Jump to content
Sign in to follow this  
Eugenio

(Anti)Violonismo

Recommended Posts

A gente pode usar qualquer nome, a idéia não é pedir pra vocês comentarem músicas impossíveis de tocar no violão, isso nem faria sentido.

Pra tentar dar um outro exemplo, pensem num acorde com as notas:

C C# D D#

Fácil de fazer no piano, mas hostil no violão. Dá pra conseguir as três primeiras notas com uma esticadinha, mas todas as 4 ao mesmo tempo viram um verdadeiro pesadelo.

O Guinga usa muitos acordes com esses intervalos próximos e estranhos, mas consegue ter as coisas debaixo do dedo.

O exemplo do Paulinho Nogueira foi apenas pra mostrar a mao direita marcando notas, em vez de pulsar as cordas. É uma fuga da idéia natural de que a mão esquerda marca as notas e a direita pulsa as cordas.

Consegui me fazer mais claro desta vez?

Share this post


Link to post
Share on other sites

Pra mim antiviolonistico é aquilo que gera impossibilidade, de fazer soar no violão, ou de fazer soar exatamente como se deseja.

Então, linhas de baixo na primeira posição com melodias em posições altas, apesar de estarem dentro da tessitura, são anti-violonísticas.

Trechos musicais que exijam aberturas entre dedos adjacentes (a não ser entre 1 e 2, ocasionalmente) acima de 3 casas são anti-violonísticas.

Peças que só funcionam e soam bem se houver uma grande sustentação das notas são anti-violonísticas.

Acordes com mais de 6 notas ou acordes de execução impossivel, como com as terças sobrepostas, que o Alvaro comentou.

Em alguns casos, onde isso não é proposital, o uso de tonalidades fracas do instrumento como Eb, Db, Ab, etc... em que além da dificuldade de mão direita, não soam bem por falta quase completa de reforço de vibração simpática, deixando a sonoridade magrinha.

Etc...

Tem coisas impossiveis de executar, e outras que são possiveis de executar, mas que não soam bem, ou que não conseguem ser executadas na sua totalidade (duração de notas, sustentação, etc..)

Share this post


Link to post
Share on other sites
O polegar pelo Marcus Tardelli também. :)

Exato! :thumbsupsmiley:

Pra mim antiviolonistico é aquilo que gera impossibilidade, de fazer soar no violão, ou de fazer soar exatamente como se deseja.

Então, linhas de baixo na primeira posição com melodias em posições altas, apesar de estarem dentro da tessitura, são anti-violonísticas.

Peças que só funcionam e soam bem se houver uma grande sustentação das notas são anti-violonísticas.

Em alguns casos, onde isso não é proposital, o uso de tonalidades fracas do instrumento como Eb, Db, Ab, etc... em que além da dificuldade de mão direita, não soam bem por falta quase completa de reforço de vibração simpática, deixando a sonoridade magrinha.

É por aí mesmo! O que você tiver de repertório desse tipo pra exemplificar será muito bem-vindo!

Share this post


Link to post
Share on other sites

Acho que às vezes há, em alguns arranjos, momentos anti-violonisticos. Não por serem impossíveis de executar, mas por forçarem a barra pedindo acordes cheios quando apenas duas notas dariam o significado da harmonia, dificultando e muito a execução ao mesmo tempo que não traz uma maior riqueza ao arranjo.

Imaginem um samba onde a cada mudança de acorde o arranjo pedisse que fosse tocado o acorde completo. Pra mim a acentuação das síncopas fica carregada tirando a fluidez do tempo.

Para alguns ritmos como o samba, o baião, a valsa, o arranjo funciona melhor quando as notas dos acordes são distribuidas no tempo, pensadas mais como contraponto.

Um arranjo que acho bem complicado e que não soa tão bem, na minha opinião, é Odeon do Henrique Pinto. Acho que poderia ser simplificado e acabaria soando melhor.

Share this post


Link to post
Share on other sites

Pra mim, não tem nada mais anti-violonístico que Bach. De obras originais conhecidas, a maioria das músicas de Rodrigo.

Tem obras dificilíssimas, como as 5 Bagatelas de Walton, que compensam; uma vez transpostas as dificuldades, elas soam esplendidamente. Mas tem passagens até no concierto de Aranjuez que se beneficiariam muito de uma revisão à la segovia.

Share this post


Link to post
Share on other sites

Oi!

Uhm... desculpem a "misturança das bananas", mas o Don Éfren Echeverria toca coisas que ninguém ousaria tocar no violão.

:)

Na verdade, quando ele era pequeno, ele escutava música pelo rádio, morava em Lima (uma cidadezica do interior do Paraguay), ouvia aquelas coisas (carreta guy, llegada, essa turma do Felix Perez Cardoso, Nicolacito Caballero e etc) e achava que os baixos e os rasgueados eram feitos num só instrumento, que, na cabeça dele, era um violão.

(Mas na verdade, são 2 violões, um no rasgeado, outro em ponteados menores/baixos e a harpa paraguaya oscilando entre ponteios e baixos)

Enfim, é impressionante o jeito que ele toca e, caramba, através da ignorância ele desenvolveu algo que ninguém, antes, tinha desenvolvido desta forma e para esse contexto musical (pra polca paraguaya e rasqueados).

Nos videos ele já está idoso, perdeu uma perna, está com problemas de saúde (uma pneumonia que tem assolado ele tem quase 2 anos).

Os primeiros registros fonográficos dele são... absurdos! Coisa de louco, mesmo.

Eu não tenho muita coisa, pois é difícil achar. Nem mesmo para compra se acha, mas tem esses excertos aqui:

http://storage.worldispnetwork.com/vistado...teada_ocara.mp3

http://storage.worldispnetwork.com/vistado...i/Floripami.mp3

E os videos:

Ry Guasu Kokoré:

http://br.youtube.com/watch?v=6wN6I92Uabc

Arroyos y Esteros:

http://br.youtube.com/watch?v=QbHtfxkik94

E, falando em Brasil, provavelmente, pra mim (que sou um "fruto" dela, musicalmente) a Helena é o maior expoente de controle de mão direita.

Ninguém, absolutamente, ninguém consegue imitar a palhetada que ela dava.

Eu to no caminho... dizem que sou o que chega mais perto, hahha... mas, xi, é muito "tino" pra pouco momento.

É coisa de cabeça, mesmo.

Pra quem não conhece:

http://br.youtube.com/watch?v=TTY6CWZIcE0

http://br.youtube.com/watch?v=RiU4Fg4Vbg0

(Desconsiderem o "violeira". Muita gente que sabe nada fala muito, sabem? A Helena tocava violão, quem jogou a viola na mão dela foram os sobrinhos [Milton araújo e Mário Araújo], que ajudaram ela a ser "descoberta", aí veio prêmio da Guitar Player e etc... Mas a viola foi só um recurso sonoro e foi usada só no 1o álbum. Depois disso, como a saúde dela estava muito debilitada, ela voltou pro violão, que é mais leve de tocar do que a viola [ainda mais afinada em A maior]

No mato grosso do sul, paraguay, a viola não estava presente. Era mais violão, mesmo. Mas qualquer coisa que aparecesse, se afinava na afinação de "solo" [Rio Abaixo em A maior] e mandava brasa!)

\\//

Share this post


Link to post
Share on other sites

Muito interessantes esses videos, acho que essa música fronteiriça do Brasil é pouco conhecida. E a Helena era fera, mesmo.

No violão anti-violonístico, eu também citaria o Nenéu Liberalquino, como ele toca de um jeito diferente, algumas das coisas que ele faz não são possíveis através da técnica convencional.

Share this post


Link to post
Share on other sites

Create an account or sign in to comment

You need to be a member in order to leave a comment

Create an account

Sign up for a new account in our community. It's easy!

Register a new account

Sign in

Already have an account? Sign in here.

Sign In Now
Sign in to follow this  

×