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leomoreira

Seria o 7 cordas o verdadeiro violao brasileiro?

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Vi uma entrevista do Yamandu ha pouco tempo na qual ele diz que cada vez mais violonistas populares brasileiros migram para o 7 cordas e que essa tendencia esta fazendo com que o instrumento seja de fato o violao brasileiro.

Devo dizer que concordo com ele, nao simplesmente por ser um violonista renomado opinando sobre o assunto, mas por perceber o forte apelo que o 7 cordas tem na musica brasileira. O instrumento ja era largamente usado no choro e no samba e, desde Raphael Rabello, comecou tambem a ser pensado como instrumento solo, especialmente para se tocar musica brasileira.

E' inegavel que a influencia de Rabello e Yamandu foi e ainda e' primordial para a propagacao do instrumento e ate mesmo para o fortalecimento da identidade do mesmo como o "violao brasileiro".

Lembro-me de ver uma entrevista de meu antigo professor de harmonia, Marco Pereira, na qual ele diz que o violao brasileiro e o espanhol (provavelmente estava a se referir ao violao flamenco) sao completamente diferentes e nao chegam a ser nem mesmo complementares. Creio que essa corda a mais acentua a diferenca e separe ainda mais os dois conceitos.

Enfim, simpatizo com o 7 cordas e acho extremamente benefico para a musica instrumental brasileira que este instrumento se popularize cada vez mais.

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Leo, esse é um excelente tópico. Eu também me lembro do Sérgio Assad também mencionando o futuro de violão brasileiro no 7 cordas.

Eu concordo com a idéia no geral, mas vejo um pouco de exagero.

Em se tratando de instrumentos, o violão popular brasileiro foi predominantemente o de aço até a época do Garoto e da bossa-nova, quando então houve uma migração em massa para o nylon.

Baden Powell foi o instrumentista que na minha opinião mais ajudou a definir a identidade do violão brasileiro.

O 7 cordas de aço tocado pelo Dino caminhou em paralelo a tudo isso. Aí veio o Raphael que era fã do Dino e expandiu um monte de idéias pro 7 de nylon solista.

O violão clássico também continuou se expandindo no Brasil.

Hoje eu vejo o 7 cordas de nylon cada vez mais forte, mas muitos violonistas novos empunhando 6 cordas: Josué Costa, Marcus Tardelli e muitos outros.

Eu vejo mais uma coexistência do que um futuro onde o violão de 6 seria substituido pelo de 7.

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Eugenio, concordo com a maior parte de seu posicionamento.

Com relacao a coexistencia, creio que este e' o tempo da coexistencia, mas as tendencias me levam a crer que o 6 cordas no popular ira se restringir ao acompanhamento, que o solo sera o de 7. Por que? Porque acredito que grandes nomes quebram paradigmas e mudam a historia. No caso do Baden, por exemplo, presenciamos o violao com cordas de nylon sendo fixado como padrao de instrumento dentro do universo de violao instrumental no Brasil. Certamente o crescimento do violao classico nessa epoca com Turibio Santos, Barbosa-Lima e outros reforcou isto. O 7 cordas de aco ja e' bastante raro, assim como violao solo de aco para musica brasileira (os brasileiros que tocam violao de aco solo estao na onda do fingerstyle, que e' algo norte-americano). Acho o Marcus Tardelli um violonista excepcional, mas ele nao e' "do tamanho" do Yamandu, nao tem presenca na midia aberta, etc. O Yamandu e' o "garoto progapanda" do 7 cordas na atualidade e, no Brasil, nao ha um "garoto propaganda" do de 6 do tamanho do Baden, por exemplo (falo tamanho em termos de impacto e nome, nao de qualidade). Portanto, dadas as observacoes dos caminhos que o instrumento toma no Brasil, creio que o violao de 6 solo ficara mais no meio classico. Mas so vamos ter certeza disso daqui a uns 30 anos.

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OI Leo,

Uma das razões pelas quais eu tenho dificuldade em ver o violão de 7 assumindo o comando é justamente a escola de violão clássico no Brasil.

Muita gente que toca popular instrumental começou ou passou pelo clássico e nesse universo não há muita adoção do violão de 7, mesmo no Brasil.

Outro aspecto é que o Baden continua sendo uma influência e referência. Rabello também é referência em 6 cordas.

Eu concordo que só daqui a 30 anos pra se ter certeza.

E mesmo com toda a projeção do Yamandu, eu o vejo tendo menos impacto que o Baden e o Raphael.

Eu sou fã do violão de 7, tenho um, mas pra não é compositor e arranjador, é um violão que carece de repertório.

Eu digo isso porque muita gente toca violão popular pelos arranjos e composições mais conhecidos e há uma carência de material nessa área.

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Eu concordo com a carencia do material e o fato de que quem toca o instrumento ser mais compositor e arranjador. Por isso que ate restringi o instrumento ao popular (ainda que ele aceite sem dificuldade o repertorio classico, como Fabiano Borges faz). O fato e' que a grande maioria dos violonistas populares que conheco sao compositores ou arranjadores, ou os dois.

O violao classico tambem passa por mudancas, no Brasil e no mundo. Ha um aumento consideravel do numero de violonistas que adotam violoes com mais cordas. Isso ajuda a enfraquecer o violao de 6.

Quanto a influencia de Baden e Raphael, realmente nao posso dizer nada a respeito porque so fui conhece-los depois que ja haviam falecido. Ainda assim, acho o impacto do Yamandu algo raro de ser conseguido por musicos de trabalho instrumental.

Mas vele repetir: so da para ter certeza daqui a 30 anos.

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Via de regra o músico popular tem que ser pelo menos arranjador, é muito difícil sobreviver nessa seara sem um trabalho minimamente autoral, não dá pra viver apenas como intérprete.

Baden e Raphael continuam presentes através dos discos, composições e arranjos. Fora do Brasil, Baden continua sendo uma super potência.

Dentre os instrumentistas brasileiros, eu diria que o mais impactante de todos hoje em dia é o Hamilton de Holanda. O que ele fez pelo bandolim é algo de tirar o fôlego.

Ele desenvolveu uma linguagem nova, valorizou a tradição, popularizou o instrumento de 10 cordas e influenciou a geração anterior, o que é um feito e tanto.

Isso sem falar no nível ridiculo de criatividade e virtuosismo e no trabalho didático desenvolvido em prol do choro em Brasília.

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Excelente tópico!

Acho o 7 cordas uma tendência do presente já, vide o YouTube... muita gente desconhecida com o 7 cordas.

Eugênio, em relação ao repertório, realmente é carente, porém, não é necessário ser um grande arranjador, peças do 6 são facilmente adaptável ao 7 com um baixo aqui, ali etc... chegará um momento que 7 ocupará suas ideias musicais.

Edited by Marcos César

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Acho que todo mundo concorda que o 7 vem crescendo em adoção.

Quanto a ultrapassar o 6 em número de instrumentistas, essa é a parte que eu ainda tenho dúvidas.

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