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João Gilberto e o processo de harmonia no Brasil


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Menescal e Lyra vieram depois do João. Quanto ao Bonfá, se conhecer uma gravação dele anterior a 1958 com acompanhamento de violão semelhante ao da bossa nova, peço que informe aqui.

Acho que ninguém discute se o padrão de violão bossa nova foi estabelecido pelo João Gilberto. Mas estabelecer é diferente de criar e é a criação que coloquei em discussão.

Dado que João Gilberto é apresentado como o criador da batida da bossa nova (vide, por exemplo, o livro do Ruy Castro), é natural que se procure verificar a veracidade dessa afirmação.

Luis Nassif fez uma afirmação contrária ao entendimento propagado e até hoje eu não soube de ninguém que tenha ouvido a citada gravação do Trio Surdina, comparado com a de Chega de Saudade do João e dito que o Nassif está enganado.

Lyra e Menescal não vieram depois, eles eram contemporâneos de João Gilberto. O primeiro disco de JG em 1959 tinha 3 composições de Carlos Lyra. Menescal começou a carreira em 1957.

O problema dessa abordagem do Nassif é que ela acaba sendo incorreta por ser incompleta. A gente pode argumentar que antes de João Gilberto o Mário Reis já cantava com voz pequena, que Dorival Caymmi já fazia voz e violão, que Garoto já usava dissonâncias, etc. João Gilberto coloca tudo junto de uma maneira que ainda não se tinha visto na harmonia, na divisão e no canto.

Enfim, analisar cada item separadamente é um exercício cuja utilidade eu considero questionável.

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Os acordes marcados no vídeo estão errados. Muitas vezes o João escolhia tocar só duas ou três cordas ao invés de tocar o acorde cheio. Isso pode ser considerado um cuidado adicional na condução dos acordes. E apesar de não ser novidade hoje, talvez fosse na época.

primeiros-acordes-chega-de-saudade-joao-

Esse tutorial de Desafinado é bem melhor e mostra esses detalhes como acordes com 3 notas.

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A divisão rítmica que João promove é no nível das nuances e na combinação voz/violão, bem diferente do Gil. Do mesmo jeito os voicings do João ao violão nem acho que sequer o Chico poderia imitar. De todo modo entendo que a coisa se renova e cada o faz de um jeito diferente e ao seu modo. Só não consigo enxergar essa influência ao menos nos aspectos que eu, particularmente, acho que o João foi interessante. O que o João fez, tanto faz se é muito ou se é pouco, só músicos instrumentistas fizeram igual, mas aí eu acho que é por desenvolvimento próprio e não por influência dele.

O desenvolvimento da música clássica também não tem uma orientação muito certa não. Por mais que certos grupos tentem puxar a sardinha histórica pro lado deles pra tentar mostrar que o que eles fazem era o que era pra ser feito no momento, inevitavelmente.

Seria legal você citar alguns exemplos, eu tenho certeza que você tem algumas canções em mente. :thumbsup:

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Esse tutorial de Desafinado é bem melhor e mostra esses detalhes como acordes com 3 notas.

https://www.youtube.com/watch?v=8GOxBiGBZPw

Em alguns casos, JG suprime a quinta que é um intervalo que não faz falta, ja que é o segundo intervalo da série harmônica.

Acho que Eugênio sintetizou: JB juntou os conteúdos de maneira inédita.

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hahahahaha, o que é divertido, é que onde entra o assunto JG, a polêmica se faz presente, o que mostra que ele conseguiu despertar vários sentimentos nas pessoas.

Continuo achando-o, como músico e como pessoa, uma mala sem tamanho, realmente aceito que ele, até certo ponto, veio com alguma coisa nova, diferente, mas pra mim seria um caso de pesquisa científica entender-se o por que de tanta coisa com JG.

Tenho um amigo que tocou com ele há muitos anos atrás.

Como sempre, arrumou confusão.

Chegou ao Teatro, olha pros produtores e dispara: "Vim com essa camisa, mas não gosto dela, e não tocarei assim".

Produtores correm desesperados ao Mapin, que ficava aberto, e compram algumas camisas.

Ele experimenta todas e fala: " Não gostei de nenhuma, tocarei com a minha mesmo!

Hahahahaha, esse cara tinha que estar internado ( o livro do Rui Castro comprava isso!)

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Beleza Renato; os do Marco eu comprei e são de inicio, intelectualmente intragável, pois o cara é culto ao extremo, mas depois de um tempo, juntando as informações com outras leituras, vai se tornando grandiosamente cosmetível, pois o cara é genial.

Sobre o Chediak, observe que coloquei entre parenteses, o pessoal da MPB é que gostou bastante dele, digo pelos relatos ensimesmados de Caetano, Gil, e outras figuras, mas como volumes 1 e 2, prefiro o Norton Dudeque.

Você leu Arnold Schoenberg?

Estudei Schoenberg sim. Abraços.

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hahahahaha, o que é divertido, é que onde entra o assunto JG, a polêmica se faz presente, o que mostra que ele conseguiu despertar vários sentimentos nas pessoas.

Continuo achando-o, como músico e como pessoa, uma mala sem tamanho, realmente aceito que ele, até certo ponto, veio com alguma coisa nova, diferente, mas pra mim seria um caso de pesquisa científica entender-se o por que de tanta coisa com JG.

Tenho um amigo que tocou com ele há muitos anos atrás.

Como sempre, arrumou confusão.

Chegou ao Teatro, olha pros produtores e dispara: "Vim com essa camisa, mas não gosto dela, e não tocarei assim".

Produtores correm desesperados ao Mapin, que ficava aberto, e compram algumas camisas.

Ele experimenta todas e fala: " Não gostei de nenhuma, tocarei com a minha mesmo!

Hahahahaha, esse cara tinha que estar internado ( o livro do Rui Castro comprava isso!)[/

Kkkkkkkkkkkkkkkkkjkkkkkkk

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Eu acredito que ele tem uma telha solta, um parafuso a menos, sei lá.

Mas essas extravagâncias têm a ver com o profissionalismo dele, não com a música que ele produz.

Eu conheço artistas que são um pé no saco, mas a música que eles produzem é de primeira.

E nem perguntem que eu não vou dar nomes aos bois! :no:

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Seria legal você citar alguns exemplos, eu tenho certeza que você tem algumas canções em mente. :thumbsup:

Não sei se a gente tá se entendendo porque eu acho que é meio consensual que a música instrumental mais popular se baseia quase toda no desenvolvimento desse dois artifícios, que é a exploração dos voincings dos acordes e das nuances rítmicas da melodia.

Esse álbum, por exemplo, tem isso de sobra:

A primeira música é um 7/4 com uma harmonia muito simples (do tipo "So What", do Miles Davis) em que toda a graça harmônica está na distribuição sempre variada das vozes.

Ou se for o caso de uma coisa mais simples, cool e violonística, dentro da música instrumental, tem isso:

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