falar de impotância para o violão, também não dá pra comparar o Raphael à violonistas monumentais como o Baden por exemplo (e o tempo de vida do Raphael não é justificativa, temos o exemplo do Garoto que não precisou viver mais que 3 décadas para se tornar uma das figuras mais importantes de nossa música). Sou da época que talvez a maioria dos violonistas aqui do fórum ainda nem sonhava em nascer, acho que os violonistas de hoje tiveram mais oportunidade de conhecer o trabalho do Raphael através da sua discografia ou assisti-lo tocar na sua melhor fase (na segunda metade da década de 80), do que o mesmo com o relação ao Baden Powell. Eu tive oportunidade de ver o Baden tocar desde os anos 60, fui a dezenas de shows desde aquela época, vi o Baden fazer coisas inacreditáveis no violão, acho que só quem estava lá pra saber, tem muita coisa no violão do Raphael que a nova geração considera novidade, que o Baden já fazia 30 anos antes. Muitas levadas de samba, arranjos, coisas inventadas pelo Baden que foram copiadas por violonistas posteriores. Agora quando o Baden dizia uma melodia, aí meus amigos, com excessão de outros pouquíssimos gênios como o Marcus Tardelli e o Hélio Delmiro, não sobra pra ninguém. Era muita emoção!!!! Um abraço à todos.
  15. Amorim

    Qual a opinião de vocês?

    Se eu entendi bem, o Orlando não estava fazendo restrições a improvisos de uma forma geral e sim especificamente às modificações/improvisos do Penezzi no vídeo, no gosto dele com relação ao original. . Quando o improviso realmente acrescenta artisticamente à música, sim ele é muito bem vindo. Porém modificar só pra fazer diferente não garante um resultado artístico no nível do original. Na minha maneira de sentir música, também concordo que as modificações do Penezzi (sejam improvisos ou não), embora mostrem um lado mais desprendido do músico, não acrescentam muita coisa à música, (aliás se parecem muito com as variações do Raphael na mesma composição). Já a versão de Lamentos do Morro do Raphael Rabello é outro caso, não é improvisada. É um arranjo fechado, que já tirei e cansei de ouvir ele tocando ao vivo e em gravações da mesma forma. Até a variação melodica que ele fazia nos baixos quando volta o B da música era sempre a mesma. Mesmo soando diferente, o nível artístico das variações não fica atrás melodicamente, ritmicamente, ou harmonicamente da versão original.
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