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Laterais e Fundo do violão


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Tem alguns problemas graves no uso do jacarandá da Bahia.

Praticamente não existe mais peças de jacarandá da Bahia por aí com a mesma qualidade de uma de jacarandá da índia. Entre uma peça RUIM de jacarandá da bahia e uma peça BOA de qualquer outra coisa, fico com o outra coisa sem pensar duas vezes.

Pra muitos projetos, o importante é ter uma certa massa de madeira ali. Como o jacarandá da bahia é mais denso, dava pro artesão trabalhar com uma peça mais fina, o que facilita o trabalho do cara e deixa o violão mais leve. Conseguir o mesmo resultado com outra madeira é moleza, é só usar uma peça mais espessa (correspondente à diferença de densidade) e o violonista ter paciência de carregar umas gramas a mais. Já se falou que estão usando madeiras não-nobres prensadas, forçando que essas peças sejam tão densas quanto outras madeiras nobres, na fabricação de instrumentos de percussão. Já deve ter gente usando isso em violão, a gente é que ainda não sabe.

Outro problema é que jacarandá da bahia é ilegal. Mas tem gente que continua vendendo, cortando, estocando. Só dá pra pagar propina, contrabandear e tudo o mais porque alguém paga a conta. Os milzinhos a mais é pra isso aí, pra financiar corrupção e crime. Poxa, violão é um negócio tão do bem, música é um negócio tão divino, é um desrespeito enorme envolver tanta coisa ruim em algo tão bacana. Responsabilidade social não é só pros outros, a gente também tem de entrar de cabeça nisso pra construir uma sociedade melhor.

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A ROXY vende violões de aço (se não me engano num processo copiado da Martin) com madeiras prensadas sob alta pressão nas laterais e fundo. Nunca toquei em um destes, mas já ouvi falar que são muito bons. Na faixa de preço disseram ser imbatíveis.

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Essa questão de "madeiras alternativas" é um problema talvez um pouco diferente...

Sem nem se preocupar com a diferença de sonoridade que pode acontecer, vejo um grande problema comercial....

Tem muita gente por aí falando de madeiras alternativas, que isso, que aquilo, masque na hora de comprar não dão preferência a elas...

É mais ou menos o queacontece no mercado de carros... muita gente acha bonito quando sai um carro amarelo, verde ou sei lá que outra cor no mercado... mas na hora de comprar escolhe o prata porque é mais valorizado na revenda....

Não sei até que ponto o mercado está aberto a novas experiências com madeiras... o luthier fazer e testar é uma coisa... mas vender acho um pouco mais difícil....

Falando como luthier, num instrumento de jacarandá da bahia dá pra cobrar o valor que eu acho merecido pelo trabalho... num mesmo violão, feito da mesma forma e usando outras madeiras não posso descontar só o valor da diferença de preço de material... acabo perdendo na mão de obra também pra vender o instrumento...

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O valor de mercado é muito importante e não dá pra perder isso de vista. Nos EUA é muito comum o luthier pedir 1.000 verdinhas a mais pelo jacarandá brasileiro. Alguns são radicais, como o Ruck, e não usam mais o jacarandá brasileiro.

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O valor de mercado é muito importante e não dá pra perder isso de vista. Nos EUA é muito comum o luthier pedir 1.000 verdinhas a mais pelo jacarandá brasileiro. Alguns são radicais, como o Ruck, e não usam mais o jacarandá brasileiro.

Mas em relação ao som, e não ao mercado, existe diferença tão grande de som que compense esta diferença? não será mais por tradição do que pelo som?

Afinal se um violão com fundo de papelão soa, é porque o fundo não influência "tanto" no som, sendo assim seria correto afirmar que o Jacarandá da Bahia tem muito mais "tradição" do que sonoridade? e que outros materiais (bem trabalhados) fariam com que o instrumento tivessem a mesma resposta tonal, porque nos cavacos que eu testei (novos é verdade) não havia diferença não, a diferença que eu notei foi em relação ao tampo, havia um com tampo em cedro e outro em Spruce ambos com lateral e fundo em imbuia, estes sim eu notei diferença muito grande no timbre...

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Não sei se seria suicídio financeiro, nem no caso de alguém consagrado, nem no caso de alguém que já comece com essa política. Uma vez que gostem do violão e saibam que o cara é inflexível, vão encomendar de indiano mesmo (ou outro).

Dito isso, acho que o Alvaro exagerou um pouco. Entendo a postura dele e, de fato, se a pessoa não quer se preocupar é perfeitamente compreensível excluir sistematicamente o jacarandá baiano do cardápio, mas o fato é que há jacarandá residual, e embora se veja luthiers, principalmente americanos, usando amostras de qualidade inacreditavelmente ruim (e na maioria das vezes inserida no ciclo de crimes mencionado) só porque é brasileiro, os nacionais, que tem melhor acesso ao garimpo de peças antigas, costumam usar de qualidade ao menos razoável, e em alguns casos, excelente.

O outro lado da moeda Alvaro, é ver um portão velho de jacarandá e não poder usá-lo (ou usá-lo com medo, sem poder exportar, etc.), porque a regulamentação seria inviável financeiramente para aquela pequena quantidade. É a lei protegendo o mercado dos terríveis peixinhos assassinos e liberando aos inocentes tubarões.

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"""Mas em relação ao som, e não ao mercado, existe diferença tão grande de som que compense esta diferença? não será mais por tradição do que pelo som?"""

Fred,

Vou deixar minha opinião.

Eu não tenho interesse nenhum em ficar, elogiando mais o JB do que o JI.

"difícilmente" faço ou farei violões em JB.

Uma porque na minha região é muito difícil de se encontrar ele, e não quero me arriscar a ficar comprando JB, pela Net sabendo das das possíveis consequências disso, mesmo sabendo da procedência legal que a madeira possa ter.

Se achasse algum móvel em JB, em algum brechó, pra vender, como aconteceu recentemente, (Achei uma cama de soltero que dará possívelmente 4 violões "especiais") não teria nenhuma dor na consciência em usa-lo, e usarei.

Até hoje só fiz 2 violões em JB e já estou 10º em JI.

Tem uma coisa que na minha opinião é a única coisa em que um luthier, por mais bom que ele seja, não consegue domínio sobre, que é a " identidade tímbrea".

Até agora não ouvi ninguém comentar sobre isso...(Philos!!! fala alguma coissa aí !!!)

Eu tenho muita facilidade em constatar isso, batendo em madeiras, ressoando elas e escutando a ""beleza timbrea"" delas.

Nesse teste percebemos várias coisas como vibração sustain e etc, mas o que mais me chama a atenção, como se fosse uma fundamental reinando sobre todas as outras qualidades das madeiras, é a sua "Beleza ou não, tímbrea"

E nesse quesito, até agora, nos testes que tenho feito, em várias madeiras, que pude ter acesso até agora, é justamente essa beleza tímbrea superior do JB.

É claro que como em todas as madeiras, existem variações, em qualquer tipo de quesito, e porque não, achar algum JB inferior a um JI dentro do que estou falando?fácilmente vc pode perceber isso também fazendo o seguinte:

Pegue um pedaço de qualquer madeira, com as dimenções ainda bruta mas, aparelhada, com mais ou menos 1 metro e picota ele como se fosse pra vários cavaletes. Depois faça da mesma maneira que o Sugiamma faz em uma entrevista dele. ele ali está selecionando o pedaço com o timbre que mais lhe agrada,deve ter ali peças de outras toras também, mas, se pegar uma ripa como falei, ela terá depois de picada, várias identidades tímbreas.

O violão do Gelão, tem um timbre, de adimirar qualquer um que pegue ele e toque, ele mesmo tá sempre me reafirmando isso.E isso eu posso garantir que não foi a minha mão que fez a diferença. Tenho feito violões iguais a ele, com timbre muito bonito mas nenhum barrou ainda ele.

Bom, essa é a minha opinião.

Por enquanto até que me provem o contrário, acho a beleza tímbrea do JB de primeira, muito mais bela que a dos que testei até então inclusive JI de primeira também.

Abração!

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Tenho algumas escalas de vários jacarandás aqui (amazonense, hondurenho, indiano, africano, etc.) e realmente percebe-se a diferença que o Pole falou, da timbragem da madeira em si, onde algumas são mais ressonantes e parecem sino, e outras são mais mortas e parecem papelão.

Porém, a relação com o som final do violão não é tão direta. Existe, claro, uma diferença do material especialmente selecionado, mas há tanta variação até mesmo na madeira da mesma espécie que fica difícil restringir.

Uma coisa que tenho observado é que raramente se usa indiano de primeiríssima mesmo (denso, com veios juntos, quase preto). O que agrava a diferença de densidade que há. Ora, se compararmos o JB comum, marrom-claro com veios "qualquer-coisa" com um indiano de primeiríssima, acho difícil que o de JB seja perceptivelmente melhor no instrumento terminado. No caso do violão do Gelão, há que ver que a madeira era bem velha, o que pesa muito também, pois a faz mais ressonante.

Uma madeira que tem um "taptone" excepcional, é usada inclusive em barras de marimba, é o jacarandá hondurenho, e no entanto não é tão valorizado assim (tem fama de estridente). E por aí vai.

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Em termos estéticos, o louro-preto é muito bonito também.

não sei quanto à sonoridade.

no site do luthier Sérgio Barbosa, (http://www.sergiobarbosaluthier.blogspot.com/), o jacarandá da

bahia e o louro-preto estão lado a lado.

são quase iguais.

Experimentei, e é um violãozasso. Segundo o próprio Sérgio, o melhor instrumento que ele já fez na vida.

Com respeito a madeira do fundo, acredito que influa e muito no som. É claro, não tanto quanto a do tampo, mas tem muita diferença sim.

Um coisa é comparar madeiras muito semelhantes em densidade e características: jacarandá baiano, indiano, mineiro, macacauba, louro preto, orelha de onça.... São madeiras já selecionadas para atingirem o mesmo tipo de sonoridade.

Mas, peguem agora outro tipo de madeira, como o maple. Dá um ataque mais suave, muda radicalmente o sustain, o timbre fica mais claro... Peguem instrumentos flamencos com jacarandá e com cipreste, são muito diferentes entre si, etc...

Então, acredito que dê diferença sim.

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