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carlos eduardo

Harmonia Tradicional e Funcional

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Pessoal,

Há um tempo eu levantei uma questão sobre os arranjos de Chord Melody. Tenho feito algumas pesquisas sobre o assunto, e as questões relacionadas à harmonia. Minha formação é basicamente voltada ao âmbito da música clássica, e o que tenho estudado nesse momento é o que muitos denominam Harmonia Funcional, moderna enfim...

É isso que eu gostaria de saber de vocês, qual seriam as principais diferenças entre a harmonia, digamos tradicional, e essa moderna? Com o foco no jazz.

Sei que a pergunta ainda é BEM vaga, mas como tenho algumas opiniões a serem formadas, gostaria de ouvir os amigos do fórum!

Um abraço a todos! E 2013 repleto de violão pra todo mundo!!

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Carlos, você já estudou harmonia no clássico, a lógica já foi toda aprendida, ou pelo menos o modelo matemático, e isso inclui tons menores, maiores, modos gregos, etc. Quando você parte pro violão popular, a principal diferença que você nota é uma nomenclatura diferente, muitas vezes sem uma padronização e um foco muito grande na progressão de acordes, formação de tétrades e improvisação com o uso de escalas.

Por exemplo, no vídeo abaixo, o instrutor usa o termo Movimentação de Voicings a partir de 4:10:

E aqui a Asa Branca rearmonizada de diversas maneiras diferentes:

É isso que você está procurando?

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O vídeo 2 ilustra bem harmonia funcional.

Acrescentaria ainda as dominantes estendedias, auxiliar trocas modais nas dominantes, ele apenas usou o IV menor, acrescento o IIb7M frígio e o IVb7M eolío.

Tenho algumas brincadeiras nesta música em Atirei o pau no gato e Samba da minha Terra, Caymi, esta escrevi as progresões, acho que 8 maneiras diferentes...

Se não tiver professor, que é fundamental, compre os livros do Marco Pereira.

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Olá pessoal,

Ainda não tive oportunidade de ver os vídeos, mas de antemão agradeço. Na verdade o que estou procurando saber é aonde a coisa começa a diferenciar tanto assim, entendem? Acho que o Eugênio colocou algumas coisa interessante aí. Eu acabei de ler o livro de harmonia funcional do Hans-Joachim Koellreuter, mas tudo que estudei está lá, sem grandes novidades, e ainda estou a procura de um bom material para a música popular, o Marco Pereira, tem Know-How de sobre...

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Carlos, a diferença maior é a aplicação. O que eu vou dizer agora é uma simplficação grosseira, mas música popular é basicamente estruturada na forma de canção, você tem uma melodia em cima de uma base harmônica. A idéia básica é manter a melodia funcionando dentro de uma harmonia mais dinâmica e que produz "climas" ou "coloridos" diferentes.

O vídeo onde o cara toca Asa Branca mostra diferentes harmonizações (dom-dim, tensões, sub-dom, etc) sem alterar a melodia, mas também é comum a gente ver alterações na melodia em função da harmonia. A música que eu estudei faz umas semanas atrás tem isso, a melodia é modificada em diversas passagens, em especial quando tem o "walking bass" (0:52), e vale lembrar que a linha de baixo é mais uma voz que você pode adicionar ao dueto melodia + harmonia.

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Caraca, no primeiro vídeo o primeiro ritmo de bossa está errado, no segundo vídeo o cara enfia um F7M enquanto a melodia repousa na nota fá (gerando uma segunda menor).

A diferença entre harmonia funcional e tradicional é que na funcional não se usa graus como I, IV ou V e sim T de tônica, S de subdominante e D de dominante. Depois tem Tr (tônica relativa) Sr e Dr. Vejam aqui: http://books.google.com.br/books?id=8NUtqEQiJlYC&pg=PA428&lpg=PA428&dq=nomenclatura+de+harmonia+funcional&source=bl&ots=Y7vsM9CX9r&sig=2dQ6V4BmfyuM3npUtZvb2oL8VeQ&hl=pt-BR&sa=X&ei=BqTsUMCUOcHx0gGvxoG4CQ&ved=0CDcQ6AEwAQ#v=onepage&q=nomenclatura%20de%20harmonia%20funcional&f=false

Mas as duas são baseadas em condução de vozes que nem o cara do terceiro vídeo respeitou e encheu de paralelismos.

Costuma-se falar em harmonia popular (que, infelizmente, manda a condução de vozes pro inferno) que é o que os caras usaram e geram esse tipo de harmonização errada.

Os dominantes secundários, por exemplo, tem implicações. Devem ser usados se a melodia pede, podem ser usados se a melodia permite e não podem ser usados se a melodia não permite. Na música tonal, e é disso que toda harmonia trata, a melodia nunca pode ser desconsiderada. :devilsmiley::hypocritesmiley:

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Caraca, no primeiro vídeo o primeiro ritmo de bossa está errado, no segundo vídeo o cara enfia um F7M enquanto a melodia repousa na nota fá (gerando uma segunda menor).

A diferença entre harmonia funcional e tradicional é que na funcional não se usa graus como I, IV ou V e sim T de tônica, S de subdominante e D de dominante. Depois tem Tr (tônica relativa) Sr e Dr. Vejam aqui: http://books.google....ncional&f=false

Mas as duas são baseadas em condução de vozes que nem o cara do terceiro vídeo respeitou e encheu de paralelismos.

Costuma-se falar em harmonia popular (que, infelizmente, manda a condução de vozes pro inferno) que é o que os caras usaram e geram esse tipo de harmonização errada.

Os dominantes secundários, por exemplo, tem implicações. Devem ser usados se a melodia pede, podem ser usados se a melodia permite e não podem ser usados se a melodia não permite. Na música tonal, e é disso que toda harmonia trata, a melodia nunca pode ser desconsiderada. :devilsmiley::hypocritesmiley:

Isso aí valeu mais do que alguns cursos de harmonia por aí...

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Posts do Renato são sempre aulas! :thumbsupsmiley:

Só fiquei um pouco com a pulga atrás da orelha em relação a melodias não permitirem o uso de certos acordes. Na música popular se toma muita liberdade, os músicos modificam ou estilizam as melodias em função da rearmonização. Ou será que eu entendi errado?

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Esse "erros" harmônicos só são realmente erros em determinados contextos. Em jazz, principalmente, as dissonancias são mais para agregar densidade ao acorde, sugerir escalas (para, inclusive, opor-se a elas na melodia. Ver isso na música de Hermeto) do que para criar contraponto com a melodia. É uma maneira diferente de tratar a relação acompanhamento/melodia e que não é restrita ao jazz e a música popular. No final das contas, é só tratar o erro com carinho que ele vira acerto :)

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Fala Eugênio,

é bem simples. Cada vez que usamos um acorde que não pertence ao campo harmônico estamos alterando algumas notas para consegui-los. Os dominantes secunários por exemplo têm origem na música modal, mais particularmente na música ficta, onde uma sensível artificial (nota colocada 1/2 tom abaixo da nota de chegada) era utilizada para dar estabilidade a última nota do modo (chamada de finalis).

O modo maior a possui e seu nome é justamente sensível da escala, o menor natural não a tem. Por isso a "invenção" da menor harmônica que tem seu sétimo grau alterado meio tom acima e que gera a terça maior do V grau. Diga-se de passagem que sem a menor harmônica ou melódica não existe tonalidade menor, e sim modo menor, que é outra coisa (música modal).

Pois bem, se alteramos notas da escala para gerar esses dominantes secundários, precisamos verificar se no momento em que inserimos esse acorde preparatório não há simultaneamente na melodia e em estado natural a nota que iremos alterar para construir o dominante secundário.

Veja abaixo:

Dominantes_secundarias.jpg

Um primeiro ponto é explicar que, em harmonia tradicional, quando temos uma cadência de dominante-tônica (ou dominante secundária e qualquer outro acorde estável que finalize a cadência) e o primeiro acorde está completo (com 5J) a resolução deve ser incompleta (sem 5J) para evitar quintas paralelas. Se o primeiro acorde está incompleto (sem a 5J e fundamental dobrada) a resolução é completa sem maiores problemas. Essa duas construções estão demonstradas no dois primeiros compassos.

Pensemos no tom Dó maior com as notas dos exemplos entrando em tempo forte e sem assumir papel de apojatura ou nota de passagem acentuada. Agora imagine que você quer colocar o V7/ii mas na melodia existe a nota dó natural. Se para construir o acorde você precisa de dó#, que é a terça da dominante, a melodia impede essa construção.

Já se a melodia tem essa alteração em sua construção o dominante secundário é simplesmente necessário (caso de muitas composições como Sampa do Caetano onde a melodia passa por sol# no momento em que aparece o E7, no segundo compasso do exemplo abaixo pensando no tom original).

/ I / V7/vi / vi / V7/IV / IV /

Ainda usando Sampa como exemplo a partir do canto, no momento em que aparece o V7/IV (onde a nota alterada é sib), a melodia não tem si natural nem sib, o que define minha terceira colocação de que a melodia não pede mas também não proibe o uso do dominante secundário.

No caso do vídeo de Asa Branca é diferente. As pessoas tem mania de enfiar dissonâncias a torto e a direita sem analisar a melodia e a estética da música. A peça é uma música simples, quase folclórica e não pede essas dissonâncias. De qualquer modo é possível colocá-las desde que não entrem em conflito no caso de desejarmos manter a melodia intacta.

Se a nota repousa na fundamental do acorde (ou oitava) a colocação de uma 7M gera um intervalo de 2ªm que é imcompatível com a proposta melódica onde a nota fá é repouso dentro do acorde F e acaba virando uma dissonância não tratada.

Agora, muita gente pode dizer que gosta e pronto. Aí eu digo que gosto se discute diante de uma arte que tem pelo menos 1000 anos de documentação.

Essa história que algumas pessoas dizem de que em arte nada é errado é uma visão extremamente simplista e desinformada.

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