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carlos eduardo

Harmonia Tradicional e Funcional

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Esse "erros" harmônicos só são realmente erros em determinados contextos. Em jazz, principalmente, as dissonancias são mais para agregar densidade ao acorde, sugerir escalas (para, inclusive, opor-se a elas na melodia. Ver isso na música de Hermeto) do que para criar contraponto com a melodia. É uma maneira diferente de tratar a relação acompanhamento/melodia e que não é restrita ao jazz e a música popular. No final das contas, é só tratar o erro com carinho que ele vira acerto :)

Amon, gostaria que você me explicasse de onde tirou essa informação de que no jazz as dissonâncias são para agregar densidade ao acorde e que me desse um exemplo de uma passagem de uma música do Hermeto onde isso acontece.

Além disso deixo algumas perguntas:

- Como tratar um erro com carinho o transforma em acerto?

- Quando você insere dissonâncias no acorde você está fortalecendo ou enfraquecendo o mesmo?

- O que é mais denso? O que é forte/concentrado ou o que é fraco/diluido?

Abraço

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É simples. Uma tríade é um acorde menos denso que uma tétrade, e este, menos denso que um acorde de nona. Não é um termo de uso tão incomum, olha ele aqui: (...) Daí a pertinente asserção, já de uso em si mesmo arquetípico, de que a história da tonalidade é a própria história do acorde de dominante. Quando muito admitiam-se alterações (em geral, por acréscimo de notas) à função-espelho da dominante no eixo de quintas, ou seja, à função da subdominante, sendo que, nesses casos, tinha-se como resultado mais uma densificação harmônica ainda plenamente estável que propriamente alguma instabilidade que requeresse maior grau de resolutividade. (Música Maximalista, Flô Menezes. Pg. 40)

Sabemos que, na musica tonal, qualquer nota que não seja a própria fundamental ou outra que polarize esta, como sua quinta, amolece o acorde (a estabilidade do grau onde foi construído o acorde). Então, respondendo sua pergunta, ou esclarecendo melhor, falo de densidade harmônica pura (do aumento do aglomerado. Em jazz, produzindo “cores”) e não da estabilização do grau.

O que eu falei do Hermeto foi como ele contrasta a melodia propriamente dita com a sugestão de escalas feita pelos acordes da harmonia.

Tem uma transcrição da Musica “Cores” aqui : http://teses.musicodobrasil.com.br/a-musica-experimental-de-hermeto-pascoal-e-grupo.pdf

Pg. 147

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Concordo com o seu ponto de vista quanto à densidade do acorde ter relação com a sua quantidade de notas, música, porém, não é feita de acordes estáticos mais ou menos densos. No próprio texto do Flô pode-se entender que esse aumento da densidade do arquétipo não gera uma instabilidade "que requeresse um maior grau de resolutividade". Além disso seria preciso ler todo o capítulo para entender o contexto dessa frase que você citou. Sem esquecer que o subtítulo do livro é ensaios sobre a música radical e especulativa, título este que, ao meu ver, não abarca o universo de nenhum dos exemplos citados no tópico.

A percepção do que é tensão ou relaxamento vem exatamente da mudança de um acorde para outro. Tanto que muitas vezes a própria repetição de uma acorde que é inicialmente entendido como tensão pode servir de modulação por insistência. Afinal, modulação, de uma forma bem simplista, é o esquecimento de onde se estava e o reconhecimento de um novo centro de repouso melódico/harmônico.

Dentro desse ponto de vista, quanto mais dissonâncias dentro do arquétipo mais notas em comum entre os possíveis acordes e mais suave aos ouvidos suas relações. Se estamos em um acorde de C e vamos para um G7 mantemos apenas uma nota em comum. Se temos um C7M/9 e vamos para um G7/9 mantemos três (sol, si e ré), se fosse um G7/13 manteríamos quatro (sol, si, ré e mi). Quando lhe perguntei sobre o fortalecimento ou enfraquecimento do acorde estava falando exatamente disso. O acorde com mais dissonâncias é mais denso em quantidade, mas mais fraco em sua identidade por aceitar mais notas da escala como notas comuns à ele.

Como você mesmo disse a fundamental é a alma do acorde e acredito que as dissonâncias no Jazz não são apenas para aumentar a densidade do acorde, mas também para "amaciar" o uso de muitos acordes e progressões secundárias de maneira a manter as notas da melodia dentro da proposta estabilidade/instabilidade.

Para comentar a música do Hermeto temos que fazer uma análise e não estou com tempo para isso agora, mas podemos ir fazendo aos poucos num novo tópico.

Minha única procupação é quanto à sua frase "No final das contas, é só tratar o erro com carinho que ele vira acerto". Isso posto assim publicamente em um fórum onde se procura valorizar a arte musical, quer seja a do violão ou não, me parece bastante perigoso. Às vezes achamos que estamos conversando apenas entre nós e esquecemos que muitas pessoas acessam o fórum que podem ler e levar como regra alguma frase mal colocada.

Abraços e vamos nos falando.

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Para comentar a música do Hermeto temos que fazer uma análise e não estou com tempo para isso agora, mas podemos ir fazendo aos poucos num novo tópico.

Isso seria de MUITA serventia a todos que acessam o fórum!!! :yes:

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O Renato tá certinho, erro é erro, e o povo da música popular geralmente manda as regras pro inferno só pra parecer moderno.

Não sei se é por preguiça ou o que, mas basta analisar os contrapontos os encadeamentos de Bach, por exemplo, pra se ter uma idéia das barbaridades que se comete em música popular.

Toco choro e toco jazz, e muitas vezes me espanto com coisas que ouço, sem pé nem cabeça, como já escrevi lá em cima, só pra parecer moderno, mas o detalhe é, quando você ouve os grandes do jazz, raramente, pra não falar nunca, você ouve alguma coisa errada.

Uma vez ouvi alguém falando que fulano não improvisava nada outside, era tudo dentro da harmonia, na hora falei, puxa, que bom né? :icon_twisted:

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Isso seria de MUITA serventia a todos que acessam o fórum!!! :yes:

Pois é Vina, mas você viu a partitura? Não acho que uma análise dessa música iria contribuir muito porque está como melodia e cifras e já de cara tem um D7M e melodia láb, depois A7M e melodia presa em láb. Ou seja, está escrita para ser tocada e, na minha opinião, mal escrita. Seria legal termos a melodia com o acompanhamento do piano para ver o que realmente é tocado, até porque ouvi a música e ela não parece tão "torta" como as cifras sugerem.

Veja aí:

Vamos conversando. Abraço.

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O Renato tá certinho, erro é erro, e o povo da música popular geralmente manda as regras pro inferno só pra parecer moderno. Não sei se é por preguiça ou o que, mas basta analisar os contrapontos os encadeamentos de Bach, por exemplo, pra se ter uma idéia das barbaridades que se comete em música popular. Toco choro e toco jazz, e muitas vezes me espanto com coisas que ouço, sem pé nem cabeça, como já escrevi lá em cima, só pra parecer moderno, mas o detalhe é, quando você ouve os grandes do jazz, raramente, pra não falar nunca, você ouve alguma coisa errada. Uma vez ouvi alguém falando que fulano não improvisava nada outside, era tudo dentro da harmonia, na hora falei, puxa, que bom né? :icon_twisted:

Pois é. O duro é fazer música de 30 minutos consistente, cheia de tensões e ainda por cima respeitando uma lógica.

Como essa:

Abraço.

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Estou viajando, no momento. Quando tiver um tempo eu comento. Po, Renato. Vc foi implicar justamente com a parte mais poética do meu texto :D Abraço.

Amon, poética sim, mas acho que você entendeu meu ponto de vista.

Abraço.

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Muito obrigado pessoal!! Nessa brincadeira toda consegui desmistificar muita coisa. O Renato colocou essa questão da nomenclatura, que a grande diferença está é ai mesmo. Essa questão das regras também foram legais, elas estão desde o período barroco, independente dos "estilos". Bacana mesmo!

Abçs a todos!!

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