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A crise e o mercado de violões


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Gostaria que os colegas se manifestassem sobre a situação colocada. As bolsas caíram, começam a se recuperar, mas será lentamente. Alguns analistas prevêem menor crescimento para 2009. Como fica o mercado de violão? O dólar subiu, o preço dos bichinhos também aumenta? Por outro lado, já começou uma onda de escasses no crédito bancário, no Brasil, mas principalmente no exterior. Se aqui não é fácil adquirir um "violão bonzinho", entre 3 e 5 mil dólares, como o mercado se comportará lá fora? Comprarão aqui, que é mais barato? Talvez os luthiers possamavaliar melhor e expressar suas visões sobre o assunto...

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Nos EUA afeta bem mais do que no Brasil porque o americano costuma ter dinheiro aplicado no mercado de ações com mais freqüência do que na poupança. Portanto, quando as bolsas caem, o nível de consumo diminui muito. Os preços no Brasil estavam aumentando independentemente da cotação do dólar.

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Aqui na Europa a maioria das pessoas pega dinheiro emprestado no banco para comprar um violão de alto nível. Normalmente não dão a casa como garantia (que foi o que deu origem a essa crise), mas já não está mais tão simples conseguir um empréstimo.

Estou vendo alguns luthiers, lentamente, fazerem "descontos" para novos pedidos - uma forma sutil de baixar o preço sem assumir. Estou vendo alguns colegas preferirem comprar instrumentos usados vendidos por preço menor que um novo. Como luthier bom sempre tem fila de no mínimo seis meses, ainda precisa de mais tempo pra gente perceber uma mudança geral, e vai começar aonde a crise realmente está, EUA e Europa.

O fato é que de uma forma geral os preços de violões em todo o mundo subiram muito, de uma forma meio irreal. Mesmo pro padrão europeu os valores estão bem exagerados. Por exemplo, na Alemanha um estudante universitário de música vive bem com 8.000 Euros ao ano, um músico profissional já precisa de 12.000 Euros anuais, no mínimo. Em ambos os casos, pra pessoa ter um instrumento adequado precisa de, no mínimo, 7.000 Euros, ou seja, quase um ano dos gastos de um estudante, e sete meses de um profissional. Desse valor, uns 4.000 no mínimo vai direto pro bolso do luthier. É muito bom ver um profissional ligado à música tão bem remunerado, mas na Europa poucas profissões propiciam ganhos mensais tão altos. E praticamente todas exigem uma qualificação e uma formação educional maior. Os próprios luthiers europeus sabem disso, e reconhecem que estão vivendo um momento atípico.

Violões por 15.000 Euros é um valor muito irreal, só justificado porque tinha muita gente conseguindo empréstimos por esse valor que era pago com prestações mínimas e juros inferiores a 10% ao ano, então o luthier ia aumentando o preço do violão em função da fila. E não está mais tão fácil conseguir dinheiro emprestado.

No Brasil acho que ainda tem muita demanda reprimida pra ser atendida antes dos preços dos violões em geral atingirem um patamar mais adequado. Ainda tem muito profissional sem violão bom, muito estudante com pretensões profissionis ainda com violão de fábrica e, principalmente, muito amador que está deixando de se achar indigno de ter um violão bom. E muita gente ainda não sabe que tem luthier no Brasil cobrando valores muito próximos de alguns dos violões mais caros do mundo, ainda por cima acompanhados de cases, tarrachas e outros acessórios de péssima qualidade. Acho que os luthiers brasileiros podem contar com bons ventos até o fim do ano que vem.

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A quebradeira do mercado ainda vai levar bastante tempo até que as coisas se normalizem. Acho que qualquer pessoa adulta e com um mínimo de instrução sabe que nessa vida é muito mais fácil destruir do que (re)construir).

Já foi dito em outras ocasiões, mas nunca é demais repetir. A luteria brasileira vive numa certa bolha de isolamento. Fala-se muito que os violões de fulano brasuca são vendidos por cotações muito altas no exterior, que os luthiers brasileiros já estão em pé de igualdade, etc, mas há muito exagero nisso. Com o crescimento econômico do país e a queda do dólar, vai ser mais fácil começar a ver violões estrangeiros no Brasil e eu acredito que isso vai ser bastante positivo.

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Pois é... se a diminuição da demanda pode significar queda de preço dos violões lá fora:

1) Se o dólar se mantiver neste patamar, para nós brasileiros, vai quase dar na mesma;

2) Se o dólar voltar a cair teremos instrumentos mais baratos ainda, como observado por Eugênio

Mas e quanto aos violões lá fora? Se o dólar subir mais, descer ou se mantiver no patamar?

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:conversa-mole: Já vi em alguns locais de discussão se fazer correlação entre remuneração de luthier e outros profissionais tipo dentistas advogados etc. Compara-se também preços de instrumentos produzidos no Brasil com instrumentos produzidos e comercializados na América e na Europa. Seria oportuno que alguém, com conhecimento, fizesse um comparativo, levando-se em conta a colocação de cada elemento dentro da pirâmide social de cada região. Quem pode pagar R$ 10.000,00 num violão aqui no Brasil ocupa a mesma posição na pirâmide social que quem pode pagar USD $10,000.00 nos EUA ou na Europa? O luthier brasileiro que vende violões ao preço de R$ 12.000,00 está socialmednte acima ou abaixo do luthier americano ou europeu que vende violões por USD $ 10,000.00 a 12,000.00? Considerando-se a pirâmide social da localidade de cada envolvido, lógico. Pra quem trabalha com remuneração em dólar ou euro, R$ 10.000,00 por um violão pode até se constituir uma bagatela. Mas pra quem vive num país onde 90% de quem trabalha tem remuneração mensal na média dos R$ 600,00, é uma pequena fortuna. Provavelmente os defensores de violões de R$ 10.00,00 a R$ 12.000,00 reclamem quando o preço do quilo do tomate sobe de R$ 2,00 para R$2,20 :risadinha: .
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Orlando, via de regra a equivalencia é bem parecida, sim. Quem paga 10 mil reais num violão está basicamente na mesma posição da pirâmide de quem paga 10 mil dólares ou 10 mil euros nos EUA ou na Europa. No caso dos luthiers a situação muda um pouco pelo fato de muitos insumos serem importados e a margem ser menor, mas a diferença é pouca, não é alarmante.

O que a gente precisa entender também é que mencionar salário mínimo não me parece relevante. Certa feita um documentário dividiu o Brasil socialmente em 3 países dentro de um: a India, a Bulgária e a Bélgica. Só compra violão top de linha quem mora na Bélgica brasileira.

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