Jump to content
Sign in to follow this  
Eugenio

Uma peça prejudica a outra?

Recommended Posts

De vez em quando eu estou com uma peça A mais ou menos arrumada e aí começo a aprender outra peça B. Eu não deixo de praticar a peça A, mas a peça B parece ter um impacto negativo em alguns movimentos da peça A.

É loucura da minha cabeça ou vocês também já experimentaram a mesma coisa? Será que isso é só pra amador? Será que profissionais que estudam muito não padecem desse problema?

Share this post


Link to post
Share on other sites

Cara, nunca reparei nisso não.

Já aconteceu é de começar a pegar a peça nova e desencanar um pouco de estudar a antiga, aí piora o desempenho mesmo.

Mas acho que não é a mesma coisa.

Share this post


Link to post
Share on other sites

Eu gosto de aprender duas peças ao mesmo tempo. Principalmente porque tenho aquele problema de acabar cansando de uma peça, ou seja, preocupo muito com o estudo de uma única peça e ela acaba por se tornar cansativa e enjoativa. Então no meu caso ao invés de prejudicar acaba ajudando.

Edited by Dr.Pacheco

Share this post


Link to post
Share on other sites

Amigos, primeiramente, como este é meu primeiro post neste fórum, apesar de aqui já estar inscrito há algum tempo, minhas saudações a todos. É um prazer estar entre vocês!

Segundamente, indo ao ponto abordado pelo tópico, como professor penso que diversidade é muito importante para o progresso do estudante, pois creio que lidar com situações diferentes, a partir do momento em que tem condições de traduzir os elementos de uma partitura, suas mãos estão corretamente posicionadas e sua sonoridade, consistente, ou seja, após aproximadamente um ano de estudo diário, contínuo e bem orientado, é de grande valia. Então costumo passar para meus alunos tres a cinco peças diferentes de uma só vez, pedindo-lhes concentrem-se, inicialmente, em sua compreensão, mais do que em detalhes técnicos. Naturalmente, algumas peças começam a progredir mais rapidamente e pode-se levá-las mais adiante, em termos de execução, aproveitando a facilidade natural do aluno para lidar com elas, enquanto as que demoram um pouco mais a progredir trazem a oportunidade de identificar e trabalhar as dificuldades que apresentam. Uma vez que um grupo de peças chegue ao ponto em que possam ser executadas corretamente, mesmo que em andamento abaixo do desejado, indico outro grupo e assim por diante. Seguindo esse tipo de orientação, fica mais fácil organizar o estudo em função das fases de montagem em que se encontram as peças do repertório, não em função das peças, propriamente ditas, mas do trabalho que se há de fazer com elas. Então o estudante não começará sua jornada de estudo pensando em estudar tal prelúdio de Bach, tal estudo de Fernando Sor ou tal valsa de João Pernambuco, mas sim nas peças que estão em fase inicial de leitura, sejam quais forem. Depois estudará as que já consegue tocar lendo com certa continuidade; depois, as que já estão um pouco mais seguras mas cuja partitura ainda é necessária como um guia, porque ainda não estão memorizadas; depois as memorizadas que precisam de trabalhos técnicos; depois as que necessitem de aperfeiçoamento técnico-interpretativo; depois as que já têm quase tudo definido em termos de interpretação mas precisam ainda de um ajuste fino e/ou serem levadas ao andamento final. E assim segue adiante, trabalhando o repertório e fazendo-o crescer. Geralmente, o resultado obtido demora um pouco a aparecer no início, mas, tanto para fazer progredir as peças estudadas ao ponto ideal quanto para o desenvolvimento geral do estudante, quando as peças ficam prontas, o tempo necessário costuma ser menor do que se as peças fossem estudadas uma a uma para chegarem ao mesmo ponto.

Detalhe importante [acrescentado posteriormente, durante a revisão/edição do post]: depois que nos acostumamos a estudar assim, tudo fica muito mais interessante e prazeroso.

Edited by Lula Perez

Share this post


Link to post
Share on other sites

Amigos, primeiramente, como este é meu primeiro post neste fórum, apesar de aqui já estar inscrito há algum tempo, minhas saudações a todos. É um prazer estar entre vocês!

Segundamente, indo ao ponto abordado pelo tópico, como professor penso que diversidade é muito importante para o progresso do estudante, pois creio que lidar com situações diferentes, a partir do momento em tem condições de traduzir os elementos de uma partitura, suas mãos estão corretamente posicionadas e sua sonoridade, consistente, ou seja, após aproximadamente um ano de estudo diário, contínuo e bem orientado, é de grande valia. Então costumo passar para meus alunos tres a cinco peças diferentes de uma só vez, pedindo-lhes concentrem-se, inicialmente, em sua compreensão, mais do que em detalhes técnicos. Naturalmente, algumas peças começam a progredir mais rapidamente e pode-se levá-las mais adiante, em termos de execução, aproveitando a facilidade natural do aluno para lidar com elas, enquanto nas que demoram um pouco mais a progredir têm-se a oportunidade de identificar e trabalhar as dificuldades que apresentam. Uma vez que certo grupo de peças chegue ao ponto em que possam ser executadas corretamente, mesmo que em andamento abaixo do desejado, indico mais um grupo de peças e assim por diante. Seguindo este tipo de orientação, fica mais fácil organizar o estudo em função das fases de montagem em que se encontram as peças de seu repertório, não em função das peças, propriamente ditas. Então o estudante não começará sua jornada de estudo pensando em estudar tal prelúdio de Bach, tal estudo de Fernando Sor ou tal valsa de João Pernambuco, mas sim nas peças, sejam quais forem, que estão em fase inicial de leitura. Depois estudará as que já consegue tocar com certa continuidade pela partitura; depois as que já estão um pouco mais seguras mas a partitura ainda é necessária como um guia porque ainda não estão memorizadas, depois as memorizadas que precisam de trabalhos técnicos; depois nas que necessitem de aperfeiçoamento técnico-interpretativo; depois nas que já está quase tudo definido em termos de interpretação mas precisam ainda de um ajuste fino e/ou serem levadas ao andamento final. E assim segue adiante, trabalhando o repertório e fazendo-o crescer. Geralmente, o resultado obtido é lento no início, mas, tanto para fazer progredir as peças estudadas ao ponto ideal quanto para o desenvolvimento geral do estudante, quando as peças ficam prontas, costuma ser menor do que se as peças fossem estudadas uma a uma para chegarem ao mesmo ponto.

Seja muito bem vindo, Lula!!!

Seus ensinamentos serão de grande valia aqui.

abs

Share this post


Link to post
Share on other sites

Lula, seja bem-vindo!

Só esclarecendo um ponto que talvez não tenha ficado claro, eu também sempre fui adepto de estudar mais de uma peça ao mesmo tempo, sendo que no meu caso, meu limite máximo é três, mas no geral eu funciono melhor com duas.

No que diz respeito a uma peça atrapalhar a outra, eu queria esclarecer que o que eu tinha em mente era outra coisa, no caso eu de faço de uma peça nova impactar uma outra já aprendida. E eu noto que no meu caso, se houver similaridade, mais fácil haver deslizes. Por exemplo, o Estudo No 2 de VIlla-Lobos e o Baião de Lacan podem parecer bem diferentes no estilo e estrutura, mas são peças baseadas em harpejos. Eu notei que o estudo do Villa me fez dar um branco em um trecho do baião, ou de ter um reflexo um pouco diferente numa passagem mais rápida.

O ideal é estudar as duas e ficar sempre repassando, assim a gente evita essas armadilhas do cérebro. Espero ter esclarecido!

Share this post


Link to post
Share on other sites

Oi, Eugênio. Talvez a chave para seu problema não seja ficar sempre repassando as duas - na verdade isto pode tornar-se um pouco cansativo e até gerar defeitos nas duas. Eu diria que estudar as duas em fases diferentes talvez seja mais eficiente e agradável. Por exemplo: uma você pode estudar acompanhando a partitura e focando em seu desenvolvimento harmônico, enquanto outra pode ser estudada de memória com auxílio do metrônomo, visando ao aperfeiçoamento técnico e ao equilíbrio rítmico. Depois você pode inverter as fases. Repassar peças, simplesmente, creio que só se deve fazer em contexto de programa. Então você pode montar, digamos, dois programas, em que o estudo nº 2 uma faça parte de um e o baião, de outro. Não precisam ser programas longos, algo em torno de quinze a vinte minutos já está bom. Então, simplesmente sente-se e toque os programas, sem paradas para correções, como se estivesse tocando em público - e isto deve ser feito após algum aquecimento ou depois de uma jornada normal de estudo, de preferência não muito "puxada".

E lembre-se: armadilhas do cérebro são armadas quando se estuda. Se estão ocorrendo com você, procure localizar o que pode não estar funcionando bem em seu estudo.

Edited by Lula Perez

Share this post


Link to post
Share on other sites
:bye2: Eugenio, em matéria de violão eu estou muito longe de alcançar o seu nível, mas isso acontece com frequência comigo também. Eu aprendo a tocar, sofrivelmente, uma música e depois de muita repetição tenho a música toda na mente. Então passo para uma seguinte, depois de algum tempo de estudo da música nova começa o embaralhamento mental entre a música já aprendida e a nova. Resultado tem que começar a estudar a peça anterior. Talvez seja o desgaste do cérebro, pela idade. :hehe:

Share this post


Link to post
Share on other sites

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

Loading...
Sign in to follow this  

×
×
  • Create New...