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Marcosviolao

Violão brasileiro nas universidades - Está na hora!

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Bom dia a todos!

Poderia ser um tópico repetido, mas não é... os tempos são outros.

Lembro de como era discriminado Baden quando eu falava dele nas universidades... O Raphael, talvez o que menos sofreu, mas era grande o preconceito. Hoje vivemos uma safra imensurável do violão brasileiro, seja no âmbito executante ou composicional.

Acho que hoje a briga tá equiparada clássico X popular.

O que acham?

abraços!

 

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Mas a questão é se esses executantes e compositores estão seguindo a carreira acadêmica.

Essa mudança só ocorrerá se o pessoal da linha popular tiverem o seu mestrado e doutorado....é necessário mudar o corpo acadêmico.

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Não vejo tanta interação assim, o ponto que o Dilson trouxe é importante, não há doutor em música popular.

Mas aí também cabe a pergunta, é preciso existir doutorado em música popular?

O pessoal do erudito sempre tenta dizer que os grandes músicos populares tem influência do clássico, solida formação acadêmica, bla bla bla.

O pessoal do popular continua dizendo que a turma do erudito é "dura" e sem ginga, quadradinha, etc.

Minha impressão é de que hoje existe menos atrito e mais interesse mútuo, mas não tanto assim, ainda são 2 times separados.

 

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Eu não tenho nenhum contato com o universo acadêmico, em particular na área de música, portanto minha opinião é de leigo. De quem vê de fora.
Mas a minha impressão é que a nova geração é menos apegada a esses aspectos (popular x clássico). Muita gente boa parece estar trabalhando relacionado a música popular ou a alguma interseção entre a música popular e a clássica. Ulisses Rocha, Marcello Gonçalves, Elodie Bouny, Gilson Antunes, Alessandro Borges são nomes que me vem a mente.
 

Rodrigo

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15 minutes ago, rods said:

Eu não tenho nenhum contato com o universo acadêmico, em particular na área de música, portanto minha opinião é de leigo. De quem vê de fora.
Mas a minha impressão é que a nova geração é menos apegada a esses aspectos (popular x clássico). Muita gente boa parece estar trabalhando relacionado a música popular ou a alguma interseção entre a música popular e a clássica. Ulisses Rocha, Marcello Gonçalves, Elodie Bouny, Gilson Antunes, Alessandro Borges são nomes que me vem a mente.
 

Rodrigo

Por aí mesmo...

Eugenio, me refiro mais ao repertório popular, hoje em dia muita coisa disponível, e não estou falando de Sons de carrilhões etc... 

 

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Marcos, eu imagino que você fala disponibilidade no sentido de gravações e composições? Em relação a isso realmente aumentou.

Mas um aspecto que seria importante pra colocar a música popular numa perspectiva mais acadêmica seria a escrita e publicações.

Nesse sentido a carência é muito grande e é bem característico da música popular não ter esse tipo de registro em partitura e poucos artigos.

A escola popular que mais cresceu e se consolidou foi a de Jazz, pelo menos fora do Brasil existem cursos de mestrado e doutorado.

 

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5 hours ago, Eugenio said:

Marcos, eu imagino que você fala disponibilidade no sentido de gravações e composições? Em relação a isso realmente aumentou.

Mas um aspecto que seria importante pra colocar a música popular numa perspectiva mais acadêmica seria a escrita e publicações.

Nesse sentido a carência é muito grande e é bem característico da música popular não ter esse tipo de registro em partitura e poucos artigos.

A escola popular que mais cresceu e se consolidou foi a de Jazz, pelo menos fora do Brasil existem cursos de mestrado e doutorado.

 

Fala Eugênio,

Também isso... além do professores ensinarem, acho muito europeu o ensino do violão no Brasil, já temos muita coisa nossa.

Acredito que exista preconceito de alguns professores, isso é muito triste.

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O que eu vejo hoje em dia é músico popular de escola, mas como a escola no Brasil é a clássica, então é natural que essa turma mescle esses elementos.

Em alguns casos, o cara até estudou pra ser músico erudito, mas mudou de estilo, a gente tem muitos exemplos, Zé Paulo Becker é um deles.

Tem gente que argumenta que escola "padroniza" demais o músico, talvez seja verdade, difícil dizer.

Como eu disse antes, existem cursos superiores de jazz fora do Brasil, com mestrado, doutorado e tudo o mais.

Estuda-se leitura, percepção, harmonia, etc, mas em cima de um repertório não erudito.

Veja o caso desse músico paulistano (Walter Rodrigues Jr) hoje radicado nos EUA. Bacharel em música, mas em escola de música popular (de novo, Jazz).

Ele escreve, ensina, publica, etc, mas observe que o jeito dele tocar não é de violão clássico, mesmo tocando sem palheta.

https://walterrodriguesjr.com/bio/

 

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É natural que essa relação tenha sido mitigada com o tempo e também me parece natural que haja uma lenta absorção do popular no corpo acadêmico. Basta lembrar que a pós-graduação em música no Brasil é algo relativamente recente. Embora a etnomusicologia tenha se iniciado na UCLA nos anos 60, o assunto demorou a ser preocupação no Brasil. 

Parece-me que a escola do Brasil, no que concerne ao violão, seja bem menos clássica quando comparamos com os vizinhos: Argentina, Uruguai e Peru. No Peru, a música andina só foi ser estudada seriamente no âmbito do violão acadêmico por Javier Echecopar. Até poucos anos, era muito difícil você ver algum aluno do conservatório de Lima tocar alguma obra popular peruana. No Uruguai, por sua vez, é comum ouvirmos obras acadêmicas com fortes influências do tradicional candombe, como no violão do Cabrera.

No Brasil, foi justamente um uruguaio (Savio) que trouxe a tradição do violão clássico para os violonistas populares, tendo alunos destacados como Marco Pereira, Paulo Bellinati, etc. Penso que o meio acadêmico das nossas universidades seja consequência desse processo e não o contrário.

Edited by fabiano borges

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Queridos amigos,

meu doutorado, que será defendido em fevereiro de 2018, fala justamente sobre o violão nas universidades brasileiras, em especial nas públicas.

Acredito que a escola do violão brasileiro, apesar de muito ampla, no que se refere ao violão solista se consolidou nas últimas décadas e através da produção de vários compositores conseguiu deixar de lado esse preconceito. Eu acredito que a linguagem do violão popular que dialoga diretamente com a técnica e a tradição clássica através da obra de nomes como Bellinati, Marco Pereira, Guinga, Ulisses Rocha e a grande interação dos compositores com a música popular desde o modernismo nacionalista tem ratificado um selo de qualidade ao instrumento. Porém, dentro das universidades há ainda poucos cursos. No meu doutorado levantei 7 bacharelados que contemplam deliberadamente o violão popular. Há, sem dúvida, um grande número de licenciaturas que também contemplam, mas acredito que o foco destes cursos seja outro que não a performance. 

Como disse o Eugênio, o jazz já está, há décadas, estruturado dentro das escolas americanas. O desafio aqui pra gente pra reproduzir um sistema tão eficiente quanto o dos Estados Unidos é, a meu ver, primeiro conseguir delimitar o que é e o que não é o violão brasileiro. Como parte da nossa própria cultura é difícil definir algumas coisas. Por exemplo, o violão solista brasileiro tem uma linguagem relativamente clara, mas seria preciso isola-lo para conseguir estabelecer cursos eficientes. A grande questão é que para o solista soar "popular"  dentro do contexto brasileiro ele precisa conhecer bem o universo do acompanhamento e da improvisação em diversos gêneros. Isso leva muitos e muitos anos... difícil estabelecer a principio um curso de graduação, que possa se expandir depois para a pós-graduação, que seja capaz de contemplar essa diversidade. Estou pensando aqui apenas na formação de solistas. Enfim, este foi o assunto que me atormentou nos últimos quatro anos e que em breve vou defender aqui na UNICAMP.

 

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