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carlos eduardo

Harmonia Tradicional e Funcional

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Peço licença aos colegas para frequentar mais esse fórum. Assuntos ótimos e eu aprendendo muito lendo aqui.

Não há necessidade de pedir licença, a casa é sua. :yes:

Bem vindo, Sidney. Eu costumo frequentar mais o outro, mas esse fórum do Eugênio também é muito bom. E já tem um ótimo acervo...

Não existe fórum do Eugenio nem fórum do Zanon, sai pra lá com essa história! :33:

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O que chamei de erro no vídeo foi uma interpretação harmônica equivocada sobre uma composição que estava correta. É o cara querer "rearmonizar" a canção sem ter noção do que está fazendo. Procedimento semelhante seria corrigir a literatura de cordel através da norma culta ou re-escrever um artigo com linguagem informal. O que está em julgamento não é o ato composicional e sim a sua interpretação feita sem embasamento.

[...]

Meu TCC foi um artigo sobre dois arranjos de canções populares para violão solo. As peças analisadas foram Beatriz, com arranjo de Marco Pereira, e Asa Branca, com arranjo de Diogo Carvalho. Qual não foi minha surpresa ao verificar que Asa Branca tem praticamente o mesmo cuidado e formalidade melódica da Sonata K331 de Mozart. E feita por um cara que não teve acesso a nenhum estudo formal de teoria musical.

Então, a música popular é riquíssima sim e tem pérolas únicas esperando para serem descobertas pela academia. Mas o problema é enorme, porque enquanto a academia se nega a estudá-las com respeito e profundidade, uma parcela de "músicos" populares se nega a aprender, também com respeito e profundidade, as matérias que o ajudariam a enriquecer verdadeiramente o material que compõe sua arte. Não podemos esquecer que os artifícios de ampliação harmônica (dominantes secundárias, extensões, subdominantes menores e etc) mostrados nos vídeos são heranças da música formal desde o século XVIII (no mínimo).

Resumindo, andam colocando bacon e batata frita na moqueca pra ver se as crianças comem sem reclamar.

Abraço.

Renato, acho que nem existe polêmica em relação aos vídeos didáticos. Quem se dispõe a ensinar as regras de escalas, acordes, harpejos tem que tocar as notas seguindo a norma. A gente entra em polêmica quando começa a falar de qualidade de composição musical.

Veja, o exemplo que você deu com Asa Branca é exatamente o que me deixa com o pé atrás, e por favor não me entenda errado, eu sou seu fã de carteirinha. Mas quando você indica que Asa Branca tem praticamente o mesmo cuidado que uma Sonata de Mozart, você usou a música clássica como referência para a análise de um trabalho popular.

Na superfície, soa como um grande elogio a Asa Branca. Mas o que eu estou tentando dizer é que Asa Branca não precisa de análise harmônica nem de ter a elaboração de uma sonata de Mozart pra ser uma obra-prima, porque o que elevou essa canção a esse patamar não necessariamente passa por esses critérios. Se Gonzação fez isso tudo sem saber, maravilha, ponto a mais pra ele, mas não é preciso ter essa "bênção" da análise.

Enfim, quem precisa dessa bênção é quem compõe música clássica ou outros estilos que requerem esse tipo de embasamento analítico. Esses são universos onde esses aspectos que permeiam criação musical são apreciados e/ou exigidos.

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Renato, acho que nem existe polêmica em relação aos vídeos didáticos. Quem se dispõe a ensinar as regras de escalas, acordes, harpejos tem que tocar as notas seguindo a norma. A gente entra em polêmica quando começa a falar de qualidade de composição musical.

Veja, o exemplo que você deu com Asa Branca é exatamente o que me deixa com o pé atrás, e por favor não me entenda errado, eu sou seu fã de carteirinha. Mas quando você indica que Asa Branca tem praticamente o mesmo cuidado que uma Sonata de Mozart, você usou a música clássica como referência para a análise de um trabalho popular.

Na superfície, soa como um grande elogio a Asa Branca. Mas o que eu estou tentando dizer é que Asa Branca não precisa de análise harmônica nem de ter a elaboração de uma sonata de Mozart pra ser uma obra-prima, porque o que elevou essa canção a esse patamar não necessariamente passa por esses critérios. Se Gonzação fez isso tudo sem saber, maravilha, ponto a mais pra ele, mas não é preciso ter essa "bênção" da análise.

Enfim, quem precisa dessa bênção é quem compõe música clássica ou outros estilos que requerem esse tipo de embasamento analítico. Esses são universos onde esses aspectos que permeiam criação musical são apreciados e/ou exigidos.

Mas Eugenio, na verdade, nem Mozart, nem Bach, nem Luiz Gonzaga ou Pixinguinha, precisam de análise harmônica para serem bons. A maior parte das pessoas que frequentam uma sala de concerto não faz a menor idéia do que seja análise harmônica, arrisco até, que uma boa parte não sabe nem distinguir uma interpretação boa de uma ruim.

O que realmente não poderia acontecer, e acontece demais, é o cara escrever um C7M e na melodia tem um Bb, ou coisa do tipo, isso não é liberdade de música popular, isso não é ser moderno, é errado, é simples.

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Mas se não fosse esse "esmero" de Gonzaga, mesmo sem saber, a música não seria o que é. Realmente você não precisa avaliar harmonicamente toda música pra saber se ela é boa ou ruim, mas saiba que se fizer, essa análise vai funcionar e a música boa vai se justificar sendo boa inclusive por esses "parâmetros de avaliação".

Não que eu seja um profundo entendedor de música, mas me espanta esses erros que o Canduta o Renato apontaram, isso é uma coisa bem elementar pra se errar e se PASSAR errado pra alguém...

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Mas Eugenio, na verdade, nem Mozart, nem Bach, nem Luiz Gonzaga ou Pixinguinha, precisam de análise harmônica para serem bons. A maior parte das pessoas que frequentam uma sala de concerto não faz a menor idéia do que seja análise harmônica, arrisco até, que uma boa parte não sabe nem distinguir uma interpretação boa de uma ruim.

O que realmente não poderia acontecer, e acontece demais, é o cara escrever um C7M e na melodia tem um Bb, ou coisa do tipo, isso não é liberdade de música popular, isso não é ser moderno, é errado, é simples.

Canduta, pode ser errado dentro de um contexto e indiferente dentro de outros. Música é organizada por regras arbitrárias, não existem regras absolutas. Séculos atrás alguém dividiu uma oitava em 12 notas, mas não há nada que impeça que essa divisão seja feita em 16 intervalos.

Numa analogia, se um cara se propõe a escrever um soneto e não coloca rimas nem agrupa os versos de uma maneira específica, cometeu um erro. Se o poema é escrito em forma livre, muda o contexto. Em música popular muitos acordes estão ali apenas para fornecer uma movimentação harmônica e mais nada, não existe preocupação com condução de vozes nem "modos".

E a minha "encrenca" com análise harmônica não é a análise em si, a qual, na verdade, eu acho fascinante. A minha encrenca é o uso da ferramenta como selo de qualidade ou juízo de valor artístico pra tudo e pra todos. Isso é uma crença que persiste, o que o Rocha postou, por exemplo, reforça isso, a idéia de que música "boa" sempre passa pelo crivo da análise.

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Sempre não Eugênio, mas se fizer, passa. Nesse caso ai a recíproca nao é verdadeira.

Me lembro num documentário x o Paulinho falando sobre o Canhoto, ele diz que é apaixonado pela música dele, acha linda, e isso nem precisaria das análises harmonicas, parar e apontar os acordes. Mas ao falar - no tom que ele fala - dá essa idéia, de que se fizer, você vê que é tudo lógico, encaixado, que faz sentido e que o somatório de todos esses detalhes de harmonia, melodia, etc, no fim, somados, dá o resultado.

Eu concordo 300% com você de que nao deve estar amarrado pra se definir boa música por isso, mas eu realmente acredito que precise disso pra se fazer, ainda que involuntariamente. As analogias são infinitas, você pinta um bom quadro, usando entre outras ferramentas a técnica (existente ou sua). Se quem entende for avaliar seu quadro, vai observar os detalhes tecnicos, pro leigo, ele não vê, mas não significa que não estejam lá.

Edited by rocha

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Rocha, mas a música popular não se limita ao instrumental do Paulinho Nogueira ou outros que muitas vezes são músicos bastante estudados. Música popular de alto nivel também inclui Renato Russo e Michael Jackson. Mas é muito raro você ver trabalhos que analisam melodia, harmonia e letra como um conjunto. Existe uma lacuna enorme no estudo do popular pelo popular.

Em relação às regras, é claro que você pode dizer que fulano ou sicrano não usam a norma culta, daí a determinar que eles escrevem ou falam "errado" e por isso produzem algo de qualidade inferior vai uma distância de milhares de anos-luz, e é por esse mesmo caminho que eu vejo análise musical! :thumbsup:

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Em relação às regras, é claro que você pode dizer que fulano ou sicrano não usam a norma culta, daí a determinar que eles escrevem ou falam "errado" e por isso produzem algo de qualidade inferior vai uma distância de milhares de anos-luz, e é por esse mesmo caminho que eu vejo análise musical! :thumbsup:

De repente é o caso de vermos situações como essa não como "errada", mas que pode ser mexida, "corrigida" para haver uma melhora de certa forma.

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De repente é o caso de vermos situações como essa não como "errada", mas que pode ser mexida, "corrigida" para haver uma melhora de certa forma.

Mas a premissa de que uma obra pode ser melhorada não pertence a quem analisa, quem decide o produto final é o artista. Não há nada pra ser mexido em Preta Pretinha nem Em Pra Não Dizer que Não Falei das Flores. São canções de dois acordes naturais que cumprem magistralmente aquilo a que se dispõem. Também não há nada pra melhorar nas letras de Humberto Teixeira.

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