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"Celebridades" do mundo do violão

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Olá colegas,

Gostaria de levantar uma polêmica sobre o universo violonístico contemporâneo.

Parece que a síndrome da celebridade se instalou definitivamente no universo violonístico.

Estou percebendo que nosso público está ficando ignorante, pois tanto faz alguém tocar mal, mas que tenha "nome", quanto alguém desconhecido que toque excepcionalmente bem e faça música verdadeiramente: os méritos são sempre dos famosos.

Eu, particularmente, acredito que a motivação deva sempre ser aquela que te faz estudar para você satisfazer a si próprio, independente da opinião geral, que infelizmente é burra. Lembro-me das sábias palavras de minha professora Monina Távora: "odeio violonistas"...

Vocês acham que minha percepção da realidade está correta ou se trata de uma viagem?

Abraços,

FA

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Flavio, excelente questionamento. Mas será que isso que você está descrevendo não é algo que sempre existiu no mundo artístico?

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Flavio, excelente questionamento. Mas será que isso que você está descrevendo não é algo que sempre existiu no mundo artístico?

Concordo com vc Eugênio, sempre existiu este tipo de coisa no mundo artístico, não só em prol das tais 'celebridades' que interpretam, tocam, pintam, ou fazem qualquer coisa envolvida a arte.

Há aqueles que trabalham nas coxas e quem são transformados em deuses, aqueles que mandam muito e ninguêm ouve flar.

Agora há de concordar que isso não é só pra quem faz a coisa mal feita, mas pra quem faz bem feita, é quase impossível ter uma opnião contrária a grande maioria.

Se alguém aparecer aqui, ou em qualquer lugar, falando mal de um grande nome, pode ter certeza que vai ser vaiado, agora se ele segue a maré, é um cara que sabe oq diz...

É como contrariar um adolescente fascinado por qualquer guitarrista famoso, vc diz que ele deixa a musicalidade de lado, tenta mostrar um bom choro ou algo do Baden por exemplo, ele só quer saber q aquele tal guitarrista consegue tocar semifusas a 36287216312 bpm e que a guitarra dele brilha no escuro!(Baita exemplo batido :conversa-mole: )

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Li alguns textos sobre pós-modernidade. Alguns filósofos dizem que uma das características da pós-modernidade é uma falta de individualidade. Em poucas palavras, é uma eterna adolescência em que a pessoa muda toda sua opinião sobre as coisas para se encaixar no grupo.

Quando o grupo ainda não consagrou um artista, o indivíduo teme que sua opinião possa divergir do grupo.

É assim mesmo. Nós, como violonistas, só temos duas coisas a fazer em relação a isso: estudar pra cacete e entregar pra deus.

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Alvaro Henrique é uma celebridade, ele bebe cachaça pra caralho e ainda toca a K11 sem nenhum esforço! :)

Brincadeiras a parte, a tendência é essa mesma e não só nos violonistas.

Outra coisa que acontece é quando o cara rala e quando atinge um certo ponto, relaxa. Um bom exemplo é o Baden que por muito tempo tirava um som puramente nas coxas, estourado e sem dinamica. Mas era o Baden, né? Aplausos.

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Alguém escreveu a seguinte história aqui no fórum:

Após o concerto do Sebastião Tapajós (creio que foi com ele, não tenho certeza), ele foi visitado pelo Salvador Dali, que lhe cumprimentou e disse o seguinte:

- Fale para todos que você é o maior violonista do mundo!

Sebastião parou e disse

- Por que faria isso ?

Salvador respondeu:

- Porque eu digo que sou o maior pintor surrealista do mundo e tem gente que acredita!

O fato que, sendo ou não estes personagens, a história sendo ou não verídica, sempre haverá quem acredite.

A mídia brasileira então nem se fala. Tendo um "Fortinho Cantante" e duas "Lambisgóias Rebolativas" em uma harmonia de três acordes de cunho puramente sexual, é um sucesso enorme.

Muitas vezes o olho crítico é completamente cego. Neste caso, surdo.

Eu sempre assumi uma postura de ignorante na minha vida.

Não no sentido perjorativo do termo.

Ignorante de não dominar por completo um assunto, de correr atrás, de tentar entender, esmiuçar,...

Como "tocador de violão", hoje isso beira as raias do absurdo a minha ignorância, o que tenho (por que quero) estudar é algo incomensurável.

C'e la vie!

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Desculpe, não aguentei...

Fui visitar outro fórum e lá constactei uma situação bem de endeusamento para futuras Celebridades.

Situação hipotética:

- Iniciante masculino com três meses de estudo do violão postando vídeos no YouTube - os comentários, vão de desista, o som está péssimo, sua técnica um lixo, já vi gente tocando horrores, e assim continua.......

- Iniciante FEMININA com três meses de estudo do violão postando vídeos no YouTube - os comentários, vão de legal, está muito bom, tem que melhorar a técnica, está tocando muito bem para quem tem três meses, e assim continua.......

Dois pesos para a mesma medida!

Assim, creio que para falarmos de Celebridades temos que diferenciar o sexo do(a) mesmo(a) também.

São situações distintas! Péssimas, porém, no meu entender diferentes.

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Talvez seja viagem. Não existem celebridades tocando música instrumental, menos ainda violão clássico. Aqui no Brasil há uns 4 ou 5 violonistas, nenhum deles "erudito", que aparecem de vez em quando na TV; um deles é obviamente um picareta e dispensa comentários, os outros podem não ser para todos os gostos mas são pra lá de competentes e devotados ao seu trabalho, e nenhum deles é exatamente milionário.

Eu vejo a questão com cautela. No nosso campo, o violão clássico com repertório tradicional, temos o texto e o contexto do compositor como referência a um julgamento de valor, de fazer música "verdadeiramente", como você disse. Já na música instrumental brasileira, todos são criadores, e cada criador cria a sua verdade.

Seria até legal contextualizar melhor esse "odeio violonista" da D Monina, do contrário pode soar bastante antipático. Talvez o meio com que ela convivia na época em que viveu no Brasil fosse bem diferente do que é hoje.

Como em qualquer instrumento solista, a base de sustentação de uma carreira são os outros violonistas e os estudantes do instrumento; são eles que vão comprar ingresso, comprar Cd, espalhar sua reputação, etc., por isso podemos até não ter total afinidade, mas não acho muito bom negócio "odiar". Acho natural que quem está começando, ou quem toca amadoristicamente, tenda a idolatrar quem toca apenas um pouquinho melhor que eles mesmos, mas sinto que isso tem mudado.

Ao contrário do piano ou das cordas, entretanto, a gente realmente tem um problema de cultura musical, e isso temos de, na medida do possível, contribuir para melhorar. Um pianista amador conhece a partitura de um scherzo de Chopin, sabe quando um figurão está tocando de verdade ou quando está enrolando. Acho que isso não é ainda muito comum no público de aficionados do violão. Então, acho que o primeiro passo seja, talvez, consolidar nossa literatura.

Só minha opinião, fico muito curioso para ouvir outros pontos de vista.

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A gente jamais vai ter no violão uma celebridade do porte de um Elton John, mas o violão também tem seus ícones, gente como o Segovia, John Williams, Raphael Rabello, Paco de Lucia, Assads, todos esses caras são celebridades dentro do universo violonístico.

Gostando ou não, o que leva alguém a alcançar o estrelato artístico não é exatamente o conjunto das habilidades musicais e técnicas, mas primariamente a sua capacidade de se "vender". E não me entendam mal, não estou falando do cara vender a alma, mas sim de vender o próprio peixe, de fazer os contatos, de saber se relacionar. Se o músico tiver dificuldade com isso, pode ter quem ajude, um entusiasta, um empresário, um mecenas, enfim, uma figura que cuide da "venda".

Quando se trata de atuar na linha de frente e dar as caras ao público, o mundo artístico não muita piedade com gente tímida ou introspectiva demais. E o trabalho de bastidores não é muito diferente.

Eu poderia até me aventurar a criar alguns perfis de artistas, mas corro o risco de "rotular" demais e acabar criando confusão.

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Eugenio, eu acho que seria mais preciso dizer que é a combinação das duas coisas. Os cinco nomes que você mencionou são a nata da nossa arte, então na média o produto bem "vendido" é de qualidade premium.

Ainda assim, na realidade brasileira o Duo Assad é relativamente pouco conhecido, tem exposição mínima na TV e revistas; eles podem tranquilamente andar pelo aeroporto sem serem reconhecidos. Quem vai à loja comprar os Cds e DVDs são os aficionados. Acho isso muito injusto, mas é assim.

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