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mbscardoso

Técnicas do violão brasileiro

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Eugênio,

Interessante sua maneira de pensar. Será que Vc poderia ajudar-me dizendo, Se possível, quais os aspectos de técnica do violão brasileiro que divergem do clássico?

Dilermando é o romântico exagerado, dos violonistas novos, acho que só o Yamandu sabe tocar bem esse tipo de repertório.

Canhoto também segue a mesma linha.

Muita gente tenta polir a música desses caras e acaba ficando uma coisa meio esquisita, dura, certinha, sem graça.

Quanto ao tópico original, o Vinicius trouxe algo importante, muita gente no exterior pensa em violão brasileiro como sendo um estilo a ser tocado com a técnica clássica.

No flamenco todo mundo pensa em estilo com uma técnica mais específica, o violão brasileiro pode não ser tão específico quanto o flamenco, mas também tem aspectos técnicos fogem à técnica pura do violão clássico.

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Acho que esse assunto merece um tópico separado, então aqui vamos nós!

Marcos, a mudança técnica começa a ser vista já no Garoto, mas explode mesmo é com o Baden. A gente pode fazer uma lista

Eu mencionaria logo de saída:

Rasgueado brasileiro

Consiste em usar i-m como se fosse pra solar, mas em vez de tocar apenas uma corda, você toca acordes inteiros. O Baden é o grande precursor dessa técnica, que dava a ele muita velocidade, muita potência de som e ao mesmo tempo permitia que ele continuasse tendo controle independente dos baixos.

A Lenda do Abaeté é um exemplo bem notório disso. Sem essa técnica, a música fica horrível. O nosso amigo de fórum Renato Candro gravou essa peça recentemente, a técnica usada fica bem evidente em 1:30

E aqui o próprio Baden, que começa a usar a técnica em 0:45

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O polegar no violão brasileiro trabalha de maneira um pouco diferente do clássico, também. Uma grande parte dos violonistas trabalha sempre com o polegar apoiado: Raphael Rabello, Baden, Penezzi, Euclides Marques, Yamandu, se repararem, todos eles estão sempre apoiando o polegar. Isso, eu acredito, se deve pra dar a característica do baixo do choro, que tem uma sonoridade particular e a marcação bem presente. Mas tem muita gente ótima que não trabalha sempre com o polegar dessa forma.

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Pedal com p-i

Embora Garoto tenha inicialmente usado alzapúa, Lamentos do Morro é mais comumente tocada com p-i. Mas tem várias peças e arranjos, inclusive essa técnica é comum no violão popular cantado. Veja vídeo do Jorge Vercillo também abaixo.

O arranjo de Ulisses Rocha para Infância (Egberto Gismonti) é de pirar o cabeção no uso dessa técnica.

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Garoto usava polegar pra baixo e pra cima.

Mas a técnica só começou a ganhar popularidade depois do Raphael. Hoje muita gente usa, Tardelli, Yamandu, Penezzi, etc.

Eu também incluíria alzapúa como parte da técnica do violão brasileiro moderno.

O Yamandu usa tanto alzapúa quando p-i no Samba pro Rapha (isso sem falar no polegar bem pesadão).

Aqui o Tardelli.

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Imagino que usar alzapua naquele pedal do Lamentos do Morro é bastante complicado para manter a uniformidade do timbre, acho que por isso sempre fiz com polegar pra baixo. Em alguns momentos uso alzapua pra fazer aquela levada de samba meio Rabelliana, acredito que ele também usava. O Penezzi usa inclusive pra fazer baixarias com frases longas :wacko:

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Interessante tudo isso! Não fazia ideia. Estou estudando clássico e vendo alguma coisa de violão brasileiro, mas não cheguei neste nivel aí. Ainda estou no caixa de fósforo, sons de carrilhões e começando "Se ela perguntar ".

Estou aprendendo muito com a discussão!Muito obrigado a todos! Só Não entendi bem o rasgueado... Tive dificuldades de enxergar no vídeo, apesar da paciência do Eugênio em apontar minuto e segundo em que acontece!

Edited by Marcos Vinnícius

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O lance do "rasgueado brasileiro" é o seguinte: Imagine que você faz uma escala com i-m, certo? Imagine o movimento. Agora, em vez de atacar nota por nota com esse movimento e fazer a escala, você ataca um acorde com esse mesmo movimento, e em vez de cada dedo tocar uma única corda (para tocar a nota), ele irá tocar duas ou três cordas (para tocar o acorde). É basicamente isso que é o rasgueado brasileiro.

Quando toco Lamentos do Morro inspirado no que o Raphael Rabello arranjou, eu toco o acorde mais ou menos dessa forma, mas feito só com o dedo anelar. Tem gente que puxa o acorde com médio, anelar e mindinho, mas acho mais fácil tocar só com anelar.

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Marcos, eu gravei esse vídeozinho meio vagaba pra mostrar como é que funciona mais lentamente, acho que assim fica mais fácil. Está em inglês, eu primeiro mostro como as pessoas normalmente pensam que o Baden toca e em seguida como ele realmente tocava, que é diferente.

Também gravei outro vídeo simplório mostrando a alzapúa no caso do Yamandu:

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