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CarlosEdu

João Gilberto e o processo de harmonia no Brasil

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Sim, os acordes invertidos do Tom são mais complexos do que os dos choros (não sei se é a esse ponto que você se refere), mas eu quis chamar a atenção pra uma prática de base (a inversão) que já era de uso corrente. Então, nada mais natural que Jobim se utilizasse dela inclusive pra negar a influência jazzística direta.

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E quanto à famosa batida, acham que João Gilberto apresentou alguma inovação?

Luis Nassif diz que ela já existia numa gravação, de 1953, de uma música do Garoto pelo Trio Surdina. Segundo Nassif, essa gravação "mostra pela primeira vez, de forma irrefutável, a batida incorporada por João Gilberto, nos seus primeiros LPs. Idêntica! Com o tempo, João Gilberto aprimoraria especialmente os bordões. Mas no "Chega de Saudade", ainda era uma cópia completa da batida mostrada por Garoto"*.

Abaixo, a gravação citada pelo Nassif:

https://www.youtube.com/watch?v=-iXhOq8y0Xg

* Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/o-relogio-da-vovo-de-garoto-obra-seminal-e-desconhecida-da-bossa-nova

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Ele teve influência, com certeza, mas, alguém precisa lapidar os conhecimentos... e ele fez isso. Rabello e Baden tem maneiras singulares de tocar samba, João também.

Outra coisa inusitada pra época, foi a voz dele, rompeu o paradigma dos cantores de vozerão...

Acho que as vezes ficamos com uma ótica muito violonistica... Mas, o fato é que ele e Tom mudaram a história da MPB.

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Então vamos lá:

Realmente a gravação dele de Isaura e de Aos pés da Santa Cruz, são sensacionais.

A gravação dele de Sampa é um lixo total, medonha.

Não entendo que Tinhorão não estivesse espinafrando o JG quando falou em espertalhão, tava detonando mesmo.

Definitivamente as harmonias eram do Tom, que por sinal, uns anos depois não podia nem ouvir falar em JG.

O livro Chega de Saudade, que é muito bom, foi escrito por um dos maiores fãs de JG, o Ruy Castro.

Acho um mega super blaster exagero, falar que hoje em dia não teríamos isso, ou aquilo, sem o JG. Essa gravação aí do Trio Surdina, é um belo exemplo.

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Então vamos lá:

Realmente a gravação dele de Isaura e de Aos pés da Santa Cruz, são sensacionais.

A gravação dele de Sampa é um lixo total, medonha.

Não entendo que Tinhorão não estivesse espinafrando o JG quando falou em espertalhão, tava detonando mesmo.

Definitivamente as harmonias eram do Tom, que por sinal, uns anos depois não podia nem ouvir falar em JG.

O livro Chega de Saudade, que é muito bom, foi escrito por um dos maiores fãs de JG, o Ruy Castro.

Acho um mega super blaster exagero, falar que hoje em dia não teríamos isso, ou aquilo, sem o JG. Essa gravação aí do Trio Surdina, é um belo exemplo.

Sampa, realmente, Caetano é imbatível nessa, João quebrou muito a música rs.

Sim, sobre as harmonias do Tom, e repito, o que encantou foi a maneira de expor no violão que João fez, encantou.

Te compreendo Canduta, tenho um amigo prof. formado e ótimo violonista que até é desrespeitoso a dizer a "bosta nova de JG", eu como sempre fui fã dos acordes, amo de carteirinha rs, mas por saber quem era Tom, sua formação e a grandeza de suas obras: Luiza, Gabriela, Chega de Saudade, nunca fui a favor dos exageros a JG.

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Pois é, mas eu gostaria de ver esses cantores desenvolverem-se a partir do trabalho mais musical do João. Nenhum desses tem a fineza dos voicings ou a divisão rítmica. Todo mundo ficou no clichê da batida (que em João tinha relação com a melodia) e no cantar mais suave. O uso do violão, então, por estes citados, não tem uma atenção especial. É o que me parece.

Isso você encontra no primeiro disco de Chico Buarque. É quase uma cópia desavergonhada de João Gilberto. E Chico Buarque sempre foi um harmonizador de primeira, acho até que muito menos valorizado do que deveria.

Divisão rítmica é o terreno onde o Gil domina melhor que os outros da mesma geração, e ele bebe de 2 grandes fontes, a bossa-nova e os ritmos afro-brasileiros.

Mas o desenvolvimento da MPB é diferente da música clássica ou instrumental, o próprio Chico considera que depois de Pedro Pedreiro ele seguiu o próprio caminho e se desvencilhou da bossa-nova.

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E quanto à famosa batida, acham que João Gilberto apresentou alguma inovação?

Luis Nassif diz que ela já existia numa gravação, de 1953, de uma música do Garoto pelo Trio Surdina. Segundo Nassif, essa gravação "mostra pela primeira vez, de forma irrefutável, a batida incorporada por João Gilberto, nos seus primeiros LPs. Idêntica! Com o tempo, João Gilberto aprimoraria especialmente os bordões. Mas no "Chega de Saudade", ainda era uma cópia completa da batida mostrada por Garoto"*.

Abaixo, a gravação citada pelo Nassif:

https://www.youtube.com/watch?v=-iXhOq8y0Xg

* Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/o-relogio-da-vovo-de-garoto-obra-seminal-e-desconhecida-da-bossa-nova

Às vezes eu tenho a impressão de que existe uma tentativa de "desmascarar" o João Gilberto ou mostrar que ele não inventou nada. Todo mundo vinha experimentando com batidas de samba na época, Garoto, Bonfá, Menescal, Lira, etc. João Gilberto foi o músico que tocou a forma que prevaleceu e padronizou tudo. João sempre foi fã de Bonfá e Garoto, grandes influências e inclusive já participou de projetos de resgate da obra de Garoto. Mas o mérito maior de João Gilberto estava na maneira como ele pensa as canções e o violão de acompanhamento.

Então vamos lá:

Realmente a gravação dele de Isaura e de Aos pés da Santa Cruz, são sensacionais.

A gravação dele de Sampa é um lixo total, medonha.

Não entendo que Tinhorão não estivesse espinafrando o JG quando falou em espertalhão, tava detonando mesmo.

Definitivamente as harmonias eram do Tom, que por sinal, uns anos depois não podia nem ouvir falar em JG.

O livro Chega de Saudade, que é muito bom, foi escrito por um dos maiores fãs de JG, o Ruy Castro.

Acho um mega super blaster exagero, falar que hoje em dia não teríamos isso, ou aquilo, sem o JG. Essa gravação aí do Trio Surdina, é um belo exemplo.

O contexto de espertalhão na entrevista do Tinhorão seria o de tirar proveito da fama que se criou em torno dele. Nesse sentido, ele traz à tona a idéia de criar uma "persona" e tirar proveito disso. Não é diferente de Tim Maia, de Andrés Segovia, Egberto Gismonti, Caetano Veloso. Cada um com um estilo diferente.

Mas se for pra citar gravações ruins ou resultados artísticos questionáveis, aí não sobra ninguém, todo mundo bate pênalti pra fora em algum momento da vida. O que vale é o conjunto da obra e a influência que as idéias apresentadas tiveram.

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Isso você encontra no primeiro disco de Chico Buarque. É quase uma cópia desavergonhada de João Gilberto. E Chico Buarque sempre foi um harmonizador de primeira, acho até que muito menos valorizado do que deveria.

Divisão rítmica é o terreno onde o Gil domina melhor que os outros da mesma geração, e ele bebe de 2 grandes fontes, a bossa-nova e os ritmos afro-brasileiros.

Mas o desenvolvimento da MPB é diferente da música clássica ou instrumental, o próprio Chico considera que depois de Pedro Pedreiro ele seguiu o próprio caminho e se desvencilhou da bossa-nova.

Levando em conta a origem duvidosa do vídeo, a real intenção de Chico nele, prefiro tirar e evitamos controvérsias.

Maiores informações, vejam no próprio youtube: Chico sobre composições.

Grato nobres colegas por sinalizar a tempo.

Edited by CarlosEdu

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Às vezes eu tenho a impressão de que existe uma tentativa de "desmascarar" o João Gilberto ou mostrar que ele não inventou nada. Todo mundo vinha experimentando com batidas de samba na época, Garoto, Bonfá, Menescal, Lira, etc. João Gilberto foi o músico que tocou a forma que prevaleceu e padronizou tudo. João sempre foi fã de Bonfá e Garoto, grandes influências e inclusive já participou de projetos de resgate da obra de Garoto. Mas o mérito maior de João Gilberto estava na maneira como ele pensa as canções e o violão de acompanhamento.

O contexto de espertalhão na entrevista do Tinhorão seria o de tirar proveito da fama que se criou em torno dele. Nesse sentido, ele traz à tona a idéia de criar uma "persona" e tirar proveito disso. Não é diferente de Tim Maia, de Andrés Segovia, Egberto Gismonti, Caetano Veloso. Cada um com um estilo diferente.

Mas se for pra citar gravações ruins ou resultados artísticos questionáveis, aí não sobra ninguém, todo mundo bate pênalti pra fora em algum momento da vida. O que vale é o conjunto da obra e a influência que as idéias apresentadas tiveram.

Sábias considerações!

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Chico Buarque sempre foi um piadista, espero que ninguém esteja levando isso a sério.

Ele usou um pseudônimo de Julinho da Adelaide no tempo da ditadura pra fazer as músicas passarem pelos censores.

Tinha gente que dizia que era o pai dele que escrevia as letras. Ele até hoje tira sarro disso.

Mesma coisa com essa história de escrever no feminino, diziam que era uma mulher que escrevia pra ele.

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