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Eugenio

(Anti)Violonismo

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Tem certas músicas e compositores/arranjadores que se valem de certos artificios que dão a sensação de forçarem o limite do instrumento. Não é muito fácil explicar, mas posso tentar dar exemplos (são opiniões minhas, obviamente).

Os arranjos e composições de Paulo Bellinati são difíceis, mas dão a sensação de ter algo sempre no dedo, que faz sentido dentro do braço do violão.

O Egberto Gismonti toca violão, mas escreve coisas que tem um caráter anti-violonista, tem saltos absurdos, inversões que dão nó na cabeça. É um exemplo bem claro, já que ele toca piano.

O Guinga cria harmonias de outra galáxia, mas tem uma música embaixo do dedo, que faz sentido no violão.

O Marco Pereira tem uma escrita bem orgânica pra violão, mas mas tem umas passagens que parecem anti-violonísticas e dão nó na hora de desenrolar.

Entenderam o espírito da coisa? Eu só queria colher as impressões que vocês têm com cada compositor / arranjador em relação ao (anti)violonismo. Se vocês acharem que é muita viagem, a gente fecha o tópico!

O Roberto Correa até escreveu uma composição chamada "Anti-Viola", onde ele escreve uma música que apesar de soar tipicamente violeira, tem algumas partes onde a técnica e o fraseado são feitos de maneira atípica.

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Não sei se eu entendi direito, mas eu acho que o Sérgio Assad tem coisas do tipo, ''Fantasia Carioca'' tem frases loucas, que vc tem que abrir mão da técnica 'comum' pra tocar.

O Tapajós tem a suas 'loucuras' tbm.

Ahh só me lembro deles agora...

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Eugenio, não sei tem, muito a ver, nem sei se entendi direito. Mas acho que como exemplo de anti-violonismo poderia considerar o Baden, e como exemplo de violonismo, o Paulinho Nogueira. Algo desse tipo? É uma sensação que sempre tive ao ouvir os dois, inevitavelmente sempre comparados. O primeiro arregaça, toca tudo o que tem direito, parece ultrapassar os limites do violão, enquanto o segundo faz o mesmo, mas aparentemente dentro da linguagem do violão, com a música "embaixo do dedo".

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Humberto, boa pergunta. Vou ver se me explico melhor. Eu considero o Paulinho Nogueira anti-violonístico em alguns momentos, mas sempre 100% musical. O Marcel Powell consegue ser violonístico o tempo todo, mas muitas vezes soa anti-musical.

Um exemplo: aquele prelúdio em dó do J. S. Bach começa com um dó maior natural. Ali é 100% violonístico: o acorde tem 5 notas, a mão direita arpeja sem dificuldades. À medida em que a música se desenvolve, começam a aparecer acordes do cravo que precisam de estripulias pra ser resolvidos no violão, e não é por que faltou nota no braço. É aí que começa a aparecer o anti-violonismo.

No caso do Paulinho Nogueira, esse é um bom exemplo de uma peça com umas técnicas anti-violonísticas:

Outro exemplo? O IMALT do nosso amigo Alexandre Atmarama. Ele toca acordes com i-m-a não apenas puxando as cordas pra cima, mas também para baixo, conseguindo um efeito bem peculiar e bastante musical, mas que eu consideraria anti-violonístico.

Enfim, anti-violonismo pode ser na mão direita ou esquerda, não tem uma definição, se preferir outro termo, fique à vontade!

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Acho que você está confundindo os termos.

Alguns compositores e arranjadores criam uma linguagem técnica particular. Ponce, por exemplo, só depois da terceira ou quarta composição dele que estudei que realmente "peguei" a lógica da coisa. E Villa-Lobos, não tem um que lendo pela primeira vez qualquer peça dele fique sem a menor idéia de como tocar aquilo. Aí vê alguém tocando e entende.

Mas isso não tem nada a ver com anti-violonismo.

Anti-violonismo é propôr coisas que o violão realmente não é capaz de fazer mesmo. Por exemplo, é anti-violonístico escrever um acorde com 8 notas. Ou mesmo um acorde de seis notas todo em terças sobrepostas.

Talvez a origem da confusão é que volta e meia as pessoas avaliam certas coisas erroneamente. O Segovia, por exemplo, cometeu dois erros crassos, o mais grave deles o Prelúdio BWV 1006 (4 suíte de alaúde, 3a partita para violino). Uma composição que ele considerava impossível de ser tocada, hoje qualquer calouro de faculdade toca.

Mas, repito, isso tudo aí não tem nada a ver com anti-violonismo. É apenas um repertório técnico particular. Se alguém consegue tocar esse troço, então não é anti-violonístico, não.

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Bom acho que não entendo direito.

Mas os arranjos do Barbosa Lima seria um exemplo talvez??!!

Claro que não são anti-violonísticos, mas são tão própios dele....

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Eu toco poucas peças e ainda não tenho essa bagagem toda, principalmente com música contemporânea/moderna mas as coisas do Brower me dão um certo nó no cérebro e até entender o que se estava se passando, me deu trabalho tocar os estudos que já peguei.

Engraçado que depois tudo faz sentido.

Acho que o estudo 2 (ou todos eles?) do Villa também faria parte dessa idéia do Eugenio.

Não sei se a idéia do tópico é por aí...

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Eu concordo com o Alvaro quanto ao termo "anti-violonismo".

O que eu acho que existe é um pensamento "fora da caixa" do violão, no caso de alguns compositores que acabam não inserindo clichês típicos. O primeiro nome que me vem na cabeça ao pensar nisso é Radamés Gnattali, seguido obviamente de Villa-Lobos.

Compositores que escrevem pra violão mas não tocam violão oferecem resultados interessantíssimos.

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