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carlos eduardo

Harmonia Tradicional e Funcional

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Renato, acho que não resta a menor dúvida que o sujeito teve que aprender música de alguma forma, acho que nessa parte a gente concorda. Eu uso a palavra intuição para me referir a uma abordagem não formal, não analítica da música.

Na música popular, s ausência dessa formalidade que se vê na música erudita é que talvez, em parte, crie esse "relaxamento" em torno das regras. Em uma simplificação grosseira, quando você não tem regras estritas, desobedecer não precisa passar por uma explicação formal.

Obrigado pela tradução. Eu concordo com a abordagem proposta pelo Roberto, inclusive foi o que eu mencionei ao falar de lingüista versus professor de português, mas na prática o que se vê é outra coisa, eu vejo o predomínio da bagagem sobre todo o resto. E o material citado é novamente sobre harmonia. Mas eu pergunto, onde é que se acha material estudando algo como a bateria de uma escola de samba?

Arte x artesanato x entretenimento x diversão x lixo cultural é um debate interminável. Minha pulga atrás da orelha está na definição de arte. Na verdade, nem tanto na definição que muitos filósofos como o Hegel formularam, mas no processo de decomposição do material artístico. A gente fala em música pela música, obra de arte, etc, mas certas manifestações artísticas perdem o sentido quando decompostas.

Por exemplo, freqüentemente se analisa João Gilberto pela voz OU pelo violão, mas não pelos dois juntos e conjugados. Você pode separar, mas a obra é apresentada em conjunto e uma coisa interfere com a outra. Ele decide inserir certas pausas ou mudanças na batida em função da letra ou da forma como ele vai enunciar uma frase. Enfim, existe uma manifestação artística sendo apresentada com dois elementos se complementando.

Você argumenta que se a música é um veículo ela não se sustenta sozinha como obra de arte e eu posso contra-argumentar dizendo que as partes não têm que se sustentar sozinhas ou separadamente, que a visão e abordagem correta seria, de fato, encarar a obra em questão como algo que precisa de uma abordagem multi-disciplinar pra ser entendida e ter o seu valor artístico devidamente apreciado.

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Eugênio,

tudo o que eu quis dizer até agora é que na música há "regras" ou procedimentos que podem ajudar a solucionar muitos problemas quando o músico começa a trilhar caminhos que são novos para ele. Ou no mínimo apontar soluções. Você deve ter acompanhado o tópico com o exercício de harmonização, veja só, era um exercício simples onde surgiram algumas dúvidas que seriam dirimidas facilmente com um pouco de estudo desses procedimentos. Ou seja, antes de podar a árvore criando figuras artísticas simplesmente aprender a podar mantendo-a viva.

O que defendo não é a regra como rédea, muito pelo contrário. Minha posição é a de que conhecer o funcionamento do mundo em que vivemos é o que razoavelmente pode nos apontar um caminho diferente dos já percorridos, por mais difícil que isso possa ser. Do contrário o refinamento fica por conta da sorte ou azar do indivíduo em encontrar um ambiente propício para que ele se desenvolva.

Não duvido que uma pessoa possa desenvolver uma linguagem musical própria sem ter conhecimento teórico, sempre há gênios que desafiam todas as explicações, mas ainda não inventaram aula de genialidade e não consigo aceitar a exceção como caminho seguro para um aprendizado.

Obrigado pela tradução. Eu concordo com a abordagem proposta pelo Roberto, inclusive foi o que eu mencionei ao falar de lingüista versus professor de português, mas na prática o que se vê é outra coisa, eu vejo o predomínio da bagagem sobre todo o resto. E o material citado é novamente sobre harmonia. Mas eu pergunto, onde é que se acha material estudando algo como a bateria de uma escola de samba?

A proposta é do Jeffrey Kresky, o Roberto apenas traduziu. Mas veja que se o material do livro é sobre música tonal a abordagem pode servir para qualquer organização musical.

Não sei se acharíamos material pronto sobre escolas de samba e seu desenvolvimento estilístico, talvez fosse necessária uma grande pesquisa sobre seus primórdios e sua evolução, mas ainda acho que uma metodologia para abordagem da organização de seus elementos básicos e derivados iriam apontar para um território de procedimentos habituais que seriam de grande valia para aquele que desejasse entendê-los.

Enfim, entendo suas colocações e gostaria de sentí-las como apropriadas, mas vendo tanta gente cometendo "erros" básicos fica bem difícil. E finalmente, como já disse em outro post, não são as regras que irão garantir a obra de arte, mas podem ajudar a garantir um bom artesanato. :thumbsupsmiley:

Abraço.

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Renato, acho que a gente compartilha o mesmo entusiasmo pela educação e divulgação do conhecimento e o debate gira em torno das minúcias. Quando você falou em erros básicos, eu pensei em sintetizar apontando mais uma vez o que eu vejo como carência de entendimento da academia em relação à música popular.

Eu falei em bateria de escola de samba, mas não lembro de ter visto trabalhos detalhando como os diversos instrumentos de percussão interagem no conjunto. Também raramente vejo uma terminologia ou um vocabulário, proposições do tipo "orquestra de percussão" ou "polifonia ritmica" são difíceis de encontrar.

Canção popular tem um entrelaçamento tão grande de melodia, harmonia e letra que eu penso que a melhor proposição é olhar o conjunto completo.

Enfim, é por conta dessa falta de domínio desse material que eu tenho dificuldade de aplicar certas regras da escola européia a estilos que herdaram tanto de outras linhagens.

Eu tenho um monte de exemplos que eu pensei em apontar, mas será que eu não comecei a me repetir? :conversa-mole:

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Renato, acho que a gente compartilha o mesmo entusiasmo pela educação e divulgação do conhecimento e o debate gira em torno das minúcias.

Com toda certeza

Eu falei em bateria de escola de samba, mas não lembro de ter visto trabalhos detalhando como os diversos instrumentos de percussão interagem no conjunto. Também raramente vejo uma terminologia ou um vocabulário, proposições do tipo "orquestra de percussão" ou "polifonia ritmica" são difíceis de encontrar.

Talvez poliritmia e polimetria.

Uma peça escrita para percussão:

Canção popular tem um entrelaçamento tão grande de melodia, harmonia e letra que eu penso que a melhor proposição é olhar o conjunto completo.

Isso é ponto pacífico

Enfim, é por conta dessa falta de domínio desse material que eu tenho dificuldade de aplicar certas regras da escola européia a estilos que herdaram tanto de outras linhagens.

O que vejo como "erros" raramente se aplica a músicas populares originais. Eles acontecem muito mais quando o cara quer fazer um novo arranjo.

Eu tenho um monte de exemplos que eu pensei em apontar, mas será que eu não comecei a me repetir? :conversa-mole:

Nós dois estamos nos repetindo, mas de qualquer forma acho que o tópico e a discussão foram salutares

Abraço

Edited by Renato Candro

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Obrigado pelo vídeo!

Tem um concerto pra percussão e orquestra do Naná Vasconcelos, Nelson Ayres também escreveu um concertinho, tem outras peças escritas para percussão, mas o que eu sinto falta é de uma tentativa maior de compreensão dos conjuntos percussivos e a função de cada instrumento no conjunto. Em harmonia a gente estuda a relação entre as notas, intervalos, tensões, em percussão eu vejo muito pouco sendo estudado sobre isso, mas ao mesmo é algo que se ouve todo dia!

Um exemplo é a Patusca de Gandhi, cantada por GIlberto Gil. É um ijexá que começa de forma quase didática, com toda a base percussiva sendo montada instrumento por instrumento.

Mas aí o tópico deixa de ser harmonia funcional... Teria que ser ritmo funcional, ou percussão funcional... :icon_twisted:

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